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sábado, 29 de abril de 2017

Capítulo 17

— Bruna Santana

Quando o Luan finalmente decidiu ir embora, já se passava das quatro e quinze da manhã e a maioria das pessoas já tinham ido embora, incluindo o Rodrigo, a Eloá e as meninas amigas dela. Desde a confusão Ana se manteve calada e sequer me encarava, sabia que eu estava chateada com a atitude infantil e ridícula dela.
Nos despedimos de todos e agradecemos ao Sorocaba pela hospitalidade de sempre e seguimos para a frente da casa, onde o carro estava estacionado. O Roberval foi o primeiro a entrar, em seguida o Luan no banco do carona e eu e  as meninas fomos no banco de trás.

Como era madrugada o trânsito ainda não estava caótico, então não demoramos muito para chegarmos ao hotel. Roberval ajudou Luan a ir para o quarto dele, já que o mesmo tinha bebido um pouco mais e sempre se enrolava com o cartão. Eu fui para o quarto que estava dividindo com a Ana e assim que entramos ela já foi logo tirando os saltos. Fiz o mesmo, ficando descalça e prendendo meus cabelos em um coque frouxo no alto da cabeça logo em seguida. Tirei todos os acessórios que estava usando e já guardei na minha malinha de mão, peguei meu pijama e fui direto para o banheiro. Tomei um banho rápido e sai já vestida com o pijama, pronta para deitar e dormir, uma vez que mais tarde eu voltaria para casa e Luan seguiria com a agenda de shows dele.

Ana foi tomar banho e eu fiquei deitada, mexendo no celular, abri o Instagram e vi algumas fotos que alguns fã-clubes haviam postado da social, provavelmente quem estava lá na social deve ter postado. Segui o Rodrigo que estava marcado em uma das fotos e também a Eloá, ela era gente boa e eu havia gostado dela. Meu celular avisou que a bateria estava em 10% e mesmo com preguiça me levantei, indo buscar o carregador na mala e voltando para a cama outra vez. Coloquei meu celular para carregar e estava distraída respondendo às conversas no WhatsApp quando minha amiga resolveu quebrar o silêncio.

— O que aconteceu? — ela perguntou.
— Não sei do que você está falando. — dei de ombros, enquanto respondia a mensagem da Mary.
— Ah Bruna, fala sério né. — ela bufou, impaciente.
— O que você quer, Ana Carolina? — perguntei, finalmente largando o celular de lado e a encarando.
— Quero saber que bicho te mordeu para você ter ficado toda estranha comigo. Mal trocamos uma palavra na festa e desde que chegamos você sequer me olhou.
— Jura que não sabe? — fui irônica e ela revirou os olhos, impaciente.
— Não, não sei.
— Eu vi o que você fez com aquela menina, a Eloá. Sujou a roupa da menina toda! — falei realmente brava. Ela havia feito por maldade e isso era o cúmulo.
— Foi sem querer, amiga. — ela falou, fazendo pouco caso.
— Não foi, Ana. Eu vi! — falei exasperada. — Não vem mentir na minha cara, não. Você fez por maldade! — resmunguei.
— Não sei o porquê dessa revolta toda, nem sujou muito e você também nem conhece a menina.
— Não importa, amiga. Você sujou a roupa dela, já imaginou se não tivesse ninguém para emprestar uma roupa pra ela lá? — indaguei. — A sorte é que eu tinha body na bolsa. — falei.
— Foi você quem emprestou roupa para ela? Eu não acredito nisso, Bruna! Que tipo de amiga é você? — ela perguntou indignada.
Bufei, começando a perder a paciência.
— O tipo que te repreende quando vê que você fez algo idiota. Poxa, a garota nunca te fez nada, tava lá de boa curtindo com os amigos e você me apronta uma dessas. A sua sorte é que o Sorocaba não viu, porque senão ele tinha te chamado na grande na frente de todo mundo mesmo, pouco se importando com quem iria ouvir. — falei brava.
— Ela tava agarrada com o seu  irmão no banheiro, eu vi! — ela tentou se justificar.
— E você não acha que deveria tirar satisfação e descontar a sua frustração nele, não? A garota chegou agora, não sabe do rolo de vocês, logo não tem culpa alguma. A culpa é dele, aliás... A culpa não é de ninguém, porque ele é livre e você também. — falei, sem mais nenhum pingo de paciência.
— Também não precisa ser grossa. — ela resmungou e eu me senti um pouco culpada por ter sido grosseira, mas ela me tirou do sério.
— Me desculpa, mas foi necessário. Você só entende o que quer! — resmunguei.
Ela não falou mais nada, apenas caminhou até a outra cama e se deitou. Me ajeitei sobre a minha e puxei o edredom, me cobrindo. Ainda fiquei alguns minutos pensando em nada e em tudo ao mesmo tempo, antes de adormecer.

No dia seguinte viajei eram umas oito horas da manhã, me despedi do Pi no aeroporto e segui rumo a Londrina com a Ana, que estava mais emburrada que ontem. Assim que chegamos, ela resolveu ir para casa e eu não fiz nenhuma objeção. Almocei com meus pais e depois de conversarmos um pouco, fui pra piscina, já que fazia um sol maravilhoso. Me surpreendi quando recebi uma direct da Eloá, agradecendo pela a ajuda na festa e avisando que devolveria meu body da próxima vez que me visse ou então mandaria pelo Rodrigo, para que ele entregasse ao Luan. Respondi que não tinha pressa e batemos um papo curto, mas bem legal. Vi também que ela havia me seguido de volta, assim como gostoso do Rodrigo, amigo dela. Que homem é aquele, meu Deus?!

— Luan Rafael

Me despedi de Bruna no aeroporto, já Aninha nem sequer olhou para mim, nem dei importância também. Elas voltaram para Londrina e eu segui para Minas, tinha show em Belo Horizonte hoje. Chegamos lá por volta de uma da tarde, almoçamos no restaurante do hotel mesmo e depois a galera resolveu ir para a piscina, já eu preferi subir. Tomei um banho demorado e lavei meu cabelo, me sequei e saí vestido num roupão, tirei o excesso da água do meu cabelo  com uma toalha e deixei que secasse naturalmente. Me joguei na cama, regulei a temperatura do ar e liguei a tevê.

Liguei lá embaixo e pedi uma sobremesa gostosa, já que não tinha pedido quando almocei. Coloquei meu celular para carregar e me deitei outra vez, acessei a netflix pela televisão e selecionei minha série favorita, dei play no primeiro episódio da nova temporada e me acomodei melhor na cama, ajeitando os travesseiros atrás de mim. The Walking Dead, a melhor série que existe! O episódio começou e eu me concentrei, pausei a mesma apenas quando a minha sobremesa chegou. Agradeci a moça, que por sinal era bem gostosa, e voltei para dentro, me jogando na cama outra vez. Assisti o resto do episódio enquanto comia meu mousse de chocolate.

