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domingo, 16 de julho de 2017

Capítulo 22

— Luan Rafael


Nos sentamos e logo a mãe dela apareceu, arregalando os olhos quando me viu.


— Minha Nossa Senhora das dores! — ela falou assustada quando me viu, não contive o riso e nem Eloá, que riu bem ao meu lado. — Esse rapaz é igual aquele cantor famoso, Eloá! — ela falou visivelmente assustada.
Eu sorri de canto e Eloá passou as mãos pelo rosto.
— É ele, mãe. — ela falou simples.
Me levantei do sofá e caminhei até a mãe dela.
— Prazer, Luan! — sorri, estendendo-lhe a mão.
— Minha nossa senhora! — ela disse ainda assustada. — Prazer, Rosângela, meu filho! — ela disse ainda nervosa.
Eu ri, porque a cena era no mínimo cômica.
— Mãe, respira, pelo amor de Deus! — Eloá falou tranquila.
Rosângela fez o que a filha pediu e eu voltei a me sentar no sofá.
— Quer um café? Um suco? Uma água? — ela perguntou para mim. Estava visivelmente nervosa.
— Aceito um cafézinho! — sorri e ela assentiu.
— Como viraram… Amigos? — perguntou, estranhando.
Eu não a julgava, era no mínimo estranho acordar de madrugada e ver a filha conversando com um cantor famoso na sala de sua casa.
Se a situação fosse ao contrário, minha mãe estaria louca, sem dúvida alguma.
— Longa história. — Eloá deu de ombros.
— Tenho tempo. — a mãe dela falou firme. — Vou preparar o café e quando voltar, vocês me explicam direito essa situação. — ela falou meio perdida.


Rosângela saiu meio atordoada e entrou no corredor, indo em direção a cozinha. Eu estava nervoso, muito mesmo. Porra! Havíamos feito tudo aquilo e a mãe dela estava no quarto. Qual de nós dois é mais maluco? Ela, claro.


— Tadinha, ficou meio perdida. — ela riu.
— Você é louca, menina! — acusei-a e ela me encarou.
— O que? — se fez de desentendida.
— A gente na maior pegação aqui e a sua mãe em casa. — Falei nervoso. — Imagina só se ela desce e você tá com a mão no meu pau? — fiquei atordoado só de imaginar. Eloá tinha uma expressão no rosto que mesclava culpa e vergonha. Seu rosto estava completamente corado e o pescoço também.
— Desculpa, na hora eu...Eu...Eu esqueci. — ela falou atordoada, me senti um idiota por ter sido grosseiro.
Segurei em seu rosto e roubei um selinho rápido.


A mãe dela logo voltou, colocou uma pequena bandeja com duas xícaras de café, a garrafa com o mesmo e um açucareiro. Me servi sozinho e ela fez o mesmo.


— Não vai tomar? — perguntei, uma vez que Eloá nem se prontificou.
— Não gosto muito de café. — ela explicou.
— E então? — Rosângela falou, olhando de mim para a filha, que suspirou.
— Nós nos conhecemos há alguns meses, né? — falei, franzindo as sobrancelhas.
— É, mais ou menos isso. — ela concordou.
— E como se conheceram? Pela produtora? — sua mãe perguntou.
— Sim. — concordei, dando um sorriso.
— Lembra que eu cheguei em casa reclamado, falando mal do Luan? — Eloá perguntou e eu a encarei, surpreso pela confissão.
— Lembro sim. — Rosângela concordou.
— Então, foi quando nos conhecemos. — ela deu de ombros e a mãe assentiu. — Ele foi um grosso, gritou e me xingou, ainda exigiu que eu fosse demitida! — ela contou.
Arregalei os olhos, se acreditar que a filha da mãe havia contado isso. Tudo bem que realmente fiz isso, mas são águas passadas, certo?! Achei completamente desnecessário e quando a jovem senhora me olhou, senti vontade sair correndo. Fiquei realmente envergonhado e constrangido, não sabia o que dizer em minha defesa e nem como agir, por um segundo travei.
— E então ele se desculpou e agora são amigos? — ela perguntou, aparentando estar mais confusa do que quando me encontrou aqui.
— É, mais ou menos. — Eloá riu, me fazendo reparar no som gostoso da sua risada. Sacudi a cabeça levemente, repreendendo esse último pensamento.
Eu nunca havia pedido desculpas por aquele fatídico dia, a verdade é que quando a tratei mal, foi porque descontei nela a frustração por ter tido problemas com a minha estrutura de palco e minha irritação só aumentou quando dei em cima dela, e a mesma me rejeitou. Nunca havia sido rejeitado antes, não assim e não por uma mulher tão bonita quanto ela.
— Eu estava estressado e acabei descontando nela, que não tinha nada a ver com os meus problemas. — suspirei, passando uma mão nervosamente pelo cabelo.
— Exatamente, eu não tinha nada a ver com seus problemas, logo não deveria ter ouvido metade das barbaridade que me disse. Você foi muito mal educado, prepotente e de longe o cara mais escroto com quem trabalhei. — ela despejou tudo o que não me disse naquela noite. Arregalei um pouco os olhos, porque não sabia que ela havia ficado tão irritada com tudo aquilo, se bem que eu também ficaria se a situação fosse ao contrário.
Suspirei outra vez, passando ambas as mãos por meu rosto.
— Filha, tadinho! — ouvi a voz de Rosângela e abri meus olhos, encarando-a.
— Como é? — Eloá a encarou.
— Ele estava estressado, não tinha tido um bom dia, acabou descontando por impulso na primeira pessoa que viu, que por acaso foi você. — ela lamentou e então colocou a mão em meu ombro direito, apertando-o de leve, como se me desse apoio.
Eloá nos olhou com indignação e então bufou.
— A senhora é inacreditável! — ela revirou os olhos e eu ri, deitando minha cabeça em seu ombros, mas ela me empurrou, enfezada.
— Sem estresse, minha linda. — beijei sua bochecha e sua mãe nos olhou desconfiada, me afastei um pouco para não dar tanto na vista a intimidade que tínhamos.


