— Bruna Santana
Quando o Luan finalmente decidiu ir embora, já se passava das quatro e quinze da manhã e a maioria das pessoas já tinham ido embora, incluindo o Rodrigo, a Eloá e as meninas amigas dela. Desde a confusão Ana se manteve calada e sequer me encarava, sabia que eu estava chateada com a atitude infantil e ridícula dela.
Nos despedimos de todos e agradecemos ao Sorocaba pela hospitalidade de sempre e seguimos para a frente da casa, onde o carro estava estacionado. O Roberval foi o primeiro a entrar, em seguida o Luan no banco do carona e eu e as meninas fomos no banco de trás.
Como era madrugada o trânsito ainda não estava caótico, então não demoramos muito para chegarmos ao hotel. Roberval ajudou Luan a ir para o quarto dele, já que o mesmo tinha bebido um pouco mais e sempre se enrolava com o cartão. Eu fui para o quarto que estava dividindo com a Ana e assim que entramos ela já foi logo tirando os saltos. Fiz o mesmo, ficando descalça e prendendo meus cabelos em um coque frouxo no alto da cabeça logo em seguida. Tirei todos os acessórios que estava usando e já guardei na minha malinha de mão, peguei meu pijama e fui direto para o banheiro. Tomei um banho rápido e sai já vestida com o pijama, pronta para deitar e dormir, uma vez que mais tarde eu voltaria para casa e Luan seguiria com a agenda de shows dele.
Ana foi tomar banho e eu fiquei deitada, mexendo no celular, abri o Instagram e vi algumas fotos que alguns fã-clubes haviam postado da social, provavelmente quem estava lá na social deve ter postado. Segui o Rodrigo que estava marcado em uma das fotos e também a Eloá, ela era gente boa e eu havia gostado dela. Meu celular avisou que a bateria estava em 10% e mesmo com preguiça me levantei, indo buscar o carregador na mala e voltando para a cama outra vez. Coloquei meu celular para carregar e estava distraída respondendo às conversas no WhatsApp quando minha amiga resolveu quebrar o silêncio.
— O que aconteceu? — ela perguntou.
— Não sei do que você está falando. — dei de ombros, enquanto respondia a mensagem da Mary.
— Ah Bruna, fala sério né. — ela bufou, impaciente.
— O que você quer, Ana Carolina? — perguntei, finalmente largando o celular de lado e a encarando.
— Quero saber que bicho te mordeu para você ter ficado toda estranha comigo. Mal trocamos uma palavra na festa e desde que chegamos você sequer me olhou.
— Jura que não sabe? — fui irônica e ela revirou os olhos, impaciente.
— Não, não sei.
— Eu vi o que você fez com aquela menina, a Eloá. Sujou a roupa da menina toda! — falei realmente brava. Ela havia feito por maldade e isso era o cúmulo.
— Foi sem querer, amiga. — ela falou, fazendo pouco caso.
— Não foi, Ana. Eu vi! — falei exasperada. — Não vem mentir na minha cara, não. Você fez por maldade! — resmunguei.
— Não sei o porquê dessa revolta toda, nem sujou muito e você também nem conhece a menina.
— Não importa, amiga. Você sujou a roupa dela, já imaginou se não tivesse ninguém para emprestar uma roupa pra ela lá? — indaguei. — A sorte é que eu tinha body na bolsa. — falei.
— Foi você quem emprestou roupa para ela? Eu não acredito nisso, Bruna! Que tipo de amiga é você? — ela perguntou indignada.
Bufei, começando a perder a paciência.
— O tipo que te repreende quando vê que você fez algo idiota. Poxa, a garota nunca te fez nada, tava lá de boa curtindo com os amigos e você me apronta uma dessas. A sua sorte é que o Sorocaba não viu, porque senão ele tinha te chamado na grande na frente de todo mundo mesmo, pouco se importando com quem iria ouvir. — falei brava.
— Ela tava agarrada com o seu irmão no banheiro, eu vi! — ela tentou se justificar.
— E você não acha que deveria tirar satisfação e descontar a sua frustração nele, não? A garota chegou agora, não sabe do rolo de vocês, logo não tem culpa alguma. A culpa é dele, aliás... A culpa não é de ninguém, porque ele é livre e você também. — falei, sem mais nenhum pingo de paciência.