Já passava das cinco da tarde e eu estava num tédio de dar dó, ninguém interessante estava online para conversar pelo whats, nem mesmo minha irmã ou alguém da galera. Mandei uma mensagem para a Eloá, mas depois de esperar dez minutos e ela não responder, desisti. Mais tarde tomei outro banho e me arrumei para o show, que foi maravilhoso. Incrível como sempre, cheio de energia positiva, muito amor e uma segunda voz espetacular feita pela a multidão que lotava aquela casa de show.  

[...]

Aterrissamos em Recife ainda era de madrugada e fazia frio. Antes de descermos coloquei uma touca, meus óculos escuros e ajeitei a blusa, descendo com o celular na mão.

— Direto pro hotel, né boi? –Rober perguntou e eu assenti.– Não vai atender ninguém, é?
— Cara, são 3 e pouco da madrugada. Acha que vai ter alguém esperando?
— Ah, vai saber. –riu.
— Vamo aí vai, tá tarde. Tô com fome.
— Eu falei pra você jantar no camarim.
— Não sou de negar comida, mas aquilo tava horrível cara. –falei rindo. Saímos pela sala de desembarque e três meninas vieram na minha direção, com cartas, pelúcias e celulares já filmando. Atendi tranquilamente, abracei apertado cada uma delas, tirei foto e seguimos para a van sob olhares curiosos, tímidos... nos acomodamos e minutos depois estávamos descendo pela rampa de estacionamento do hotel.
— Ah! Chegamos. –Rober comemorou depois de pegar os cartões dos quartos e entrar no elevador.– Não sei vocês, mas amanhã eu não acordo antes da uma da tarde. –Wellington e eu demos risada.
— Lêzinha já mandou mensagem falando que chega aqui pela manhã, esqueceu é?
— Quem tem entrevista cedo é você bonitão, eu não.
— E você vai levantar cedo junto comigo, ou seja, se fodeu troxa. –ele fez careta e foi o primeiro a descer quando as portas se abriram.– Qual é o meu quarto?
— 206.
— Ótimo, pode passar a chave pra cá.
— Não perde hein, você é mestre em fazer isso.
— Deixa comigo cara, boa noite procêis. –disse pegando o cartão com ele, e passando na porta para abrir e eu conseguir entrar.

Estava tarde, no frigobar tinham algumas coisinhas, mas eu tava com fome de comida. Liguei na recepção e pedi um lanche com um suco de goiaba e enquanto teria que esperar aproveitei para ficar mais a vontade. Tirei os sapatos, a blusa de frio e minha camisa. Deitei e fiquei no celular, curtindo as fotos e vídeos do show da noite anterior, momentos com as fãs na minha chegada e saída. Bateram na porta e do jeito que estava fui atender, uma camareira muito bonita, ficou me olhando sem jeito.– Boa noite moça.
— B-boa noite, é... meu deus, até esqueci o que eu ia falar... eu... nossa.
— Calma muié, devagar. –ela colocou as duas mãos no peito e ficou resmungando alguma coisa baixinho, achei até engraçado e ri.
— Minha filha não vai acreditar que eu vi você e assim. Eu posso tirar uma foto sua?
— Pode claro, vem cá. –deixei o carrinho mais pro lado, abracei-a e tiramos uma selfie. Ela contou brevemente que tinha uma filha que se dizia minha fã, tanto que iria no show do dia seguinte. Agradeci pelo carinho, também pela comida e entrei fechando a porta atrás de mim.
Comi e de estômago cheio bateu o sono, nem escovei os dentes, coloquei as coisas de lá, tirei a calça e deitei debaixo do edredom.

A sensação que eu tive era que havia dormido por minutos, tendo meu sono interrompido por algum infeliz que não parava de ligar na merda do celular.

— Hm... –atendi.
— Luan, bom dia. É a Arleyde, tudo bem? –cocei os olhos, me obrigando a despertar.
— Não tá muito não, cê me acordou.
— O Rober me falou mesmo que chegaram aqui em Recife de madrugada, eu imagino o cansaço.
— É, tô vendo.
— Não fica bicudo feito uma criança mimada. Sabe como são os festivais, sempre arrumam uma entrevista pra algum site ou canal local, rádios locais também.
— Aham.
— Tô chegando tá? Saindo da sala de embarque, te encontro em alguns minutos.
— Aham.
— Luan, você está deitado ainda é? Já falei pro Rober ir adiantando as coisas aí, pedindo seu café.
— Tá. –bocejei cheio de preguiça, ela riu.
— Até daqui a pouco, quero você de banho tomado tá? Beijos.
— Beijo, tchau Arleyde. –e desliguei, tentei ver as horas, mas estava tudo embaçado, virei pro outro lado e dormi outra vez.

Acordei pela segunda vez com batidas na porta, junto do celular que estava tocando, levantei do jeito que estava e abri a porta.