Já passava de quatro e meia da manhã quando fui embora, o táxi parou dentro da garagem do hotel, paguei ao motorista e desci, feliz da vida. Subi pelo elevador e assim que as portas se abriram dei de cara com Arleyde e Roberval.
— O que você em na cabeça, Luan Rafael? — minha assessora me olhou possessa.
Revirei os olhos e ri, porque hoje nem ela conseguiria tirar o sorriso idiota do meu rosto.
— Não vai me responder? Eu estou falando com você! — ela quase berrou, mas respirou fundo, se controlando.
Adentrei meu quarto, sendo seguido por ela e testa, conversamos por alguns minutos, ou melhor, levei sermão, e então ela foi para o seu quarto, Rober fez o mesmo e fiquei ali, perdido em pensamentos e lembranças recentes.


[...]


Voltando a rotina de shows e gravações por duas semanas direto, eu não soube o que era folga, o que era realmente descansar. Foram duas semanas de gravações para especiais de fim de ano, entrevistas que passariam no começo do ano seguinte e sem deixar a agenda de shows pelo Brasil de lado. Eu estava exausto, e confesso também que entre um compromisso e outro, em que tinha um espaço maior de tempo, procurava alguém para me aliviar, fiquei com fãs, outras que se diziam fãs e as que realmente me atraíam. Tá, foram rapidinhas... mas rapidinhas que não me satisfaziam, entre uma pegação forte e outra, eu ficava pensando na Eloá. Ah, ela sim sabe como deixar um homem na ponta dos pés sem esforço. Já saí com muitas mulheres e sei do que estou falando, ninguém chupa tão gostoso quanto ela. Aquele olhar quente e mais que sedutor, mãos macias e aparentemente tímidas, como se não soubesse o que fazer, uma boca sedenta emitindo sons que eu jamais me cansaria de ouvir. Pensei muito nela por esses dias, naquela boca na minha, seu corpo sobre o meu... eu a quero muito, quero matar logo meu desejo, a minha vontade de tê-la na cama e do jeito que eu bem entender.


— Tá sonhando aí é boi? — olhei para o testa, depois para o meu prato de comida e optei por um gole a mais de suco.
— Eu vou ficar louco, testudo. — recostei na cadeira.
— Só porque ela chupa bem? Sinal de que já fez isso em outros caras, adquiriu experiência, meu caro... não se iluda, talvez você não tenha sido o único. — falou rindo, zombando de mim.
— Ela não tem cara de quem fez isso outra vezes... tem? — perguntei confuso.
— Ninguém nasce mandando bem, as pessoas praticam, boi. E convenhamos que com aquela ali eu praticaria sorrindo, todos os dias.
— Deixa de ser filho da puta, tira o olho que ela é gostosa, mas é minha. — bufei.
— Ela tá solteira, nem sua nem de ninguém. — comentou sugestivo.
— Amigo da onça, você. Querendo mexer nas minhas gavetas. — semicerrei os olhos.
— Gavetas que muita gente já mexeu, Israel foi um deles. — gargalhou. — Adianta ficar nervosinho, não, meu amigo. Um puta de um mulherão daqueles... solteira, gostosa pra caralho... até eu cairia matando. — ele falou e eu revirei os olhos. E não foi uma só vez, estava cansado de escutar ele dizer o que eu já sabia. Ela era linda sim, curvas perfeitas, aqueles olhos que me deixavam confusos, verdes em algumas fotos, castanhos quando eu a via, sem contar no sorrisão bem aberto e convidativo a sorrir também. — Se eu não te conhecesse, meu amigo... diria que está apaixonado. — ele me encarou.
— Tá louco? Bebeu? — fiquei nervoso.
— Ah, ela pode ser diferente e você sabe disso. — ele falou simples. — Pode ser diferente de todas as que já se aproximaram de você por interesse, pode vir a existir algo de verdade. — ele falou seguro.
— No final são todas iguais. E não vem com esse papo, porque eu não tô apaixonado por ninguém, só estou… — as palavras me faltaram e eu respirei fundo.
— Pensando nela dia e noite. Tô quase pedindo pra ela pagar um boquete pra eu ver se a coisa é boa mesmo. — ele me provocou, porque sabia que eu ficava puto quando dizia essas coisas em relação a ela.
— Cala a boca, Roberval. — bufei.
— Ih, bateu o ciúmes foi? — ele riu, se divertindo as minhas custas.
— Ciúmes o caralho, porra. — falei estressado já.
— Se com a boca você tá assim, imagina se ela te dá umas chaves de coxas... você até pede em casamento… — ele gargalhou.
— Nessas horas a gente fala até que ama, cê sabe. — sorri de canto.
— Sei de nada não, tô de boa. — ele deu de ombros, tirando o corpo fora.
— Na seca. — ri.
— Cê não sabe. — ele piscou.
— Fala ai quem é... é mulher mesmo? — ri.
— Ô cara, tá me estranhando? Sou homem, com "H" maiúsculo.
— Sei bem, imagino meu amigo. –ri.