— Também não precisa ser grossa. — ela resmungou e eu me senti um pouco culpada por ter sido grosseira, mas ela me tirou do sério.
— Me desculpa, mas foi necessário. Você só entende o que quer! — resmunguei.
Ela não falou mais nada, apenas caminhou até a outra cama e se deitou. Me ajeitei sobre a minha e puxei o edredom, me cobrindo. Ainda fiquei alguns minutos pensando em nada e em tudo ao mesmo tempo, antes de adormecer.
No dia seguinte viajei eram umas oito horas da manhã, me despedi do Pi no aeroporto e segui rumo a Londrina com a Ana, que estava mais emburrada que ontem. Assim que chegamos, ela resolveu ir para casa e eu não fiz nenhuma objeção. Almocei com meus pais e depois de conversarmos um pouco, fui pra piscina, já que fazia um sol maravilhoso. Me surpreendi quando recebi uma direct da Eloá, agradecendo pela a ajuda na festa e avisando que devolveria meu body da próxima vez que me visse ou então mandaria pelo Rodrigo, para que ele entregasse ao Luan. Respondi que não tinha pressa e batemos um papo curto, mas bem legal. Vi também que ela havia me seguido de volta, assim como gostoso do Rodrigo, amigo dela. Que homem é aquele, meu Deus?!
— Luan Rafael
Me despedi de Bruna no aeroporto, já Aninha nem sequer olhou para mim, nem dei importância também. Elas voltaram para Londrina e eu segui para Minas, tinha show em Belo Horizonte hoje. Chegamos lá por volta de uma da tarde, almoçamos no restaurante do hotel mesmo e depois a galera resolveu ir para a piscina, já eu preferi subir. Tomei um banho demorado e lavei meu cabelo, me sequei e saí vestido num roupão, tirei o excesso da água do meu cabelo com uma toalha e deixei que secasse naturalmente. Me joguei na cama, regulei a temperatura do ar e liguei a tevê.
Liguei lá embaixo e pedi uma sobremesa gostosa, já que não tinha pedido quando almocei. Coloquei meu celular para carregar e me deitei outra vez, acessei a netflix pela televisão e selecionei minha série favorita, dei play no primeiro episódio da nova temporada e me acomodei melhor na cama, ajeitando os travesseiros atrás de mim. The Walking Dead, a melhor série que existe! O episódio começou e eu me concentrei, pausei a mesma apenas quando a minha sobremesa chegou. Agradeci a moça, que por sinal era bem gostosa, e voltei para dentro, me jogando na cama outra vez. Assisti o resto do episódio enquanto comia meu mousse de chocolate.
Já passava das cinco da tarde e eu estava num tédio de dar dó, ninguém interessante estava online para conversar pelo whats, nem mesmo minha irmã ou alguém da galera. Mandei uma mensagem para a Eloá, mas depois de esperar dez minutos e ela não responder, desisti. Mais tarde tomei outro banho e me arrumei para o show, que foi maravilhoso. Incrível como sempre, cheio de energia positiva, muito amor e uma segunda voz espetacular feita pela a multidão que lotava aquela casa de show.
[...]
Aterrissamos em Recife ainda era de madrugada e fazia frio. Antes de descermos coloquei uma touca, meus óculos escuros e ajeitei a blusa, descendo com o celular na mão.
— Direto pro hotel, né boi? –Rober perguntou e eu assenti.– Não vai atender ninguém, é?
— Cara, são 3 e pouco da madrugada. Acha que vai ter alguém esperando?
— Ah, vai saber. –riu.
— Vamo aí vai, tá tarde. Tô com fome.
— Eu falei pra você jantar no camarim.
— Não sou de negar comida, mas aquilo tava horrível cara. –falei rindo. Saímos pela sala de desembarque e três meninas vieram na minha direção, com cartas, pelúcias e celulares já filmando. Atendi tranquilamente, abracei apertado cada uma delas, tirei foto e seguimos para a van sob olhares curiosos, tímidos... nos acomodamos e minutos depois estávamos descendo pela rampa de estacionamento do hotel.