— Ai meu deus, vai pra dentro menino. –me empurrou de volta e bateu a porta.
— Tava dormindo é?
— Tentando. –bocejei me jogando de costas na cama outra vez, cobrindo os olhos com o braço.
— Pois trate de levantar e vestir uma roupa. Tô cansada de te ver pelado, anda.
— Tô tentando te seduzir. –ela deu risada.– Tá funcionando não?
— Não enquanto suas pernas parecerem dois palmitos de tão brancas.
— Poxa Lelê.
— Eu sei que você está cansado, mas temos compromisso. Bora levantar, ligeiro.
— Podia ter marcado isso pra mais tarde, não acha não?
— Eu tentei, juro. Mas não deu. Por que você acha que sugeri que viessem direto do show de ontem? Hein?
— Pra me encher de base e corretivo de tanta olheiras. –disse virando de barriga para baixo, estava de olhos fechados, só escutando seus saltos baterem no piso de um lado pro outro, fuçando até nas minhas malas.
— Pronto, sua roupa tá aqui. Seu café está chegando em cinco minutos. Você tem meia hora pra tomar um banho e dar um jeito nesse cabelo.
— Tá brincando, né?
— Não e anda logo... alô?... Sim, é ela... Oi... quase prontos... isso mesmo, quarto 206... tá... entendi.
— O que? Vai ser aqui? –perguntei e ela levantou a mão pedindo para que eu esperasse, andou mais um pouco pelo quarto e desligou.
— Daqui uma hora eles chegam, tá? Não vai ser gravada aqui a entrevista, mas eles vem aqui antes para te maquiar, ver microfone e essas coisas. É bem simples, coisa de duas horas e meia no máximo... vai falar bastante sobre a sua participação no festival e entram assuntos como a sua turnê, agenda de shows e eles sempre... sempre perguntam sobre a sua vida pessoal. Se está namorando ou se tal notícia é verídica. É muito chato eu ficar "não responde isso ou aquilo", mas tenta sair do assunto sem dar muito na cara. –Lelê me instruía do jeitinho dela, dando uns toques. Enquanto ela falava eu fui para o banheiro, deixando a porta aberta e respondendo suas perguntas.– Ah e é muito importante você não dar muitos detalhes do seu próximo disco, senão eu te mato hein.
— Minha nossa senhora, cê não disse que era uma entrevista rápida?
— Eles não são bestas, conheço bem.
— Eu sei meu amorzinho, fica tranquila.
— Eu estou. Confio em você, mesmo você não tendo juízo a maioria das vezes.
— Não vejo a cara das baladas faz mais de uma semana.
— Mas fotos suas entrando na van de mãos dadas, né?
— Foi um deslize, não sou de ferro.
— Tô sabendo viu e tô de olho tamém. Larga essas franciscas, Luan.
— São as melhores. –ri.
— Não sei mais o que eu faço com você.
— Deixa eu viver muié, a vida é muito curta pra ficar pensando demais.
— Sei. Anda logo com esse banho, seu café já chegou. –joguei uma água rápida no corpo, nem molhei os cabelos pra não ter que ficar secando depois. Desliguei o chuveiro e sai enrolado na toalha, dona Arleyde estava sentada à mesa, comendo.
— Bonito hein...
— Cheguei cheia de fome, você não tem ideia. Não jantei ontem.
— Tá parecendo eu, fui comer a hora em que chegamos aqui. E gostoso viu Lelê, comida daqui é ótima.
— Avaliar na hora de muita fome não vale. –risos.
— Cê que pensa. –vesti minha cueca, calça e camiseta deixando as meias e tênis para depois e me sentei a mesa para comer com a Lêzinha.– Cadê o testa? O negão?
— Terminando de se arrumar, né. Roberval fala de você, mas não sai se não estiver arrumado.
— Que ele é pior que mulher pra se arrumar todo mundo sabe e eu nem demoro tanto. Demorava bem mais quando passava gel, Dagmar ficava doida mulher.
— Agora você puxa na escova. Ou seja, eu preferia o gel.
— Assim eu tô mais gato pra você poxa. Mais cara de homem, viu como ficou minha barba? –disse passando a mão e ela tentando achar a diferença.– Ô mulher, aqui oh. Sente só a maciez.
— Tô vendo mesmo, tá se arrumando tanto pra quê? Hein?
— Pros amores da minha vida. –ri.
— Galanteador barato, você. Meu deus, menino. Termina de comer vai.
Arleyde era uma mãezona pra mim, cuidava de muitas coisas dentro e fora da estrada. Dava mais broncas que o necessário, mas eu sempre soube que é cuidado, amor por essa pessoa maravilhosa chamada eu.
Terminamos de tomar café, ela foi escovar os dentes e eu também. Fiquei dançando atrás dela e fazendo caretas em frente ao espelho.
— Luan Rafael, chega. Temos pouco tempo, se ajeita. E por favor, não dê em cima da repórter.
— Eu não faço essas coisas, Lelê. O testa é testemunha.
— Outro safado que te encobre, Deus me livre.
— Jamais.
— Deixa de assunto, vai. Vai fazer o que nesse cabelo?
— Touca. Porque só vou arrumar mesmo pra hora do show.
— Ótimo. Gosto disso, agilidade. –riu me dando um tapinha no ombro e saindo do banheiro.

Escovei os dentes, enxaguei a boca e sai. Vesti as meias, calcei o tênis e coloquei a touca. Estava pronto para o primeiro compromisso do dia.
A repórter que estaria me entrevistando não era muito bonita de rosto não, mas naquela roupa estava um filé, gostosa pra caramba com uns peitos enormes e querendo pular da blusa. Tentei não olhar e foi uma tarefa muito difícil. Depois de finalizarmos tudo, desligamos os microfones e eu pude trocar algumas palavras com ela e acabei convidando-a para estar no meu camarim mais tarde, estava na seca né.

— Menino, juízo te falta. Onde já se viu.
— Todo mundo olhou que eu sei. –nem ela aguentou e deu risada.– Tá vendo...
— E estava cochichando o que com ela ali no cantinho?
— Perguntei se ela não queria ficar e passar o dia comigo no quarto.
— Nos seus sonhos, engraçadinho. Vamos descer, seu quarto está livre de toda e qualquer aparelhagem.
— Não tenho mais nada agora é?
— Tem sim, a passagem de som. Mas estamos adiantados até... bora?
— Bora que eu quero voltar, almoçar e dormir. –risos.
— Gordo do caralho, só pensa em comer porra.
— Eu como e fico gostoso. Você come e aumenta essa testa gigantesca.
— Haha. Que graça. –mandei um beijo pra ele e entramos no elevador.– Toma.
— Valeu. –disse pegando o celular.– Olha só... dona Bruna seguindo a Eloá.
— Tá stalkeando a menina de novo?
— Estão me marcando nos prints, de uma seguindo a outra e dos snaps feitos na casa do Sorocaba.
— Qual a novidade?
— Segundo fontes "seguras", Eloá e eu estamos mantendo um namoro as escondidas. –ri.
— Tá aí uma coisa que eu não reclamaria, chefe. –Well disse pensativo.– Ela é muito bonita.
— Ela é gostosa, pra caralho. Nossa... –mordi os lábios pensando nos nossos beijos.
— É muito homem falando besteira pra uma Arleyde só, não aguento. –caímos os três na risada, trocando o rumo da conversa.

Finalizada a passagem de som retornei ao hotel e fiz aquele treino, almocei e sumi para descansar um pouco antes do show.

(...)