Voltei a comer e demos uma pausa no assunto mulheres, até porque a Arleyde se juntou a nós para falar do compromisso que teríamos após a pausa do almoço. Iríamos gravar uma vinheta de ano novo em uma rádio local da cidade em que estávamos e depois iríamos para casa, onde poderíamos nos preparar para curtir um Natal em família.


[...]


Aterrissamos em Londrina no mesmo dia, só que mais a noite. Segui para casa de táxi, cheguei e as luzes estavam até apagadas. Entrei e fui acendendo tudo no caminho até a cozinha, depois subi para o meu quarto onde me livrei da jaqueta que usava, os tênis e o boné.
— Mas menino, tá fazendo o que aqui hoje? Nem avisou que vinha. — assustei, olhando para a porta e encontrando minha mãe de camisola, roupão e pantufas. Com um coque no cabelo e a carinha de sono mais linda, como eu amo essa mulher.
— A senhora me assustou...— levei a mão ao peito.
— Eu que assustei, acordei com o barulho do táxi. — ela falou óbvia.
— Tava espiando pela janela, não é? — ri.
— Tenho que ficar de olho, né meu filho?! Mas chega de conversa e venha aqui, agora, me dar um abraço. — abriu os braços, toda linda.
Não esperei que ela pedisse uma segunda vez e já estava abraçando sua cintura e tirando-a do chão, apertando-a enquanto enchia seu rosto de beijos. Eu amava ser recebido assim, ainda mais por ela.
— Você tá muito gelado. — reclamou.
— Deve ser o sereno, mas não tô com frio não xumba. — garanti.
— Comeu antes de vir pra casa? — me encarou, como sempre fazia.
— Comi e não foi pouco viu?! — ri.
— Pensei que você viria só amanhã. — ela comentou.
— Queria dormir em casa. — ela sorriu e me deu um abraço, deitei em seu colo e ficamos falando de como tinham sido aquelas semanas de trabalho. — A senhora tá com sono?
— Pouquinho. — bocejou.
— Deita aqui comigo, xumba. — pedi, estava com saudades do carinho gostoso dela em meus cabelos.
— Cê se mexe demais. — ela fez uma careta engraçada, me fazendo rir.
— Vou ficar quietinho, prometo. — ela riu e se ajeitou na cama, e eu me ajeitei nela, deitei a cabeça em seu peito e abracei sua cintura, recebi aquele carinho gostoso e dormi.


Na manhã seguinte acordei com a Bruna pulando em cima de mim, me sacudindo até eu abrir os olhos e jogar ela pra fora da minha cama.