— Ah! Chegamos. –Rober comemorou depois de pegar os cartões dos quartos e entrar no elevador.– Não sei vocês, mas amanhã eu não acordo antes da uma da tarde. –Wellington e eu demos risada.
— Lêzinha já mandou mensagem falando que chega aqui pela manhã, esqueceu é?
— Quem tem entrevista cedo é você bonitão, eu não.
— E você vai levantar cedo junto comigo, ou seja, se fodeu troxa. –ele fez careta e foi o primeiro a descer quando as portas se abriram.– Qual é o meu quarto?
— 206.
— Ótimo, pode passar a chave pra cá.
— Não perde hein, você é mestre em fazer isso.
— Deixa comigo cara, boa noite procêis. –disse pegando o cartão com ele, e passando na porta para abrir e eu conseguir entrar.
Estava tarde, no frigobar tinham algumas coisinhas, mas eu tava com fome de comida. Liguei na recepção e pedi um lanche com um suco de goiaba e enquanto teria que esperar aproveitei para ficar mais a vontade. Tirei os sapatos, a blusa de frio e minha camisa. Deitei e fiquei no celular, curtindo as fotos e vídeos do show da noite anterior, momentos com as fãs na minha chegada e saída. Bateram na porta e do jeito que estava fui atender, uma camareira muito bonita, ficou me olhando sem jeito.– Boa noite moça.
— B-boa noite, é... meu deus, até esqueci o que eu ia falar... eu... nossa.
— Calma muié, devagar. –ela colocou as duas mãos no peito e ficou resmungando alguma coisa baixinho, achei até engraçado e ri.
— Minha filha não vai acreditar que eu vi você e assim. Eu posso tirar uma foto sua?
— Pode claro, vem cá. –deixei o carrinho mais pro lado, abracei-a e tiramos uma selfie. Ela contou brevemente que tinha uma filha que se dizia minha fã, tanto que iria no show do dia seguinte. Agradeci pelo carinho, também pela comida e entrei fechando a porta atrás de mim.
Comi e de estômago cheio bateu o sono, nem escovei os dentes, coloquei as coisas de lá, tirei a calça e deitei debaixo do edredom.
A sensação que eu tive era que havia dormido por minutos, tendo meu sono interrompido por algum infeliz que não parava de ligar na merda do celular.
— Hm... –atendi.
— Luan, bom dia. É a Arleyde, tudo bem? –cocei os olhos, me obrigando a despertar.
— Não tá muito não, cê me acordou.
— O Rober me falou mesmo que chegaram aqui em Recife de madrugada, eu imagino o cansaço.
— É, tô vendo.
— Não fica bicudo feito uma criança mimada. Sabe como são os festivais, sempre arrumam uma entrevista pra algum site ou canal local, rádios locais também.
— Aham.
— Tô chegando tá? Saindo da sala de embarque, te encontro em alguns minutos.
— Aham.
— Luan, você está deitado ainda é? Já falei pro Rober ir adiantando as coisas aí, pedindo seu café.
— Tá. –bocejei cheio de preguiça, ela riu.
— Até daqui a pouco, quero você de banho tomado tá? Beijos.
— Beijo, tchau Arleyde. –e desliguei, tentei ver as horas, mas estava tudo embaçado, virei pro outro lado e dormi outra vez.
Acordei pela segunda vez com batidas na porta, junto do celular que estava tocando, levantei do jeito que estava e abri a porta.
— Ai meu deus, vai pra dentro menino. –me empurrou de volta e bateu a porta.
— Tava dormindo é?
— Tentando. –bocejei me jogando de costas na cama outra vez, cobrindo os olhos com o braço.
— Pois trate de levantar e vestir uma roupa. Tô cansada de te ver pelado, anda.
— Tô tentando te seduzir. –ela deu risada.– Tá funcionando não?
— Não enquanto suas pernas parecerem dois palmitos de tão brancas.
— Poxa Lelê.
— Eu sei que você está cansado, mas temos compromisso. Bora levantar, ligeiro.
— Podia ter marcado isso pra mais tarde, não acha não?
— Eu tentei, juro. Mas não deu. Por que você acha que sugeri que viessem direto do show de ontem? Hein?