Tudo pronto, atendi aos fãs que ganharam sorteios de rádios e outras duas promoções no Facebook. E agora estava me preparando para subir no palco.
— Licença, tô entrando. –olhei para a porta e Israel Novaes estava entrando, cumprimentando a Lê com beijinhos no rosto, meu segurança com um aperto de mão e um abraço de "macho" no maior cara da equipe.– Luan Santana. –brincou.
— Fala, Novaes. –nos abraçamos.– Tranquilo?
— Opa, demais... nem sabia que você estaria aqui. Difícil a gente se encontrar por conta das agendas... –e começamos a conversar, tínhamos tempo pra isso. Israel era um dos amigos que ganhei por essa estrada a fora, gente boa pra caramba e que tinha um talento incrível.– Esse ano só fera. –risos.
— Vi alguns nomes só, uns já até foram embora.
— Cheguei agorinha aqui. Estava atendendo uma galera no camarim e agora que sobrou um tempinho pra cumprimentar os amigos, né.
— Camarim cheio em rapaz, olha só. –escutei uma voz conhecida, como estava de costas olhei pelo espelho tentando saber quem era que estava abraçando tempo demais minha assessora. Arleyde soltou dele toda cheia de sorrisos, cruzei os braços e não demorou para eu reconhecer a pessoa.
— Grande Rodrigo Marim. –brincou Israel.
— Lá vem. –risos.– Tudo bom, cara? –nos cumprimentamos.
— Estaria bem melhor se sua amiga tivesse vindo junto. –"
" pensei comigo, prestando a atenção.
— Quem a Lolô? –"
" franzi a testa, ainda quieto.
— A produtora cara, não sabia que era sua amiga não. Se soubesse hein... –riam.
— Não deu pra ela vir, até tentei trazer. Mas ela trabalha final de semana, não tem jeito.
— Saudades dela viu. –comentou num tom sugestivo, sugestivo, mas sacana.
— Nunca nem viu ela. –Rodrigo brincou.
— Não só vi, como fiquei. Na verdade não resisti. –disse sorrindo, com carinho.– Ela é um mulherão cara, mas o jeitinho é de menininha. Beija como ninguém, nossa. –Israel começou elogiar demais a Eloá, contar como o beijo tinha acontecido e eu escutando sem fazer expressões, até concordei quando ele voltou a dizer que ela era muito bonita e que deveria ter ido para o festival que assim eles matariam a saudade e tive vontade de revirar os olhos.
— Ela fez bem em ficar, muito gavião solto. –Rodrigo disse enciumado.– Minha irmãzinha está segura em casa, né Luan.
— Concordo. –ri, nervoso.
— Conheceu ela também, irmão? É linda demais, nossa senhora.
— Eu sei, falo isso pra ela todos os dias.
— Ah, Rodrigo. Sem ciúmes, parceiro. Seremos cunhados. –riu.– Ela é solteira, né? Posso investir?
— Você não tava namorando? Vi isso em algum lugar, não lembro onde.
— Conversa, me arrumaram até um filho essa semana já... –mudamos de assunto e eu mentalmente agradeci, não demorou para que eles se despedissem e eu voltasse a me preparar. Louco de raiva. Então comigo ela fez o maior doce e com o Israel não fez nem questão? Pilantra.
— Relaxa cara, tá todo tenso. –He-man me tirou do devaneio.
— Tá nervosinho, tá? –Rober zombou.– Qual a sensação de ter pego a baba dele?
— Vai se foder, Roberval. –disse sem nenhum humor.
— Verdade seja dita, né. Você precisou roubar beijos, e o cara é tão foda que só jogou uma conversa e pá... pegou. –riu.– Aceita, boi. Essa você vacilou.
— Cala a boca vai, Roberval. –falei voltando aos alongamentos.
— Chefe tá bravo. –Well ria.
— Amigos compartilham coisas, pô. –He-man zombava.
— Compartilham o caralho. E deu de assunto. –Arleyde saiu do banheiro dizendo que eu entraria em quinze minutos, nos reunimos para a oração e seguimos para o palco.

Recorde de público, muitos cartazes, sorrisos e faixas na cabeça. Todos cantando juntos minhas músicas transmitia uma imensa alegria, emoção. Foi demais estar ali naquela cidade, mesmo sabendo que nem todos estavam ali para me ver. Ao me despedir do público desci para o camarim, troquei de roupa e fomos para o camarote, onde voltei a encontrar Rodrigo.

— Que show em cara, parabéns. –nos abraçamos.
— Obrigada, você também vai quebrar tudo que eu sei.
— A gente tenta, né. –risos.
— Cadê a namorada? –brinquei.
— Eu que te pergunto, vive cercando minha amiga.
— Eu? Não cara, que isso.
— Não precisa me enrolar não, eu vi sua cara quando o Israel começou a falar dela.
— Nunca ia imaginar que ele e ela... ficaram. –comentei realmente incomodado, Rodrigo deu risada e foi mudando de assunto. Pedimos uma bebida e ficamos próximos durante o show do Novaes, nas últimas músicas ele se despediu e desceu para se preparar e subir no palco.
— É o último show né?
— Sim minha gatinha, vem cá assistir agarradinha comigo. Vem... –ela riu e ficou ao meu lado, abracei sua cintura e deixei ela na minha frente, como casal.
— Sou casada, viu.
— De mim ele não tem ciúmes. –pisquei.
— Não mesmo, você tem idade pra ser meu filho quase.
— Ah, mas não sou viu Lêzinha. –beijei seu rosto e ficamos assim, em família aproveitando o último show da noite antes de voltarmos para o hotel.