— Bom dia, Pi. — sorria. — Saudade que eu tava de você, meu branquelinho azedo e chato. — voltou a se deitar por cima de mim, apertando minhas bochechas, mesmo eu tentando afastar suas mãos de mim.
— Você é muito chata, irritante... já passou minha saudade de você. — menti.
— Você só diz isso da boca pra fora, porque na verdade você me ama. Ama até quando eu fico te perturbando. — ela riu.
— Que horas são? — perguntei, morrendo de sono.
— Nem dez da manhã, mas tá solzão lá fora... pensei da gente ficar na piscina.
— A gente quem? — indaguei de olhos fechados.
— Chamei a Mari e a Ana. — deu de ombros. — Tô esperando só elas responderem.
— Tá, eu vou...— resmunguei.
— Levanta essa bunda gorda daí e desce comigo, tô com fome e a mãe e o pai já saíram. — virei de costas para ela e cobri o rosto com o edredom. — Luan! — ela gritou.
— O que é, Bruna?— bufei.
— Eu quero curtir a folga do meu irmão, posso?
— Depois do meio dia a gente conversa. — falei, sabendo que a deixaria irritada.
— É assim, né? Tá bom. Vou descer. — levantou da cama toda bicuda, saiu batendo os pés e a minha porta. Dei risada, levantei e depois de calçar os chinelos, desci para a cozinha, onde sabia que ela estaria.
— Bubuzinha linda do irmão, faz biquinho não, coisa linda. — ri. — Já tô aqui.
— Para de me tratar como criança. — cruzou os braços.
— Dá um abraço, coisa chata, “tamém” tava com saudades de você. — ela veio toda desconfiada e pulou no meu colo, me abraçando apertado pelo pescoço e me enchendo de beijos. — Cê cresceu hein, uns dois centímetros pelo menos. — ri.
— Sem graça. — desceu, indo até o balcão outra vez. — Quer comer? — perguntou.
— Não, tô de boa. — dei de ombros.
— A mãe fez creme de abacate. — ela sorriu sugestiva.
— Acabei de acordar, escovei nem os dentes, Piroca. — deitei a cabeça na bancada.
— Credo, seu nojento. Luan! — ela reclamou, indignada.
— Quem ficou me enchendo pra descer foi você, vai me aguentar com bafo sim. — dei de ombros.
— Deus que me livre, bicho porco. — ela reclamou.
— Nunca nem de banho gostou e quer falar de mim? — ri.
— Para que eu era uma criança. — ela bufou.
— Uma criança porca, bem porca. Quase apanhava pra tomar banho, que eu sei. — continuei.
— Cuida da sua vida, cuida? — ela semicerrou os olhos.
— Da nossa, sempre. — ela me empurrou e foi para o outro lado, pegou o celular e ficou fuçando. — Tá falando com quem? Deixa eu ver. — tirei da mão dela e fiquei mexendo nas conversas do Whatsapp. — Hm... pede para ela trazer o rosinha, fica mais enfiado na bunda. Eu gosto. — me referi a mensagem que Ana tinha enviado para ela.
— Ai credo, me poupa né Luan.— ela revirou os olhos.
— Vem com o rosa, eu adoro, deixo até você se trocar no meu quarto. — mandei áudio.— Que porra é essa aqui? Rafael? — perguntei quando voltei a fuçar em suas conversas.
— Para, Luan. Devolve! — ela falou nervosa.
— Coraçãozinho? Meu amor? Ah não, o pai sabe disso? Quem é esse? — falei ainda mais nervoso que ela.
— Nós estamos nos conhecendo. — falou pegando o celular de volta e bloqueando a tela.
— Tem nada que conhecer não, não tá na idade. — falei o óbvio.
— Não posso ficar piranhando igual você né, aliás, não acha que tá na hora de arrumar uma namorada, não? — me desafiou, arqueando apenas uma sobrancelha.
— Não, não acho. — revirei os olhos.
— Eu quero ter sobrinhos logo.
— Problema seu, não acha? — bufei.
— Vi foto sua com a Eloá esses dias. — olhou com um sorriso todo malicioso, revirei os olhos de novo. — Tá namorando escondido? — perguntou animada e esperançosa.
— Para de ser louca, Bruna. Que namorando o quê. Ainda mais com essa menina. — desdenhei, porque fiquei nervoso.
— Ela é bonitona, gostei dela. Você poderia investir, eu estava olhando no insta e ela é solteira. — ela contou animada.
— Não viaja, Bruna. — cocei a nuca.
— Ih, já tá bravinho. Chamando de Bruna, Bruna isso, Bruna aquilo. — riu da minha cara de tédio.
— “Cêis” vê coisa ontem não tem. — bufei.
— "Cêis" quem? — ela me encarou, sorrindo.
— Roberval, aquele testudo é outro que passa o dia me enchendo.
— Por causa dela? Sinal de que só você não percebe... Não rolou nem um interesse? — perguntou.
— Não, nenhum. — menti descaradamente, porque eu tinha interesse, e muito.
— Você mente muito mal, eu te conheço, cabeção. — ela riu.
— Tô falando “procê” cara, eu tô tranquilo. — dei de ombros.
— Ainda bem, você na fossa ninguém merece. — ela debochou.
— Ha ha ha, muito engraçada você, tonta. — ela riu mais ainda, o celular apitou e ela correu para responder.
— Daqui a pouca a Ana tá aí. Se comporta hein…— me encarou.
— Eu? — ri. — Ela que surta.
— Porque você provoca. — dei de ombros, peguei o prato dela e fui para a sala. — O Puff ainda tá dormindo, acredita?
— Coisa que eu deveria estar fazendo também.— suspirei.