— Pra me encher de base e corretivo de tanta olheiras. –disse virando de barriga para baixo, estava de olhos fechados, só escutando seus saltos baterem no piso de um lado pro outro, fuçando até nas minhas malas.
— Pronto, sua roupa tá aqui. Seu café está chegando em cinco minutos. Você tem meia hora pra tomar um banho e dar um jeito nesse cabelo.
— Tá brincando, né?
— Não e anda logo... alô?... Sim, é ela... Oi... quase prontos... isso mesmo, quarto 206... tá... entendi.
— O que? Vai ser aqui? –perguntei e ela levantou a mão pedindo para que eu esperasse, andou mais um pouco pelo quarto e desligou.
— Daqui uma hora eles chegam, tá? Não vai ser gravada aqui a entrevista, mas eles vem aqui antes para te maquiar, ver microfone e essas coisas. É bem simples, coisa de duas horas e meia no máximo... vai falar bastante sobre a sua participação no festival e entram assuntos como a sua turnê, agenda de shows e eles sempre... sempre perguntam sobre a sua vida pessoal. Se está namorando ou se tal notícia é verídica. É muito chato eu ficar "não responde isso ou aquilo", mas tenta sair do assunto sem dar muito na cara. –Lelê me instruía do jeitinho dela, dando uns toques. Enquanto ela falava eu fui para o banheiro, deixando a porta aberta e respondendo suas perguntas.– Ah e é muito importante você não dar muitos detalhes do seu próximo disco, senão eu te mato hein.
— Minha nossa senhora, cê não disse que era uma entrevista rápida?
— Eles não são bestas, conheço bem.
— Eu sei meu amorzinho, fica tranquila.
— Eu estou. Confio em você, mesmo você não tendo juízo a maioria das vezes.
— Não vejo a cara das baladas faz mais de uma semana.
— Mas fotos suas entrando na van de mãos dadas, né?
— Foi um deslize, não sou de ferro.
— Tô sabendo viu e tô de olho tamém. Larga essas franciscas, Luan.
— São as melhores. –ri.
— Não sei mais o que eu faço com você.
— Deixa eu viver muié, a vida é muito curta pra ficar pensando demais.
— Sei. Anda logo com esse banho, seu café já chegou. –joguei uma água rápida no corpo, nem molhei os cabelos pra não ter que ficar secando depois. Desliguei o chuveiro e sai enrolado na toalha, dona Arleyde estava sentada à mesa, comendo.
— Bonito hein...
— Cheguei cheia de fome, você não tem ideia. Não jantei ontem.
— Tá parecendo eu, fui comer a hora em que chegamos aqui. E gostoso viu Lelê, comida daqui é ótima.
— Avaliar na hora de muita fome não vale. –risos.
— Cê que pensa. –vesti minha cueca, calça e camiseta deixando as meias e tênis para depois e me sentei a mesa para comer com a Lêzinha.– Cadê o testa? O negão?
— Terminando de se arrumar, né. Roberval fala de você, mas não sai se não estiver arrumado.
— Que ele é pior que mulher pra se arrumar todo mundo sabe e eu nem demoro tanto. Demorava bem mais quando passava gel, Dagmar ficava doida mulher.
— Agora você puxa na escova. Ou seja, eu preferia o gel.
— Assim eu tô mais gato pra você poxa. Mais cara de homem, viu como ficou minha barba? –disse passando a mão e ela tentando achar a diferença.– Ô mulher, aqui oh. Sente só a maciez.
— Tô vendo mesmo, tá se arrumando tanto pra quê? Hein?
— Pros amores da minha vida. –ri.
— Galanteador barato, você. Meu deus, menino. Termina de comer vai.
Arleyde era uma mãezona pra mim, cuidava de muitas coisas dentro e fora da estrada. Dava mais broncas que o necessário, mas eu sempre soube que é cuidado, amor por essa pessoa maravilhosa chamada eu.
Terminamos de tomar café, ela foi escovar os dentes e eu também. Fiquei dançando atrás dela e fazendo caretas em frente ao espelho.
— Luan Rafael, chega. Temos pouco tempo, se ajeita. E por favor, não dê em cima da repórter.