— Eloá Andrade

Fiquei louca da vida que não pude ir para o festival em Recife, mas por questões profissionais não pude. E o pior foi que o evento no sábado acabou muito cedo, por volta de 23h30/00h. Liguei para as meninas e perguntei se estavam afim de fazer alguma coisa, elas toparam. Marcamos de nos encontrar em uma pizzaria perto de casa e de lá iríamos para a casa da Bre para uma noite das meninas.
— O Rô acabou de mandar mensagem dizendo que está subindo no palco. Queria tanto estar lá. –falei toda bicuda e elas deram risada.
— Sabe quem está por lá hoje, né? –Brenna perguntou com um sorriso malicioso no rosto.
— Não, quem? –Jess e eu nos atentamos a ela.
— Luan Santana e Israel Novaes. Os dois amores de Eloá Andrade Mohamed.
— Idiota. –fiz careta.
— Miga, fala sério... você não pega cara feio, nossa.
— Não fico escolhendo. –rebati.
— Eles que te escolhem. –Jessica disse.– E vem certeiros, nossa. Quando você contou do Israel eu fiquei assim. –fez cara de espanto.
— E ele beija muito bem, tem uma pegada que eu vou te contar... –suspirei.– ...ficaria com ele outras vezes.
— Não teve vontade de ir pra cama? Porque se ele beija tão bem deve fazer outras coisas maravilhosamente bem também, com a boca principalmente.
— Nossa Brenna, você tem uma foguetisse que meu deus, se controla amiga.
— Ah, Lolô. Fala sério, daqui a pouco você chega nos vinte e cinco virgem. –Jess disse como se fosse um crime.– Você experimentar o bom da vida.
— A vida não é só sexo.
— Ainda acho que você está esperando o ex-boy. –Bre falou sorrindo.
— O Bruno está bem longe, nunca mais nos falamos.
— Sente saudades dele?
— Sinto, ele era minha companhia quando eu não estava com vocês, nem com a minha mãe. Mas não como namorado, eu acho.
— Ah, mas você fala isso agora amiga. Duvido muito que se ela chegar e falar vamos voltar... que você não volta.
— Não sei, não posso dizer que não, mas também não digo que sim. –risos.
Nossas pizzas chegaram junto com as bebidas, nos dirigimos ao caixa, pagamos e pedimos um táxi e fomos para a casa da Brenna. Chegando lá fomos deixando as coisas na sala mesmo, Jessica e eu fomos para a cozinha fazer o brigadeiro e beijinho e pegar os pratos. Quando voltamos para a sala Brenna tinha escolhido os filmes, pego as cobertas e travesseiros, nos acomodamos e mandamos ver.
— Gente, socorro!
— O que Jess? –fiquei olhando curiosa.
— Olha quem me seguiu no Instagram meu amor, olhem e babem. Esse homem me segue, socorro! –comecei a rir quando ela mostrou a foto do amigo do Luan, o mesmo que estava no dia do churrasco e da festa da produtora.
— O Marcos?
— Marquinhos, Eloá. Marquinhos. –me corrigiu voltando a sorrir. Ri, recebi uma nova notificação e quando olhei era um novo seguidor.
— Me seguiu também. –falei.
— Nossa, por que ninguém me segue? –Brenna cruzou os braços, nos fazendo rir.– Chateada.
— Porque sou eu quem ele ama. –dizia Jess convencida.
— Cala a boca, Jessica. –falamos juntas.
— Invejosas, recalcadas.
— Ridícula. –falamos juntas outra vez.
— Complô, é?
— Não! –nos olhamos rindo.– Vamos voltar pro filme, vai. –falei bloqueando a tela do celular.– Perdemos quase cinco minutos.
— Só voltar, meu bem. –Brenna disse pegando o controle. Assistimos mais dois filmes, e na metade do terceiro que era um filme de terror, meu celular começou a tocar.– Sua vaca! Olha o susto que você me deu.
— Deixa eu atender, sai. –peguei o celular em cima da mesinha de centro, e atendi.– Oi?
— É o Luan, tudo bem?
— Eu sei que é você. –ri.– Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu que eu tô com saudades.
— Você com saudades de mim? –ri.
— É uai, não pode não?
— É estranho, quase nunca nos falamos.
— Porque você não quer.
— Não é bem assim né. Mas... não foi pra isso que você ligou... –ele riu.
— Encontrei o Rodrigo aqui em Recife, ele deu uma passada no camarim mais cedo.
— Foi?
— Uhum... e eu me perguntei porque você não estava com ele.
— Ele me chamou pra este festival, mas tivemos um evento hoje e acabou não dando pra ir.
— Por isso ainda está acordada?
— Não exatamente, o evento acabou cedo. Não era nem meia noite. Aí vim para a casa de uma amiga.
— Amiga mesmo? –ele riu, mas eu revirei os olhos.
— É amiga, a Brenna que estava lá na casa do Sorocaba comigo.
— Não lembro quem é não. –riu.– Estão aprontando muito aí?
— Não. Estávamos vendo filme mesmo, comendo algumas bobagens... e você?
— Chegando no hotel... –escutei uma gritaria daquelas e afastei um pouco o celular, uns cinco minutos depois ele voltou rindo.– Lô?
— Apelido novo? –risos.
— Eloá fica formal demais... não acha?
— Sei lá... que gritaria era aquela?
— Tinha uma galera nos esperando aqui na frente do hotel, desci uns minutos.
— Ah tá... vai dormir agora?
— Que nada, ainda tá cedo. Tô indo comer.
— Essa hora?
— "Tá hospedado aqui também?" –escutei uma voz de fundo.– "No 206" "Pertinho, tô dois andares pra cima." "Vai subir agora?" "Vou é comer, desço do palco cheio de fome sempre." "Então bora." – fiquei esperando ele terminar o assunto e nada.– Lô?
— Oi.
— Nem sabe quem está aqui comigo.
— Não mesmo, quem está aí?
— Fala aqui com ele...
— Luan não, nem sei quem é que...
— Oi Lolô. – quis enfiar minha cabeça dentro de um buraco. – Ainda acordada é?
— Oi Rô, sim. Estou com as meninas... tá tudo bem?
— Não tá muito, não. Tá falando com ele, por quê?
— Porque ele me ligou, porque você deu o meu número pra ele.
— Que desculpa hein, Lolô. –riu.– Vou deixar vocês conversarem, mas oh... eu tô de olho.
— Se cuida, tchau.
— Voltei, Lô. — Luan disse rindo
— Engraçadinho você, né?
— É seu amigo, uai.
— Mesmo assim, agora ele vai ficar me enchendo.
— Dá nada. –risos.– Vai fazer o que essa semana?
— Estudar, trabalhar... essas coisas.
— Essa semana estou em São Paulo por uns dias. Aceita jantar comigo?
— Jantar? — repeti, surpresa.
— É, um jantar... – deixei ele na linha e corri para as minhas amigas.
— Ele está me convidando pra jantar. –falei rápido e elas me olharam sorrindo.–
— Aceita logo, anda... –Jess incentivou.
— Vai, minha filha. –Bre colocou mais pilha.
— Lô, se você não quiser tudo bem eu pos...
— Aceito sim, eu...
— Sério cara? Eu nem tô acreditando que... nossa... –ri.
— Só me avisa antes, pode ser? Aí a gente vê onde se encontra, tá?
— Claro que eu vou te buscar, só me falar onde.
— Veremos. –risos.– Boa refeição, tá?
— Tá me dispensando?
— Você precisa comer e eu ver o restante do filme.
— (risos) Trocado por um filme.
— Acostume-se, tchau, Luan.
— Tchau, Lô. Fica com Deus.
— Amém, fique com Ele também. –e desligamos.
— Ah, não! Conta tudo e conta agora.

Não tive como fugir, contei a elas desde a ligação depois do churrasco no Sorocaba até a ligação de hoje e o convite para o jantar. Nós, deixamos o filme de lado e passamos a fofocar até altas horas e fomos tratar de dormir quando o dia estava quase amanhecendo. Mas também, foi só deitar que cinco minutos depois estávamos dormindo.


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OOOOI! Estamos em falta com vocês e sabemos disso, mas é que não tá fácil essa vida de universitárias. hahahaha
Sobre o capítulo: O que acharam das desculpas da Ana? E do Convite do Luan para jantar com a Eloá? hahahah

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Capítulo 16

— Luan Rafael

[...]

Cara do céu, ela estava linda. Quando a vi chegar com o armário do lado e mais duas amigas fiquei babando. Nossassinhora! Como pode uma mulher só ser tão gostosa daquele jeito, dava tesão só de olhar e imaginar loucuras para se fazer com ela.

