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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Capítulo 24

— Eloá Andrade


[ Véspera de Ano Novo. ]


Herman me ligou pedindo um auxílio para os dois shows do dia 31, e eu não neguei. Então fui mais cedo, porém sem o uniforme da produtora, só com a credencial.


— Uau, nada de uniforme hoje? É isso? — ele brincou.
— Sim. — respondi, brincando também. — Como passou o natal? — perguntei.
— Comendo. — ele fez careta.
— Dois. — ri.— Quem mais vem? — ele me falou a escala para a noite de hoje, mostrou a lista dos camarins e disse que eram artistas que já haviam ido lá. — Um, eu sei que é o Rodrigo, e o outro?
— Israel Novaes. — respondeu e eu não escondi o sorriso, mas disfarcei. — Pronto?
— Sim, vou ajudar nos camarins principais e darei uma revisada no das bandas. Beleza? — sugeri.
— Combinado. — assentiu.
— Estou indo, até já. — mandei um beijo no ar, já me afastando.


Encontrei a Jaque no primeiro camarim, e mandamos bala. Organizamos tudo conforme a nossa sequência. Primeiro os móveis, seguido do abastecimento do frigobar e colocação da mesa onde serviriam as refeições escolhidas pelo artista, ajustar a temperatura e deixar na sala ao lado o espaço para colocação do banner e tapete para as fotos, mais conhecido como sala de atendimento aos fãs. Depois seguimos para o da primeira banda, que a sequência era mesma tirando a apenas a última salinha. Passamos para o camarim do Rodrigo e por conhecer muito bem o amigo que eu tinha, deixei tudo exatamente como ele gostava. Finalizamos de acordo com a nossa sequência e eu acrescentei algumas fotos, uma nossa, outra dele com a tia Rosana e uma nossa no último natal.