— Eu não faço essas coisas, Lelê. O testa é testemunha.
— Outro safado que te encobre, Deus me livre.
— Jamais.
— Deixa de assunto, vai. Vai fazer o que nesse cabelo?
— Touca. Porque só vou arrumar mesmo pra hora do show.
— Ótimo. Gosto disso, agilidade. –riu me dando um tapinha no ombro e saindo do banheiro.
Escovei os dentes, enxaguei a boca e sai. Vesti as meias, calcei o tênis e coloquei a touca. Estava pronto para o primeiro compromisso do dia.
A repórter que estaria me entrevistando não era muito bonita de rosto não, mas naquela roupa estava um filé, gostosa pra caramba com uns peitos enormes e querendo pular da blusa. Tentei não olhar e foi uma tarefa muito difícil. Depois de finalizarmos tudo, desligamos os microfones e eu pude trocar algumas palavras com ela e acabei convidando-a para estar no meu camarim mais tarde, estava na seca né.
— Menino, juízo te falta. Onde já se viu.
— Todo mundo olhou que eu sei. –nem ela aguentou e deu risada.– Tá vendo...
— E estava cochichando o que com ela ali no cantinho?
— Perguntei se ela não queria ficar e passar o dia comigo no quarto.
— Nos seus sonhos, engraçadinho. Vamos descer, seu quarto está livre de toda e qualquer aparelhagem.
— Não tenho mais nada agora é?
— Tem sim, a passagem de som. Mas estamos adiantados até... bora?
— Bora que eu quero voltar, almoçar e dormir. –risos.
— Gordo do caralho, só pensa em comer porra.
— Eu como e fico gostoso. Você come e aumenta essa testa gigantesca.
— Haha. Que graça. –mandei um beijo pra ele e entramos no elevador.– Toma.
— Valeu. –disse pegando o celular.– Olha só... dona Bruna seguindo a Eloá.
— Tá stalkeando a menina de novo?
— Estão me marcando nos prints, de uma seguindo a outra e dos snaps feitos na casa do Sorocaba.
— Qual a novidade?
— Segundo fontes "seguras", Eloá e eu estamos mantendo um namoro as escondidas. –ri.
— Tá aí uma coisa que eu não reclamaria, chefe. –Well disse pensativo.– Ela é muito bonita.
— Ela é gostosa, pra caralho. Nossa... –mordi os lábios pensando nos nossos beijos.
— É muito homem falando besteira pra uma Arleyde só, não aguento. –caímos os três na risada, trocando o rumo da conversa.
Finalizada a passagem de som retornei ao hotel e fiz aquele treino, almocei e sumi para descansar um pouco antes do show.
(...)
Tudo pronto, atendi aos fãs que ganharam sorteios de rádios e outras duas promoções no Facebook. E agora estava me preparando para subir no palco.
— Licença, tô entrando. –olhei para a porta e Israel Novaes estava entrando, cumprimentando a Lê com beijinhos no rosto, meu segurança com um aperto de mão e um abraço de "macho" no maior cara da equipe.– Luan Santana. –brincou.
— Fala, Novaes. –nos abraçamos.– Tranquilo?
— Opa, demais... nem sabia que você estaria aqui. Difícil a gente se encontrar por conta das agendas... –e começamos a conversar, tínhamos tempo pra isso. Israel era um dos amigos que ganhei por essa estrada a fora, gente boa pra caramba e que tinha um talento incrível.– Esse ano só fera. –risos.
— Vi alguns nomes só, uns já até foram embora.
— Cheguei agorinha aqui. Estava atendendo uma galera no camarim e agora que sobrou um tempinho pra cumprimentar os amigos, né.
— Camarim cheio em rapaz, olha só. –escutei uma voz conhecida, como estava de costas olhei pelo espelho tentando saber quem era que estava abraçando tempo demais minha assessora. Arleyde soltou dele toda cheia de sorrisos, cruzei os braços e não demorou para eu reconhecer a pessoa.
— Grande Rodrigo Marim. –brincou Israel.
— Lá vem. –risos.– Tudo bom, cara? –nos cumprimentamos.
— Estaria bem melhor se sua amiga tivesse vindo junto. –"
" pensei comigo, prestando a atenção.