— Oh a baba escorrendo aí boi. — Testa me deu um tapa na cabeça, me fazendo acordar pra vida e tomar mais um gole da minha cerveja. — Tá nessa ainda?
— Ela é gostosa demais, não sossego enquanto não levar pra cama. — lambi os lábios, rindo de um jeito sacana e imaginando-a nua.
— Enquanto não leva pra cama, disfarça meu camarada. — Rober deu um toque e voltou para o assunto da nossa rodinha. Ela continuou caminhando com a turminha, pararam na "mesa" da minha irmã cumprimentando as meninas, Ana, Eloísa, Maryana, Soraya e a Mikelly. Depois continuaram até que chegaram em nós, eu estava na ponta, seria um dos últimos e confesso que estava ansioso pra saber qual seria a dela depois da ligação inesperada no meio da madrugada. Pisquei algumas vezes e ali estavam eles, bem a minha frente.
— E aí Luan, beleza cara? — Rodrigo foi o primeiro a me cumprimentar, com um abraço de lado e um aperto de mão.
— Tudo certo, e você rapaz?
— Tô ótimo, não tem como tá ruim andando com esse monte de mulher bonita. — rimos. — Deixa eu apresentar, vai. Essas são Jéssica e Brenna, e a Eloá você já conhece né?
— Prazer meninas. — fiz questão de cumprimentar uma a uma demoradamente com um beijo no rosto e um abraço com a mão na cintura, bem firme escutando uns suspiros.
— O prazer é todo meu, pode ter certeza. — disse de um jeito firme e engraçado, jurei ter visto-a morder o lábio.
— Jéssica sem postura, faz nem questão de manter uma aparência. — a outra comentou revirando os olhos, ri e fui até a mais bonita.
— Oi. — pisquei. — Não sabia que viria.
— Na verdade foi de última hora. O Rô... — "Rô" revirei os olhos com tédio e ela sorriu sem jeito e voltou a falar. — Ele... apareceu lá em casa e falou dessa social, eu iria ficar deitada mesmo, mas as meninas estavam em casa e ficaram me apurrinhando até eu tomar banho e vir. — explicou.
— Ainda bem que veio. — coloquei as mãos uma em cada lado de sua cintura, olhei em seus olhos achando engraçado o jeito que sua respiração deu uma acelerada, beijei sua bochecha e lhe abracei.
— Já pode me soltar né? Tá muito estranho esse bando de gente, inclusive minhas amigas, nos olhando.
— Tá tão bom aqui. Queria até um beijo na boca sabe? — sussurrei.
— Não, sossega. — e se afastou.
— Quero sossegar com a minha boca na sua, que tal?
— Que tal você parar de beber e falar merda? Tava tão bonitinho de longe, de boca fechada. Parecia menos... babaca. — disse sugestiva, mas na brincadeira, eu acho. Ri negando com a cabeça e ela me acompanhou, se afastando numa distância confiável.
— Você não perde a oportunidade, né?
— Nem você, oportunista. — piscou e saiu de perto.
— Ô meninas, Rodrigo... fiquem à vontade. O freezer tá abastecido, as carnes assando... e conversa rolando solta. — Sorocaba disse pondo a mão no ombro do Rodrigo que assentiu e seguiu com as três para pegarem as bebidas.
— Bonitona hein, agora dá até pra entender o fascínio. Mulher gata da porra,  era ela a da noite lá que te deu uns foras? — Douglas perguntou rindo, apontando.
— É, mas que eu beijei mais três vezes depois daquilo. — respondi a zoação me gabando.
— Beijo roubado não vale. — Marquinhos disse mais alto e ela olhou pra trás arrumando uma mecha de seu cabelo, pisquei e ela riu. — Ih cara. Vai ficar secando mesmo? Deixa pros amigos aqui, uma vez de cada irmão.
— Irmão o caralho. Aquela ali é minha, minha pra eu fazer o que quiser com ela.
— Aposto cinquenta conto que você não pega ela. — Douglas disse pegando a carteira na mão.
— Eu dobro. — Zor bateu com mais uma nota na mesa.
— Dobro de novo, mas acho que ele pega. — Sorocaba concordou dando um tapinha nas minhas costas.
—  Caralho, duzentos já? Mais cinquenta e o boi não pega ela, de jeito nenhum. — Marquinhos colocou mais dinheiro na roba, joguei uma nota de cem e "parti" pro ataque.
— Seus viados, vocês vão ver só. — mudamos de assunto quando vimos que Rodrigo se aproximava, as três tinham entrado na casa.
— Estupidamente gelada. — disse rindo, o acompanhamos. — Viu quem eu trouxe? — ergueu a sobrancelha.
— Seria pecado não ver, fica trazendo bolo pra festa... assim não dá cara.
— Ela é linda né? — sorriu com carinho, da mesma forma que eu fazia quando mencionava a Bru.
— Ela é sim. — levantei para ir ao banheiro, quando sai escutei ela conversar com as amigas e fiquei de ouvidos em pé.
— "Amiga, ele é muito cheiroso, aff." "Ele é lindo, nossa... eu não perderia tempo, beijava aquela boca dele com gosto e não só a boca." — ri.
Resolvi aparecer com a desculpa de que queria água.
— Meninas.
— Oi. — responderam em coro.
— Não bebem?
— Não sou muito chegada, não. — disse Eloá, fazendo careta.
— E cêis duas? — me virei para elas.
— Só não bebo água.
— Nossa Jess, se controla amiga. Que vergonha. — a outra, acho que o nome era Brenda ou Bre... alguma coisa. — Assanhada.
— Querem caipirinha?
— Queremos. — Jessica respondeu pelas três, o que me fez rir. Caminhei até a geladeira e peguei o jarro, servi nos copos e entreguei a elas. — Nossa que delícia.
— Uma delícia mesmo. — respondi olhando para Eloá e mordendo o lábio.
— Não vai nem provar? Eu que fiz.
— Hm... não curto, sério mesmo.
— Só um pouquinho. — peguei o copo e levei até sua boca, ela ofegou e acabou bebericando um pouco. — Morreu?
— Não. — risos. — Está gostosa mesmo, mas não precisava me dar na boca como se eu fosse um bebê.
— Hmm bebezinha. — percebi seu olhar mortal para a amiga e segurei a risada.
— Você está muito linda, sabia?
— Obrigada. — olhou para o lado impaciente, sorri. — O que?
— Não vai falar nada?
— Você é narcisista demais, não precisa de mais um elogio.
— Além de tudo é sincera.
— Nunca menti pra você, palhaço.
— Mentir não, mas deu bolo que uma beleza.
— De novo esse assunto? — revirou os olhos, passei a mão pelos cabelos e ela continuou quieta me olhando. — Vou lá fora com as meninas. — disse enquanto saia, coloquei o copo em cima da bancada e respirei fundo, sentindo aquele cheiro maravilhoso do perfume dela. Ah Eloá, se você soubesse como eu sou louco pra te pegar de jeito não brincava com a minha imaginação.
— Encontrou sua amiguinha, né? Tudo o que você queria. — Ana chegou cruzando os braços, me encarando.
— Quero tudo dela, menos amizade.
— Não tem vergonha, não?
— Não. Deveria? — ergui a sobrancelha e ela não disse nada, e deu as costas indo para o banheiro.
— Pi, viu a Ana? — Bruna chegou perguntando.
— No banheiro.
— Ah tá... vai ficar aí é? — perguntou sugestiva, dei risada e voltei pro quintal com ela. — Hm... sua amiguinha já está na nossa mesa.
— Vou lá. — nem fiz cerimônias e já fui puxando uma cadeira e me sentando ao lado dela, que olhou sem entender e continuou falando com a Mikelly.
— Vocês estão juntos? — Mika perguntou e ela ficou toda sem graça, gaguejando para responder.
— Nã... nós não... eu e ele... mal nos conhecemos.
— Mas isso é fácil de responder, posso te mostrar a casa se quiser. O quarto de hóspedes é a melhor parte. — sussurrei as últimas palavras, bebendo mais da cerveja.
— Não cansa, não?
— Tem cansaço que vale a pena. — pisquei.
— Se toca.
— Quero tocar mesmo... em você e pra você.
— Nojento. — voltou a me ignorar.