— Você conhece o Rodrigo Marim? — perguntou segurando o porta retrato e olhando pra mim de boca aberta.
— Há mais de dez anos. — sorri orgulhosa.
— Aí meu Deus, porque isso não acontece comigo? Ter um amigo gato desses. Ele beija bem? — perguntou empolgada e eu ri.
— Somos amigos, Jaqueline. — respondi revirando os olhos, e ela fazendo o mesmo.– Amigos daqueles que nunca deram nem selinho.
— Você não sabe aproveitar a vida, isso sim. — reclamou e eu ignorei o que ela dizia. Fomos olhar o outro camarim, tudo em ordem. Passei um rádio para o Felipe, avisando que tudo estava pronto e em resposta ele nos avisou que os dois estavam entrando pelo estacionamento dos fundos, perguntei se ele estava descendo para recebê-los e ele me pediu para "quebrar essa".
— Oi, boa noite. Tudo bem? — Dagmar era a assessora do Israel, e como da outra vez foi a primeira a entrar. — Me lembro bem de você! — ela sorriu.
— Eu também, é um prazer recebê-los aqui uma segunda vez. — falei sorrindo, apertando sua mão. Um dos seguranças entrou fazendo uma "varredura" e depois que ele cruzou a porta, o grandão saiu e fechou com tudo.
— Boa noite, meninas. — eu não estava olhando para a Jaqueline, mas tinha certeza que ela estava encarando ele com uma cara de maníaca. — É um prazer revê-las.
— Nós que, em nome da Helsinki, agradecemos sua presença. — ele sorriu e que sorriso, gente esse homem é lindo. Cumprimentou a Jaque com um beijo no rosto e me abraçou pela cintura, sussurrando no meu ouvido que eu era ainda mais atraente sem aquele uniforme e de cabelos soltos. — Obrigada. — falei, completamente sem graça.
— Só aceito o agradecimento se vier falar comigo mais tarde.
— Quem sabe, né?! — ri, me afastando. — Bom show! — desejei.
— Vai ser ótimo. — piscou e eu saí, indo receber o cantor mais lindo e talentoso do mundo.
— Oi, meu amor! — pulei nas costas dele mesmo, até o Touro riu. — Alguém aqui estava cheia de saudades. — falei, apertando Rodrigo em mim.
— Eu também, pequena. — bagunçou meus cabelos e me levantou pela cintura, beijando meu rosto. — Vestido curto, né? — ele fez careta.
— Tem quem goste, né?
— Acho bom você sossegar viu. — dei risada. — Cadê a mulher da minha vida? — perguntou, se referindo a minha mãe.
— Vai vir com as amigas, e assistir do camarote. Acredita? — falei rindo.
— Certa ela. Mas e você? Não estava de folga, hoje? — ele me encarou, sério.
— Estava, mas o Felipe pediu aquele help e aqui estou eu. — dei de ombros.
— Esse cara te explora. — fechou a cara.
— Eu gosto do que eu faço e fico mais feliz ainda que seja para você, me enche de orgulho. Preparar o camarim de Rodrigo Marim, olha que honra?! — falei.
— Não desconversa, cara de pau. — ri.
— É ano novo, bebê. Sem estresse!
— Você não sabe dizer não, Eloá. Mas hoje não é dia pra esporro, não é?
— Isso mesmo, faz o show e bora comemorar a virada do ano depois! — falei animada.
— Tem planos? — ele perguntou.
— Não, nenhum. — suspirei, rindo.
— Então vamos pra sua casa, dormir. — ele bocejou.
— Que bad Rodrigo, é ano novo. — falei toda animada, saltitante e ele rindo. — Queria sair, vamos vai?! — pedi fazendo bico.
— Você querendo sair? Isso é novidade. — ele me zoou.
— Engraçadinho. — sentei na poltrona e fiquei no celular, gravando ele. — Olha quem não aguentou de saudades e correu pra São Paulo! Dá um tchauzinho, Rô. — falei.
— Não, quero mijar. — falou rindo, indo para o banheiro e batendo a porta.
— Bicho bruto. — enviei aquele vídeo e coloquei na câmera frontal. — Véspera do ano novo e sim, estou no trabalho. Dois shows hoje, do Rodrigo e também do Israel Novaes. Socorro!
— Eu sou ciumento, viu. — Rô apareceu pegando o celular, ri. — Oi. — piscou e sorriu, bem canalha.
— Por que você é assim? — perguntei rindo.
— Dona Rosana que sabe. — ele deu de ombros
— Convencido. — mordi aquela bochecha branquela pra dar um pouco de cor, e guardei o celular.
— Vai ficar com a credencial, é? — indagou.
— Sim, senhor. Pra ter acesso livre!
— Hm... eu tô de olho, viu?! — ele semicerrou os olhos para mim.
— Vocês não são amigos? — ri.
— Amigos, amigos. Eloá, a parte. — ele falou como se fosse óbvio e eu revirei os olhos.
— Mas é um grude comigo mesmo, gente do céu. — brinquei.
— Eu posso... — ele comeu, escovou os dentes e começou se trocar para o show. Continuei ali, dobrei calça, camiseta usada e ainda tive que arrumar os cabelos. — Te amo, tá?!
— Isso é explorar, viu senhor Marim?! — risos.
Dagmar bateu na porta e gentilmente pediu que os dois tirassem fotos juntos, e eu fiquei nos bastidores olhando tudo. Os dois juntos estavam demais, lindos.
— Lolô, vem tirar uma comigo. — Rodrigo pediu, me puxando já, não tive como negar, nem iria também.
— Quero aparecer nessa foto também. — Israel voltou a se posicionar de maneira que eu ficasse no meio dos dois e fosse fotografada, até entreguei meu celular e pedi que registrassem uma. — Me marca, hein?! — ele riu.
— Pode deixar. — falei sem jeito.
— Cinco minutos. –nos avisaram e então eu liguei pra minha mãe perguntando se ela já tinha chego e se sim onde ela estava, soube que elas estavam alguns minutos atrasadas para o primeiro show. Depois desliguei e subi para o camarote com o Rodrigo, assistiríamos juntos o show do Novaes.
— Quer tomar alguma coisa?
— Não, obrigado.
— Nem um suco?
— Não, Rô. Depois eu pego. — beijei seu rosto e ficamos dali onde vimos perfeitamente a abertura e as três primeiras músicas, minha mãe chegou com as amigas e se juntou a nós.– Gostando dona Rosângela? — Rô perguntou.
— Amando, ele além de bonito, canta bem.
— Tô com ciúmes viu. — Rodrigo brincou.
— Precisa não, meu filho, precisa não. — ela falou rindo e nós a acompanhamos.