Não adiantou eu reclamar que estava cedo, ela não se comoveu, tampouco se culpou por ter me acordado aquela hora. Mas eu sentia falta dessa coisinha loira me atormentando. Ela disse que as amigas estavam chegando, que ela iria trocar de roupa e que era pra eu abrir a porta. Liguei a TV e ainda consegui assistir metade do episódio de TWD até o interfone começar a tocar.
— Bom dia, Luanzinho! — Mary dizia toda sorridente. — Cadê a Bru?
— Colocando o biquíni, bom dia. — nos cumprimentamos com um beijo no rosto e um abraço, ela entrou e logo atrás chegou a Ana. — Poxa, eu pedi pra você vir com o rosa. — — cruzei os braços, segurando a risada, sério.
— Deixei o rosa na mala de viagem. — piscou. — Tudo bem? — me abraçou, retribui alisando suas costas e descendo um pouco as mãos. — Deu de abraço, né? — tirou minhas mãos que estavam apalpando-a, se afastou e entrou em casa. — E as meninas?
— Bruna tá se trocando e a Mari deve ter subido também.
— Hmmm..  sua mãe não está, não? — me encarou.
— Saiu cedo com o meu pai, sei nem onde os dois foram. — dei de ombros.
— Passear, né preguiça?! — disse indo para a cozinha.
— Sou eu quem está afim de dar um passeio. — falei do corredor, ela olhou pra trás e riu. —  Tô falando sério, Aninha. — pisquei.
— Você pode passear em São Paulo, afinal sua amada mora lá. — abri a boca pra responder, mas não tive resposta, então dei risada.
— Tem Luan pra todas. — pisquei safado
— E eu não sei? — riu. — De você tem vários por aí, bem cafa.
— Esperto. — corrigi e pisquei.– Vai falar que não?
— Convencido.
— Anita! — Bruna entrou na cozinha fazendo festa e abraçando a amiga, parecia que não se viam tinha muito tempo. — Luan já te alugou? — riu.
— Pior que já, menino chato. — Ana bufou.
— Chato, é? — perguntei e ela deu risada, concordando. — Vou te mostrar o chato já já,  Ana Carolina.
— Senti uma malícia na frase. — Mariana falou rindo.
— Fica quietinha, fica Mariana.
— Não estou disposta. — disse rindo mais ainda.
— Pi vai logo se trocar, vou fazer nossas bebidas enquanto isso. — Bruna falou.
Eu gostava de beber, mas minha irmã e as amigas eu vou te contar viu?! Bebiam pra caramba, ainda mais quando estavam em casa. Subi pra colocar uma sunga, lavar meu rosto e escovar os dentes, e descer.
— Luan?
— Pode entrar. — falei enquanto pegava uma bermuda na gaveta.
— Credo, que coxa branca. Não toma sol não? — Ana zombou.
— Meu pau é branco e você nunca reclamou. — respondi sabendo que só estávamos nós dois no cômodo. — Até gosta. — provoquei.
— Ai cala a boca, idiota. — ela revirou os olhos.
— Não tava me zoando até agora? — ri. — Fala o que você quer. — vesti a sunga e a bermuda, e fiquei parado olhando pra cara dela.
— A Bru pediu pra você ir no mercado pra ela. — finalmente disse.
— Ela tá louca? Fim de ano e sozinho? —ergui as sobrancelhas.
— A Mari vai junto, ela entra e você espera no quarto. — explicou.
— A Mari? Por quê você não vai comigo, hein? — indaguei, me aproximando.
— Porque eu tô fazendo outra coisa, vai lá. — disse dando as costas e se preparando para sair, quando eu fui mais rápido e lhe puxei pela cintura. — Para, me solta, garoto.
— Garoto? Que broxante. — ri baixo em seu ouvido.
— Eu vou te morder, sai. — ela pediu.
— Tá agressiva hoje hein, Aninha, bem selvagem... do jeitinho que eu gosto. — ela revirou os olhos. — Isso, continua que eu gosto.
— Você é muito idiota. — ela me acusou.
— Eu sei. — roubei um selinho daquela boca gostosa, passei o nariz por seu pescoço e a língua em seus lábios. — Vai parar de me dar gelo quando hein?
— Quando você aprender a não ser trouxa. — me empurrou e saiu do quarto rebolando aquela bunda durinha e na forma perfeita, delícia. Vesti uma camisa, calcei os chinelos e desci.
— E ai, quem vai? — perguntei e uma ficou jogando pra outra.– Ah não, assim não dá.
— Vai logo Ana. — minha irmã falou e ela saiu da cozinha, indo para a garagem. — Cuidado hein, Pi?! — Bruna pediu.
— Sempre. — pisquei e saí, peguei as chaves do carro que estavam penduradas perto da porta e sai fechando a porta pro Puff não fugir. — Bora, gata? — falei com a loira ao meu lado.
— Bora gato, vamos logo. — disse entrando no carro e se acomodando, fiz o mesmo, prendi o cinto, abri as janelas e saí da garagem.
— Ô, minha irmã falou que você não vai passar a virada com a gente. Vai estar viajando ainda? — lembrei e então perguntei.
— Isso aí, aproveitar minhas férias, né. Preciso! — ela sorriu.
— Ah, chatona. Podia ir com a gente, pô. Vai ter um “megashow” e depois uma boate fechada por um amigo meu!— contei.
— Só vai ter biscate. — ela falou e eu gargalhei.
— Também não é assim, vai?! — sorri.
— Real. Só as siliconadas, os caras feios e com grana... ai não, prefiro viajar com a família.  — riu.
— Vai abandonar eu e meu amigo? — fiz bico.
— Seu amigo deve estar muito bem cuidado. — ela forçou um sorriso.
— Ninguém cuida tão bem quanto você. — joguei, colocando a mão em sua coxa, subindo "disfarçadamente".
— Você é melhor de boca fechada. — ela deu um tapinha em minha mão.
— Fechada no seu corpo, bem melhor mesmo.
— Chegamos. — ela disse, abriu a porta e desceu, louca. Esperei quase meia hora, cansado já e ainda tive que ver dois caras mexerem com ela na volta.
—
— um deles falou.
— Passa, aproveita e já pede carona. — falei debruçado no banco em que ela estava sentada, olhando pra fora.
— Vai pro seu canto, vai. — ela bufou.
— Sei, viu?!
— O que é menino? — ela me encarou.
— Nada. — deu risada e pegou o celular, ligou o som e me ignorou durante a volta. Chegando em casa nós descemos, abri a porta e ela entrou, indo direto pra cozinha. — Posso beber agora?
— Pode, experimenta aqui, Pi. — Bru me entregou o copo e eu tomei num gole só, bom demais. — E aí?
— Tá bom assim mesmo, precisa de mais nada não. — falei tomando mais da bebida "desconhecida".
— Então bora pôr um som, dar uns mergulhos e encher a cara. — Mari disse, voltando para a sala enquanto íamos para a piscina.
As meninas estavam bem a vontade, tirando as roupas que estavam por cima do biquíni e sentando nas espreguiçadeiras para tomar um sol. Seríamos apenas nós quatro, mas meus amigos encostaram por lá também e ficamos por ali o dia todo. Inventamos até um churrasco, Bruna fez arroz, Eloísa salada e o Doug chegou com mais cerveja pra gelar.
— Só saio daqui quando acabar a última lata. — Douglas disse abrindo mais uma e brindando comigo.
— Vai demorar hein, cada um que chega traz mais uma caixinha. — Bruna comentou. — Você não bebe, Elô?
— Não bebe pouco. — falei rindo.
— Eu bebo, Bruninha, mas viemos de carro e a criança aqui tá bebendo por nós dois. — Elô se explicou.
— Namorada responsável essa hein, meu amigo?! — Marquinhos disse rindo.
— É sim, demais até. — Doug disse rindo.
— Elô tinha era que namorar comigo, um homem decente, sério e direito. — falei sério, corrigindo a postura.
— Menos, Luan. Bem menos. Você, decente? — Ana fez careta enquanto dizia. — Decente,  sou eu.
— Tô vendo que sim. — olhei seu biquíni cavado, passando a língua nos lábios e piscando pra ela, que fingiu não perceber e jogou os cabelos de lado.
— Bruna? Luan! Chegamos. — escutei minha mãe chamar da sala e em seguida o Puff começou a latir, e pular pelo gramado do quintal.
— Estamos aqui fora. — minha irmã gritou de volta e ela veio até nós, nos cumprimentou com um beijo no rosto.
— Passaram o dia bem? — perguntou.
— Sim, e a senhora, xumba? — perguntei.
— Bem na correria. — riu. — Mas foi bom. Compramos os presentes do amigo secreto, demos uma passadinha no mercado e ainda chegamos com tempo de tomar um banho e botar o pé na estrada.
— “Cêis” vão hoje pra chácara? — indaguei.
— Sim, tô esperando seu tio chegar só. Ia deixar pra ir amanhã, mas já quero estar lá cedo pra não atrasar as coisas. — explicou e eu assenti.
— Oi, oi, oi. Boa noite! — meu pai chegou depois, dando tchauzinho.
— Mas não precisam ir hoje,não. — continuou ela. — Até porque você nem descansou direito, né filho?! E também não gosta de pegar a estrada de noite. — ela acariciou meu rosto.
— E ele está bebendo, mãe. — Bruna acrescentou.
— Eu sei filha, só tô comentando... vou indo tá? Antes de sairmos, eu passo pra dar um beijo em vocês. — disse dando as costas e levando meu pai com ela.