— Quem a Lolô? –"
" franzi a testa, ainda quieto.
— A produtora cara, não sabia que era sua amiga não. Se soubesse hein... –riam.
— Não deu pra ela vir, até tentei trazer. Mas ela trabalha final de semana, não tem jeito.
— Saudades dela viu. –comentou num tom sugestivo, sugestivo, mas sacana.
— Nunca nem viu ela. –Rodrigo brincou.
— Não só vi, como fiquei. Na verdade não resisti. –disse sorrindo, com carinho.– Ela é um mulherão cara, mas o jeitinho é de menininha. Beija como ninguém, nossa. –Israel começou elogiar demais a Eloá, contar como o beijo tinha acontecido e eu escutando sem fazer expressões, até concordei quando ele voltou a dizer que ela era muito bonita e que deveria ter ido para o festival que assim eles matariam a saudade e tive vontade de revirar os olhos.
— Ela fez bem em ficar, muito gavião solto. –Rodrigo disse enciumado.– Minha irmãzinha está segura em casa, né Luan.
— Concordo. –ri, nervoso.
— Conheceu ela também, irmão? É linda demais, nossa senhora.
— Eu sei, falo isso pra ela todos os dias.
— Ah, Rodrigo. Sem ciúmes, parceiro. Seremos cunhados. –riu.– Ela é solteira, né? Posso investir?
— Você não tava namorando? Vi isso em algum lugar, não lembro onde.
— Conversa, me arrumaram até um filho essa semana já... –mudamos de assunto e eu mentalmente agradeci, não demorou para que eles se despedissem e eu voltasse a me preparar. Louco de raiva. Então comigo ela fez o maior doce e com o Israel não fez nem questão? Pilantra.
— Relaxa cara, tá todo tenso. –He-man me tirou do devaneio.
— Tá nervosinho, tá? –Rober zombou.– Qual a sensação de ter pego a baba dele?
— Vai se foder, Roberval. –disse sem nenhum humor.
— Verdade seja dita, né. Você precisou roubar beijos, e o cara é tão foda que só jogou uma conversa e pá... pegou. –riu.– Aceita, boi. Essa você vacilou.
— Cala a boca vai, Roberval. –falei voltando aos alongamentos.
— Chefe tá bravo. –Well ria.
— Amigos compartilham coisas, pô. –He-man zombava.
— Compartilham o caralho. E deu de assunto. –Arleyde saiu do banheiro dizendo que eu entraria em quinze minutos, nos reunimos para a oração e seguimos para o palco.
Recorde de público, muitos cartazes, sorrisos e faixas na cabeça. Todos cantando juntos minhas músicas transmitia uma imensa alegria, emoção. Foi demais estar ali naquela cidade, mesmo sabendo que nem todos estavam ali para me ver. Ao me despedir do público desci para o camarim, troquei de roupa e fomos para o camarote, onde voltei a encontrar Rodrigo.
— Que show em cara, parabéns. –nos abraçamos.
— Obrigada, você também vai quebrar tudo que eu sei.
— A gente tenta, né. –risos.
— Cadê a namorada? –brinquei.
— Eu que te pergunto, vive cercando minha amiga.
— Eu? Não cara, que isso.
— Não precisa me enrolar não, eu vi sua cara quando o Israel começou a falar dela.
— Nunca ia imaginar que ele e ela... ficaram. –comentei realmente incomodado, Rodrigo deu risada e foi mudando de assunto. Pedimos uma bebida e ficamos próximos durante o show do Novaes, nas últimas músicas ele se despediu e desceu para se preparar e subir no palco.
— É o último show né?
— Sim minha gatinha, vem cá assistir agarradinha comigo. Vem... –ela riu e ficou ao meu lado, abracei sua cintura e deixei ela na minha frente, como casal.
— Sou casada, viu.
— De mim ele não tem ciúmes. –pisquei.
— Não mesmo, você tem idade pra ser meu filho quase.
— Ah, mas não sou viu Lêzinha. –beijei seu rosto e ficamos assim, em família aproveitando o último show da noite antes de voltarmos para o hotel.