Na penúltima música Rodrigo desceu com os seguranças o acompanhando e eu continuei lá em cima, uns dez minutos depois ele subiu naquele palco e foi o momento mais lindo. Eu e minha mãe cantamos todas, até gravei uns vídeos dela cantando.
O show estava pra acabar, assim como o nosso ano também. Israel voltou ao palco e juntos cantaram uma música de fim de ano e fizeram a contagem regressiva, assim desejando um ótimas coisas para o ano que se iniciava. Agradecendo ao público pela noite e presença de todos e deixando que as cortinas se fechassem.


— Mãezinha! Feliz ano novo, né?! — a abracei forte, apertando mesmo minha véia.
— Pra nós, querida, que seja um ano muito próspero! — ela falou emocionada.
— Amém! — beijei seu rosto, falei com as amigas dela e descemos.
No camarim haviam duas filas para tirarem fotos com os meninos, nós passamos por elas e entramos. Falei com todo o pessoal, deixei minha mãe tietar o Rô, depois ela quis porque quis fazer o mesmo com o Israel e até eu recebi um abraço quente, com direito a beijo no pescoço e um "me espera".
— Já estamos indo, viu? — dizia minha mãe.
— Vou esperar o Rodrigo, aí vamos juntos.
— Pra casa?
— Sim senhora.
— Tá bom, se cuidem. — e saiu.

Minha mãe saiu e voltei para o camarim do Rodrigo, mas não fiquei na sala onde acontecia o atendimento e sim onde estavam as coisas dele. Sentei na poltrona e por lá fiquei junto com o assessor papeando, recebi uma mensagem no celular e dei risada.