Não fiquei o tempo inteiro na mesa delas, até porque só estavam as mulheres lá e eu estava cansado daquele papo calcinha e das caretas que a Carol estava fazendo, me olhando feio, encarando e eu fingindo que não estava nem vendo.

— Pegou, pegou? — Douglas perguntou rindo.
— Ainda não, ela sempre tá perto de alguém. — ria.
— Você que é mole, bundão. — Zor desdenhou.
— Luan já foi melhor, hoje em dia. — Dudu também entrou na pilha de me zoar.– Eu sou mais rápido hein.
— Claro que é. Sua mulher pensa em falar e você já está lá abanando o rabinho. — risos.
— O time dos casados é mais forte cara, vai por mim.
— Só caso se for com a Julinha ou a Alice hein.
— Eu te mato seu filha da puta, minha filha não.
— Agora ficou machão né seu Eduardo, mas a filha dos outros você pegava sem dó.
— Ainda pego, meu sogro nem sonha. — risos.

Pegamos mais bebidas e o rumo da conversa foi mudando, entrei pra ir ao banheiro mijar que eu estava mais que apertado e o banheiro de baixo estava ocupado. Subi as escadas e o do corredor também, mas dane-se vou esperar. Esperei, esperei e esperei e nada.  Estava quase xingando quando lembrei do quarto do Sorocaba e acabei usando o banheiro de lá rapidinho mesmo. Sai do banheiro e também do quarto, fechando a porta e escutei o barulho da maçaneta do outro banheiro, fiquei olhando, vendo a porta abrir e quando ela abriu totalmente para minha surpresa era ela. Ajeitou sua roupa e ia passando por mim direto quando segurei seu braço e puxei seu corpo pro meu.

— Tá fugindo de mim, é?
— Não. Eu queria fazer xixi  e o banheiro lá embaixo estava ocupado, louco. — tentou se soltar em vão, e ficou olhando. — Pode me soltar?
— Pra que pressa? Tá tão bom aqui.
— Se liga, né. A casa cheia de gente e você fic... — antes que ela começasse a falar como uma velha chata, lhe empurrei pra dentro do banheiro, seus olhos ficaram arregalados, não liguei.

Dei um selinho, passei a língua em seus lábios e juntei as duas mãos em sua cintura puxando-a para um beijo decente e de tirar qualquer fôlego. Ela não me bateu dessa vez, apenas segurou firme meus cabelos e dei mais intensidade a porra do beijo. Não se importou que eu peguei em sua bunda, puxei levemente os cabelos de sua nuca e dei uma mordida na sua boca. Ficamos uns bons minutos, sem compromisso e foi gostoso pra caralho.

— Porra.
— Tchau.
— Ei. Tá pensando que vai aonde?
— Minhas amigas sabem que eu só vim aí banheiro, tchau.
— Tão rápido assim?
— Não quero que imaginem coisas, tá cheio lá fora...
— Tá preocupada com isso? Ah, Eloá. Somos adultos, né?
— Tá, e daí?
— Ficamos mesmo, e vamos ficar de novo.
— Vamos? Acha que é assim... tchau, babaca. — segurei sua cintura e dei uma juntada nela, beijando seu pescoço e escutando sua risada pedindo pra eu parar.
— Só mais um beijo, sua boca é tão gostosa de beijar.
— Eu sei, mas me solta. Quero descer logo, antes que alguém pegue nós dois aqui e fique enchendo minha cabeça.
— Só se você me der mais um beijo.
— Nem dois. Desgruda garoto, larga.
— Não. –continuei lhe dando selinhos até que ela virou e nos beijamos outra vez, escorados na porta, sem nos preocupar com o tempo.
— Hm... chega. — cortou o beijo mesmo eu tentando continuar, acabei dando selinhos apenas. — Tá, tá acabou... — me empurrou totalmente ofegante, tô passando a mão na boca e limpando o batom.
— Gostosa.
— Babaca. — sussurrou. — Quem vai descer primeiro?
— Uai, pra que isso?
— Não quero ser vista com você.
— Ah, deixa de frescura. Quem é que vai te ver comigo? E se ver qual o problema? — ela revirou os olhos e ficou quieta, estava se recompondo. Soltou os cabelos prendendo-os novamente, jogou uma água no rosto e em seguida secou com uma toalha. — Vamos vai... — abri a porta e dei de cara com a Ana que estava prestes a bater. Ela olhou transtornada, abriu a boca pra falar umas três vezes e surtou.
— Você beijou ela? — apontou e a Eloá ficou toda sem graça. — Eu juro que não tô acreditando.
— Ana, calma.
— Calma? Não vem me pedir calma, quem você pensa que é pra me pedir alguma coisa?
— Ana, espera...
— Esperar o que? Você beijar essa vagabunda de novo? — Eloá ia retrucar, mas eu pedi que ficasse quieta. — Vai defender agora?
— Você é louca garota, precisa se tratar. E você seu idiota, por que não me disse que tinha namorada? — falou pra mim. — Babaca. — e desceu sem me dar tempo de dizer alguma coisa.
— Você estava ou não beijando ela?
— Estava, algum problema? Quer beijo também?
— Tá se achando o máximo né? Vai ter volta viu.
— Vai é? Nem sabia que era uma competição... quer brincar assim? Aguenta?
— Vai se foder seu troxa, vai com aquela ridícula.
— Ah como eu queria foder com ela viu, ah papai.
— Vocês se merecem, os dois não valem nada. Cachorro sem vergonha!
— Você tá brava demais, que foi hein?
— Me deixa em paz. — entrou no banheiro e fechou a porta. Eu dei risada, muita risada daquela cena ridícula e quando me recuperei desci e voltei para junto dos meninos e das princesas da casa, Julia e Alice.
— Já até sei. — Dudu falou rindo, Marquinhos foi na onde e o único que não estava entendendo nada era o Rodrigo. — Ah, cachorro.
— O tio não é cachorro, papai. — fui defendido por uma criança de dois anos, ri pegando-a no colo e enchendo de beijos.
— Ô Julinha, casa com o tio Luan?
— Qui é casar, papai?
— Uma coisa muito ruim e que você nunca vai fazer. Promete?
— Pometo papai. — risos.