Começamos a pensar no que poderíamos fazer essa noite e a turma escolheu uma baladinha daquelas bem bacanas. Então saímos da piscina, esvaziamos os copos e latas, e cada um foi pra sua casa se arrumar.
Ainda era cedo, então tive tempo de tirar um cochilo e depois pensar em me trocar, tomar banho e essas coisas.
— Pi? — Bruna apareceu
— Fala.
— Você vai com o seu carro, né?
— É.— concordei.
— Ah,tá, tô levando minha bolsa então. — resmungou.
— Meu carro não vai servir de guarda volumes, não mesmo. — neguei.
— Ai que drama, são só bolsas. — ela revirou os olhos.
— Leva aquela que parece carteira, põe o documento e o celular. — sugeri.
— Vai levar o seu cartão? — me encarou.
— O que você acha? — perguntei com tédio.
— Tá bom, vou terminar de me arrumar. — ela sorriu.


Ainda consegui ficar pronto antes mesmo da minha irmã, peguei as chaves do carro e o documento, nos despedimos dos nossos pais e saímos de casa. Peguei o carro na garagem e ainda tive que passar na casa das outras duas bonitas, já que encontraria com o Douglas, a Elô e o Marquinhos por lá mesmo.
Escolhemos uma balada sertaneja, bem tranquila e que daria pra aproveitar sem muito assédio. Chegamos lá por volta de 23h da noite, entramos e fomos para a área reservada que nos esperava.


— Não sei vocês, mas eu já vou dar uma volta. — Bruna falou animada.
— Vai devagar hein, eu tô de olho nas três. — falei tanto para a minha irmã como para as amigas dela, que deram risada.
— Pi, relaxa. — disse se apoiando no meu ombro e me olhando com aquela cara de anjo.
— Tô relaxado, mas tô de olho. — salientei.
— Ih, boi, deixa as meninas. — Doug riu.
— Você fala isso, porque sua namorada tá bem do seu lado.
— Esperando as amigas. — ele piscou pra mim, que sorri em resposta. — Quatro hein, dá pra ir até de três.
— Ai Douglas, as vezes você exagera. — Eloísa o empurrou e foi para junto das meninas.
— O que eu falei? — ele perguntou indignado.
— Merda. — Marquinhos respondeu.
— Ah, deve ser a TPM. Ela tá toda bipolar, toda. De manhã acordou querendo me matar, ai de tarde já estávamos numa boa e agora de noite ela surta. — ele reclamou.
— Por isso eu tô solteiro. — dei de ombros.
— Porque a Eloá não tá querendo te assumir. Gayzão! — Doug riu.
— Lá vem você com esse papo outra vez. — revirei os olhos.
— Ah boi, qual é cara... entre nós... você não quer nada? — Marquinhos perguntou sério.
— Quero dela o que quis de todas as outras, Marcola. Prazer!
— Meu ovo. — ficamos naquele papo, pedimos um balde e desce cachaça. A música rolando, as pessoas chegando, minha irmã sumindo as vezes... sei que as tais amigas da Eloísinha chegaram e por mais bonitas que fossem, não quis ficar com nenhuma delas. Tirei foto, fui educado e tudo... mas fiquei na minha.