— Eloá Andrade
Fiquei louca da vida que não pude ir para o festival em Recife, mas por questões profissionais não pude. E o pior foi que o evento no sábado acabou muito cedo, por volta de 23h30/00h. Liguei para as meninas e perguntei se estavam afim de fazer alguma coisa, elas toparam. Marcamos de nos encontrar em uma pizzaria perto de casa e de lá iríamos para a casa da Bre para uma noite das meninas.
— O Rô acabou de mandar mensagem dizendo que está subindo no palco. Queria tanto estar lá. –falei toda bicuda e elas deram risada.
— Sabe quem está por lá hoje, né? –Brenna perguntou com um sorriso malicioso no rosto.
— Não, quem? –Jess e eu nos atentamos a ela.
— Luan Santana e Israel Novaes. Os dois amores de Eloá Andrade Mohamed.
— Idiota. –fiz careta.
— Miga, fala sério... você não pega cara feio, nossa.
— Não fico escolhendo. –rebati.
— Eles que te escolhem. –Jessica disse.– E vem certeiros, nossa. Quando você contou do Israel eu fiquei assim. –fez cara de espanto.
— E ele beija muito bem, tem uma pegada que eu vou te contar... –suspirei.– ...ficaria com ele outras vezes.
— Não teve vontade de ir pra cama? Porque se ele beija tão bem deve fazer outras coisas maravilhosamente bem também, com a boca principalmente.
— Nossa Brenna, você tem uma foguetisse que meu deus, se controla amiga.
— Ah, Lolô. Fala sério, daqui a pouco você chega nos vinte e cinco virgem. –Jess disse como se fosse um crime.– Você experimentar o bom da vida.
— A vida não é só sexo.
— Ainda acho que você está esperando o ex-boy. –Bre falou sorrindo.
— O Bruno está bem longe, nunca mais nos falamos.
— Sente saudades dele?
— Sinto, ele era minha companhia quando eu não estava com vocês, nem com a minha mãe. Mas não como namorado, eu acho.
— Ah, mas você fala isso agora amiga. Duvido muito que se ela chegar e falar vamos voltar... que você não volta.
— Não sei, não posso dizer que não, mas também não digo que sim. –risos.
Nossas pizzas chegaram junto com as bebidas, nos dirigimos ao caixa, pagamos e pedimos um táxi e fomos para a casa da Brenna. Chegando lá fomos deixando as coisas na sala mesmo, Jessica e eu fomos para a cozinha fazer o brigadeiro e beijinho e pegar os pratos. Quando voltamos para a sala Brenna tinha escolhido os filmes, pego as cobertas e travesseiros, nos acomodamos e mandamos ver.
— Gente, socorro!
— O que Jess? –fiquei olhando curiosa.
— Olha quem me seguiu no Instagram meu amor, olhem e babem. Esse homem me segue, socorro! –comecei a rir quando ela mostrou a foto do amigo do Luan, o mesmo que estava no dia do churrasco e da festa da produtora.
— O Marcos?
— Marquinhos, Eloá. Marquinhos. –me corrigiu voltando a sorrir. Ri, recebi uma nova notificação e quando olhei era um novo seguidor.
— Me seguiu também. –falei.
— Nossa, por que ninguém me segue? –Brenna cruzou os braços, nos fazendo rir.– Chateada.
— Porque sou eu quem ele ama. –dizia Jess convencida.
— Cala a boca, Jessica. –falamos juntas.
— Invejosas, recalcadas.
— Ridícula. –falamos juntas outra vez.
— Complô, é?
— Não! –nos olhamos rindo.– Vamos voltar pro filme, vai. –falei bloqueando a tela do celular.– Perdemos quase cinco minutos.
— Só voltar, meu bem. –Brenna disse pegando o controle. Assistimos mais dois filmes, e na metade do terceiro que era um filme de terror, meu celular começou a tocar.– Sua vaca! Olha o susto que você me deu.
— Deixa eu atender, sai. –peguei o celular em cima da mesinha de centro, e atendi.– Oi?
— É o Luan, tudo bem?
— Eu sei que é você. –ri.– Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu que eu tô com saudades.
— Você com saudades de mim? –ri.
— É uai, não pode não?
— É estranho, quase nunca nos falamos.
— Porque você não quer.