— Eloá Andrade

Rodrigo quando juntava com a Jessica e a Brenna me apurrinhava o tempo inteiro e foi assim que fomos parar em uma social na casa do Sorocaba. Sim, o da dupla, Fernando e Sorocaba.
Eu fui imaginando que teriam famosos, mas sério, não sabia que Luan estaria lá e que ficaria dando em cima de mim o tempo todo. Não vou mentir, eu gostei dos nossos beijos, também segui os conselhos das minhas amigas e aproveitar. Só não sabia que aquele canalha tinha namorada e mais, ia me agarra no banheiro com ela ali na mesma social que ele. Aquela desequilibrada gritou comigo, co mi go! Desci achando é graça, a cara do Luan foi impagável.

— E aí, beijou? –Jess perguntou apoiando os cotovelos na mesa e a cabeça em suas mãos. —  Diz que sim, porque vocês demoraram muito.
— Verdade, tenho que concordar que é um desperdício você não ficar com ele.
— Aí meninas, beijei e beijei muito. — comecei a contar para elas e levantei para ir buscar uma água quando esbarrei com uma outra pessoa e nem tive tempo de falar nada, eu só gritei ao sentir o líquido gelado escorrer pelo meu corpo ou melhor dizendo, meu decote. — Olha o que você fez, sua louca!
— Nossa, foi sem querer. Me desculpa. — olhei e o copo estava vazio, e ela sorrindo.
— Desculpa uma ova, sua...
— Não posso fazer nada se você não olha por onde anda, mas desculpa viu.
— Você tem problemas né? Olha minha roupa! — falei alto, minha roupa molhou a frente todinha com uma bebida roxa que com certeza deixaria manchas. Olhei e a tal da Ana tinha o sorriso mais cínico e dissimulado, que raiva.
— Quer ajuda pra tirar, Lô? — Jess perguntou.
— A gente pode tentar dar um jeito, sei lá. — Brenna comentou.
— Não meninas, eu entro e rapidinho me ajeito. — falei dando as costas, entrei na casa e fui para o banheiro, mas a porta estava fechada, esperei até a porta abrir.
— O que aconteceu? — a irmã do Luan perguntou vendo meu estado.
— Sua amiga que é uma maluca, olha o que ela fez, como eu vou ficar desse jeito, toda molhada?
— A Ana fez isso? — assenti. — Deixa eu te ajudar, entra aqui. — entrei com ela e precisei ficar de sutiã na frente dela, não tive vergonha. — Acho que não tem mais jeito não, vai ficar manchado mesmo se lavar. Já venho. — e saiu. Dei uma olhada no espelho maior que tinha ao lado e meu shorts saia estava intacto, talvez por ser um pouco mais escuro. Meu sutiã estava úmido, mas era pouca coisa e a blusa eu tive vontade de esfregar na cara daquela infeliz. Vaca!

— Eloá? — escutei batidas na porta e abri. — Experimenta essa aqui, estava na minha mala.
— Será que serve? — a blusa era um body, body que eu não conseguiria usar com um sutiã. Tive que tirar tudo, ficando só de calcinha, vesti o body, meu shorts e estava pronta de novo.
— Uau, que mulherão. Não é a toa que meu irmão fica babando. — falou tão espontânea que eu nem rebati, dei um sorrisinho sem graça.
— Obrigada, viu. Depois eu te devolvo.
— Sem pressa, relaxa. Me desculpa por isso tá?
— Você não tem culpa de ter uma cunhada louca. — dei de ombros, Bruna começou a rir e eu sem entender. — O que?
— Ela não é minha cunhada, não. Ela é minha amiga, fica com o meu irmão as vezes. Bateu o ciúmes.
— Louca. Com todo respeito. — risos.
— Vamos voltar lá pra fora?
— Sim, deu até sede.

Retornamos e nossa mesa estava cheia outra vez, minhas amigas ficaram de boca aberta quando viram meu novo look e eu e a Bruna demos risada, sentindo os olhos da fulana me queimarem. Rodrigo viu de longe e ficou franzindo a testa, não demorou muito e veio até nós, sentou à mesa e engatou num papo com a mulher dos meninos que eu não lembrava o nome direito.

— Mãe, tô com fome.
— Mãe? — o garotinho deveria ter uns seis ou sete anos, ela riu do meu espanto. — Sério que você é mãe dele?
— E da Julia.
— Nossa, mas você é tão nova, não pensei que tivesse filhos.
— Os tive cedo, eu acho. — risos. — Felipe é meu homenzinho, tem cinco anos. E a Ju é a caçulinha, com dois aninhos.
— Ele é grandão, né?
— Tinha que ver quando nasceu. — descobri depois de bons minutos de conversa que ela era casada com o Eduardo Borges, do Studio VIP. E que ela falava pra caramba também e que logo estávamos todas na roda, falando do lado maternal da vida, relacionamentos e muito mais coisas.

As horas passaram mais um pouco e os rapazes improvisaram um espaço para tocar um violão e cantar umas músicas, nos juntamos à eles e pude sentir o clima gostoso e descontraído. Ali não eram artistas famosos, sendo tietados e tudo mais. Eram apenas pessoas comuns que tinham um amor imenso pela música, aproveitei demais, sério mesmo. E não pude deixar de filmar quando Rodrigo e Luan estavam cantando juntos, o Rô olhava pra mim, sorrindo e piscando. Meu amorzão!

— Então você que é a Eloá? — virei para o casal que estava ao meu lado. — Prazer, Eloísa.
— E Douglas. — ele beijou meu rosto. — Você é bonitona mesmo hein.
— Amor, para com isso. Ela tá vermelha já! — Eloísa riu.
— Com todo respeito, minha namorada é mais. — risos.
— Você é namorada do Marim?
— Por que todo mundo acha isso?
— Sei lá, por quê só vemos ele com você e você com ele nas fotos? Nos vídeos? Viagens...
— Somos muito amigos, melhores amigos. — sorri para ele que me olhava curioso, querendo saber do que eu falava. — Crescemos "juntos". É só amizade mesmo.
— Queria eu, um amigo desses. — Jess disse alto nos arrancando risadas.– Bonito, rico, simpático, todo homão. Nossa senhora! — e outra vez mudamos o foco na conversa e olha que foi bem melhor assim, pelo menos não tinham mais a louca da Ana Carolina por perto, nem mesmo Luan voltou a se aproximar muito, e conheci mais de seus amigos, Douglas, Eloísa e o tal do Marquinhos que era o mais palhaço e deixou minha amiga, jéssica, suspirando cada vez que ele falava.


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Voltamoooooos! Hahaha 💚
Beijos, birras e social! Tudo que é bom, em apenas um capítulo. Hahaha
O que estão achando dessa turma?
E sobre essa atitude da Ana? Sei não, em!?
Obrigada pelos comentários no capítulos anterior, continuem assim.
Comentem bastante e um beijo do trio aqui! 💚😘