Quase duas da manhã quando uma dupla saiu do palco e o DJ dominou a galera, tocando os hits do momento. De um lado eu escorado na mesinha onde estavam as bebidas e do outro, as meninas dançando e eu babando naquele desce e sobe da Ana Carolina. Ah, cara! Ela era foda, uma mulher sensual, atraente e muito safada. Trocamos muitos olhares, ela se insinuava o tempo inteiro e prendia toda a minha atenção.


— Tá perdendo seu tempo aqui cara. — ouvi a voz de um dos meus amigos.
— O que? — me virei pro Marcos, que olhava na mesma direção que eu. — Ah, melhor não né. — tomei mais da bebida que estava no copo.
— Por que não, boi? — ele me encarou.
— Cê sabe das últimas vezes que ela ficou toda estranha, toda revoltada e querendo satisfações. Não dá! — falei sincero.
— Vá pra puta que pariu, você e ela. Ficam aí se engolindo, se provocando e na hora do vamo ver...Nada! — ele revirou os olhos. —  Douglas tá quase pedindo a conta. — ele riu, observando Eloísa discutir com Doug.
— E você, cara? — o olhei.
— Tô de boa, com sono já. Me deixa em casa e vaza… — sugeriu.
— Então bora. — tirei o celular do bolso e mandei uma mensagem pedindo pra ela me esperar no carro, que eu só iria no banheiro, pagar a conta e iríamos sair.
— Já vão? — Elô perguntou pra mim e pro Marquinhos.
— Amanhã eu viajo né, e vou dirigindo... preciso dormir. — dei a primeira desculpa que veio na cabeça.
— Nós vamos ficar, né amor? — ela olhou para o namorado e o beijou.
— O que você quiser, minha morena. — abraçou sua cintura, aproveitando a promoção, já que ela estava estressada com ele.
— Falow ai pra vocês, tchau, tchau. — me despedi.
— Luan, eu vi a mensagem... — Bruna me olhou toda séria.
— Fica tranquila, sua amiga não é nenhuma criança. Ela sabe bem o que está fazendo! — falei impaciente.
— Você nunca me escuta. — Bruna suspirou. — Deveria aquietar o seu facho, apaixonado já está. — ela voltou naquele assunto, me fazendo bufar.
— Tchau, Bubuzinha. Pede um táxi, eu pago! — beijei sua testa e saí.


De volta ao carro, Marquinhos sentou na frente e a Ana foi atrás, ficou mexendo no celular o tempo inteiro. Deixei meu amigo em casa e segui para um lugar que conhecíamos muito bem em Londrina, um motel mais que discreto e muito massa. Entramos na garagem privativa e ela desceu do carro rindo muito.


— O que foi? — bati a porta e acionei as travas.
— Eu não tenho vergonha na minha cara. Ai que absurdo, era pra eu estar na festa com as meninas... e não aqui... num motel. — riu outra vez.
— Crise de consciência agora não, Aninha. Não viemos aqui pra isso! — falei dando a volta no carro e segurando sua cintura.
Adentramos o quarto desse jeito.
— Você não presta, sabia? — ela me encarou pelo canto dos olhos.
— Uhum... — afastei o cabelo de seus ombros, jogando-o para trás e passando os lábios em seu pescoço. — Cheirosa demais!
— Ai, para... você tá... — ela segurou meus braços, arranhando um pouco.– Luan...
— Já fizemos isso antes, não fizemos? — beijei seu ombro, pescoço e por fim sua boca, entregando-me a um beijo quente e excitante... enfiando minha língua em sua boca, aproveitando seu jeito nada inocente de beijar. Sua mão estava descendo pela lateral do meu corpo e não faltou muito para que ela estivesse dentro da minha calça, tocando meu pau e apertando toda extensão.  — Safada! — ela riu e continuou o beijo, suas carícias e o clima foi esquentando mais.


As primeiras peças de roupas foram saindo até que estávamos sem absolutamente nada que atrapalhasse nossa transa. Com ela era sempre assim, quente e inesperado, batia a vontade e lá estávamos nós, fodendo até cansar. Deitei ofegante, recuperando o fôlego depois de mais um orgasmo e ela ainda cavalgava, gemendo alto o meu nome, cravando as unhas no meu peito e me olhando de um jeito malicioso.