— Não é bem assim né. Mas... não foi pra isso que você ligou... –ele riu.
— Encontrei o Rodrigo aqui em Recife, ele deu uma passada no camarim mais cedo.
— Foi?
— Uhum... e eu me perguntei porque você não estava com ele.
— Ele me chamou pra este festival, mas tivemos um evento hoje e acabou não dando pra ir.
— Por isso ainda está acordada?
— Não exatamente, o evento acabou cedo. Não era nem meia noite. Aí vim para a casa de uma amiga.
— Amiga mesmo? –ele riu, mas eu revirei os olhos.
— É amiga, a Brenna que estava lá na casa do Sorocaba comigo.
— Não lembro quem é não. –riu.– Estão aprontando muito aí?
— Não. Estávamos vendo filme mesmo, comendo algumas bobagens... e você?
— Chegando no hotel... –escutei uma gritaria daquelas e afastei um pouco o celular, uns cinco minutos depois ele voltou rindo.– Lô?
— Apelido novo? –risos.
— Eloá fica formal demais... não acha?
— Sei lá... que gritaria era aquela?
— Tinha uma galera nos esperando aqui na frente do hotel, desci uns minutos.
— Ah tá... vai dormir agora?
— Que nada, ainda tá cedo. Tô indo comer.
— Essa hora?
— "Tá hospedado aqui também?" –escutei uma voz de fundo.– "No 206" "Pertinho, tô dois andares pra cima." "Vai subir agora?" "Vou é comer, desço do palco cheio de fome sempre." "Então bora." – fiquei esperando ele terminar o assunto e nada.– Lô?
— Oi.
— Nem sabe quem está aqui comigo.
— Não mesmo, quem está aí?
— Fala aqui com ele...
— Luan não, nem sei quem é que...
— Oi Lolô. – quis enfiar minha cabeça dentro de um buraco. – Ainda acordada é?
— Oi Rô, sim. Estou com as meninas... tá tudo bem?
— Não tá muito, não. Tá falando com ele, por quê?
— Porque ele me ligou, porque você deu o meu número pra ele.
— Que desculpa hein, Lolô. –riu.– Vou deixar vocês conversarem, mas oh... eu tô de olho.
— Se cuida, tchau.
— Voltei, Lô. — Luan disse rindo
— Engraçadinho você, né?
— É seu amigo, uai.
— Mesmo assim, agora ele vai ficar me enchendo.
— Dá nada. –risos.– Vai fazer o que essa semana?
— Estudar, trabalhar... essas coisas.
— Essa semana estou em São Paulo por uns dias. Aceita jantar comigo?
— Jantar? — repeti, surpresa.
— É, um jantar... – deixei ele na linha e corri para as minhas amigas.
— Ele está me convidando pra jantar. –falei rápido e elas me olharam sorrindo.–
— Aceita logo, anda... –Jess incentivou.
— Vai, minha filha. –Bre colocou mais pilha.
— Lô, se você não quiser tudo bem eu pos...
— Aceito sim, eu...
— Sério cara? Eu nem tô acreditando que... nossa... –ri.
— Só me avisa antes, pode ser? Aí a gente vê onde se encontra, tá?
— Claro que eu vou te buscar, só me falar onde.
— Veremos. –risos.– Boa refeição, tá?
— Tá me dispensando?
— Você precisa comer e eu ver o restante do filme.
— (risos) Trocado por um filme.
— Acostume-se, tchau, Luan.
— Tchau, Lô. Fica com Deus.
— Amém, fique com Ele também. –e desligamos.
— Ah, não! Conta tudo e conta agora.
Não tive como fugir, contei a elas desde a ligação depois do churrasco no Sorocaba até a ligação de hoje e o convite para o jantar. Nós, deixamos o filme de lado e passamos a fofocar até altas horas e fomos tratar de dormir quando o dia estava quase amanhecendo. Mas também, foi só deitar que cinco minutos depois estávamos dormindo.
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OOOOI! Estamos em falta com vocês e sabemos disso, mas é que não tá fácil essa vida de universitárias. hahahaha
Sobre o capítulo: O que acharam das desculpas da Ana? E do Convite do Luan para jantar com a Eloá? hahahah