— Ah, princesa. Faz assim não… — suspirei.
— Faço sim. — mordeu os lábios e jogou o corpo para frente, deixando sua boca bem perto da minha. Nos beijamos, abracei sua cintura e virei outra vez naquela cama, parando em cima dela. — Isso, acaba comigo, cantor. — ria. Afastei mais suas pernas, me encaixando mais e apoiando as mãos no colchão, ao lado da sua cabeça. — Não para... — sussurrou segundos antes de jogar a cabeça pra trás e morder a boca, se controlando para não gritar, me arrepiei por inteiro de tesão e beijei seu ombro.
— Ah, Ana... — alisei suas costas, ia dos ombros até sua bunda e voltava.
— Fazemos isso bem. — ela gemeu.
— Muito bem. — sorri.
Ela apagou em questão de minutos e eu levantei, e depois de vestir a cueca deitei ao lado dela. Acordei com um celular tocando, mas a preguiça não me deixou abrir os olhos.
— Quem é? Não, é dele mesmo... bem ocupado, você pode ligar outra hora se quiser, querida. — mexi na cama e virei para o outro lado. Percebi que era o meu celular.
— Desliga, cara... — pedi.
— Já desliguei, pedi pra sua amiguinha ligar mais tarde. — ela revirou os olhos, desdenhando.
— Que amiguinha? Tá louca? — perguntei confuso.
— A paulista, Eloá. Isso é hora de ligar? Garotinha chata, hein?!— ela bufou.
— A Eloá ligou? — sentei de supetão na cama, assustado, procurando o celular. — Me dá o celular, Ana! — pedi quando não o encontrei. Só podia estar com ela.
— Pra que? Estamos tão bem sem ela. — ela alisou meu peito, manhosa. Bufei, completamente impaciente.
— Não interessa, dá logo essa merda. — esbravejei. Ela me entregou o celular, bufando.


Disquei o número que sabia de cor e no segundo toque a minha gata atendeu.


— Oi! — falei quando percebi que ela havia atendido e ficado calada.
— Luan? — sua voz ecoou por meu ouvido.
— Sou eu, pode falar... Tá tudo bem? — perguntei preocupado.
— Tá, eu só liguei porque estava sem sono, só eu acordada e pensei que poderia estar acordado também, só queria conversar mesmo. — ela falou simples.
— Ah não acredito, mas que merda! Toda puritana! — Ana revirou os olhos, falando alto, em tom de deboche.
— Cala a boca, Ana. Eu tô falando com ela! — grunhi.
— Grande coisa. — revirou os olhos.
— Você está ocupado, não é? — Eloá falou. — Depois a gente se fala, vai terminar o que você estava fazendo.
— Awn, depois que atrapalha, vem dar uma de compreensiva. Me poupe, falsa puritana! — Ana estava praticamente colada em mim, ouvindo a conversa, uma vez que o volume da chamada estava alto.
Ignorei seus resmungos e voltei a conversar no telefone, até me levantei da cama e fiquei caminhando pelo quarto. Mas não deu quinze minutos para escutar a porta bater.
— Espera aí, me liga daqui cinco minutos! — desliguei e desci atrás dela. — Onde você vai, louca? — perguntei de olhos arregalados.
— Embora, sai da minha frente, imbecil! — ela praticamente gritou.
— Ana! — respirei fundo.
— Ana o caralho, me deixa, volta pro seu celular. — ela falou puta.
— Ah, ciúmes uma hora dessas? — olhei-a com indignação.
— Pra que você me trouxe pra cá, hein? Pra ficar imaginando ela, pensando nela enquanto eu tava com você. Vai pro inferno você e ela. Ai que ódio! — ela falou possessa.
— Para de ser louca, quem tá falando isso é você. — revirei os olhos.
— Até porque fui eu quem retornou a ligação, não é?! — ela me encarou, me fazendo ver o quão brava estava.
— Você não deveria nem ter atendido, é meu celular. — reclamei, ela estava louca de raiva e eu não dei o braço a torcer.


Ela começou a me xingar, revidei, a coisa foi piorando. Foi feio, nunca tivemos uma briga daquelas. Não digo pelo que foi dito, mas pela intensidade de que as coisas aconteceram,  ainda mais quando o celular tocou e ela viu a foto da Eloá na tela , não consegui processar em que momento Ana conseguiu pegar meu celular, mas ela pegou e foi uma questão de segundos até ele ser arremessado no chão e pisoteado por seu salto. Via a foto de Eloá sumir a medida que o visor rachava cada vez mais e a tela ia apagando.


— Você tá louca, cara? — gritei, incrédulo.
— Tô, tô louca sim. E se ela tivesse aqui eu teria feito pior! Eu odeio aquela menina, odeio o fato de você fazer tudo que ela quer e odeio ainda mais por saber que você gosta dela! — ela berrou, realmente fora de si.
— Você é maluca, cara. Doida! — berrei de volta, assustado com sua falta de controle.
— Devo ser mesmo, seu babaca escroto. Eu odeio você, odeio! — ela se alterou mais ainda, xingou mais e eu revidei, sabendo que a coisa ficaria pior.


Preferi ir embora e mesmo assim fomos no maior climão, nem parecia que tínhamos feito alguma coisa de muito bom. Cheguei em casa e nem minha irmã havia chegado da balada ainda. Subi para o quarto e tomei aquele banho, vesti uma cueca limpa, deitei na cama e meus pensamentos me levaram até ela. Eloá. Tão diferente das outras e não digo pelo corpo natural, mas pelo jeito um pouco bruto e ao mesmo tempo delicado. Sorriso fácil, voz doce... Ela tinha mais do que aparência para me atrair, me fazer pensar nela dia e noite. Era a causa e solução dos meus problemas. E que problemas!


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Oooooi! Como estão? 💜
Obrigada pelos comentários no capítulo anterior! 😍
Tiro, porrada e bomba no capítulo, do jeito que o povo gosta! hahahaha
O que acharam? Será mesmo que Luan está apaixonado como todos dizem?!
Os pensamentos dele sobre a Eloá já começam a mudar. hahahaha
Ana revoltadíssima! 😂😂