— Eu ainda mato o Rodrigo, ah se mato. — falei.
— O que ele fez? — perguntou rindo, deveria estar junto na hora.
— Fica distribuindo meu número pra todo mundo que pede, deixa ele. — foi eu terminar de falar que ele entrou no cômodo com alguns arranhões no pescoço, marcas de beijos e sorrindo.
— Tá bicuda, por quê? — entreguei a ele o celular, ele começou a rir e não parava.– Rápido, não? — me devolveu.
— Sem graça, e agora? — perguntei.
— Tá aí morrendo de vontade, vai logo. — ele bufou.
— Eu não, tá cheio o camarim dele. — revirei os olhos.
— Quer que eu vá lá? — perguntou pegando uma garrafa de água, escutamos batidas na porta e eu levantei pra abrir, dando de cara com o senhor gostoso. — Nem precisei. — falei e Rodrigo riu.
— Tudo bom? — Israel perguntou me olhando e então sorriu.
— Comigo sim, senhor direto e reto. — continuei escorada na maçaneta, ele riu e forçou um pouco a porta entrando.
— Veio buscar? Pode levar, quero mais não.
— Nossa, engraçadinho. — falei e ele ficou me olhando, parado. — O que?
— Tô sozinho no camarim... Posso te esperar lá? — indagou.
— Sim. — respondi antes que perdesse a coragem.
Eu não costumava ser cara de pau assim, mas era o Israel e pelo que eu me lembre ele beija muito, muito, muito bem mesmo. Saí na frente e entrei no camarim primeiro que ele, ainda tive tempo de ajeitar os cabelos olhando no espelho, quando ele entrou e me segurou pela cintura, virando meu corpo e me encostando na penteadeira.
— Belo reencontro, não acha? — riu. — Senti falta dessa boquinha aqui. — dizia passando o polegar no meu lábio inferior, deixei a boca entreaberta, olhando nos olhos dele. — Não me olha assim, não, tenho vontade de fazer muitas coisas quando você olha assim, toda devassa.  — ele disse e eu gargalhei.
— Você manda mensagem falando que quer me beijar e eu sou a devassa? — arqueei uma sobrancelha.
— Tô parecendo adolescente na puberdade, né?! — ele riu.
— Talvez. — lhe dei um selinho e foi a faísca que faltava para acender o beijo. Era a melhor junção, sua boca na minha em combinação com os seus toques, seus dedos massageando minha nuca enquanto os outros apertavam minha cintura com nem um pouco de delicadeza. Beijo urgente, daqueles que te deixa sem fôlego e mesmo assim a vontade de parar é zero. Minhas mãos estavam dentro de sua blusa, alisando suas costas largas com as unhas e as mãos dele exploravam minha coxa, subindo e apalpando minha bunda. Senti o ar me faltar, respirei ofegante e ele abriu os olhos, sorrindo.
— Calma... — beijou minha orelha, o pescoço e veio outra vez para a minha boca. — Ô mulher que sabe deixar um homem louco! — disse pressionando o sexo dele contra o meu, e ele me pareceu bem excitado. Fiquei morta e por um segundo em desespero, mas não deixei tão na cara e levei minhas mãos até seu pescoço. Aproveitamos bem os minutos que tínhamos, até alguém bater na porta, anunciando a entrada e nós nos afastamos. — Ê, Dagmar.
— A van já está à nossa espera. — falou, sorrindo travessa.
— Nem cinco minutos?
— É o tempo da banda sair, OK?
— OK, Dadá. — outra vez a porta se fechou e ele me sentou outra vez em seu colo e voltamos a nos beijar. Aquela pegada gostosa, minhas coxas que o digam, encerramos o beijo e ele ficou morrendo minha boca, sorrindo. — Fala que a gente vai ficar de novo...
— Quem sabe?! — ri do jeito dele.
— Você já deve ter escutado, mas eu vou falar de novo. Você é muito gostosa, linda... sexy. Tava querendo te beijar desde que te vi sem o uniforme e com esse cabelão solto. — ele disse enfiando a mão no meu cabelo e puxando minha cabeça pra trás. — Pelo menos agora eu tenho seu número. — riu.
— É, né?! — sorri fechado.
— Fiz mal em pedir? — ele perguntou, meio sem graça.
— Não. –ri.– Preciso ir, tchau. –falei me levantando sem dar tempo para mais um beijo, ele riu e acenou. — Até mais. — e sai.
— Pensei que ia ter que buscar.
— Não Rô, não precisava. Podemos ir agora? — perguntei.
— Dormir, né? — ele semicerrou os olhos e eu ri.
— Comer antes, tô com fome e muita sede. — fiz cara de sofrida e ele apertou minhas bochechas.
— Nem imagino o porque, tá atiradinha viu. Tô de olho em você. — ele riu.
— Uma vezinha, Rô. Você faz isso sempre. — dei de ombros.
— Tá, tá... não me convenceu, bora. — ele revirou os olhos.

Ele me abraçou de lado e fomos assim até a van, nós entramos e nos sentamos no fundo como de costume. Seguimos para a minha casa e chegando lá descobri que minha mãe não estava em casa e nem dormiria por lá. Então jantamos um lanche feito por mim, ele tomou banho e nos deitamos para dormir.

[...]

Acordei eram dez horas da manhã, cambaleei até o banheiro e tomei um banho rápido, escovei os dentes no boxe mesmo e quando acabei, me enxuguei, saindo enrolada na toalha. Rodrigo ainda dormia e eu não iria acordá-lo, sabia que ele estava cansado e eram raras as vezes em que tinha uma boa noite de sono. Vesti uma calcinha preta e um sutiã da mesma cor, coloquei um macaquinho na mesma cor e calcei minhas havaianas, penteei meus cabelos e deixei que secassem naturalmente, coloquei desodorante e perfume, e desci com meu celular em mãos junto com o carregador.

— Bom dia, amor meu! — beijei a bochecha da minha mãe.
— Bom dia, princesa! — ela sorriu, fazendo um carinho em meus cabelos.
Me sentei no outro sofá e liguei o carregador na tomada bem ao lado, conectando o cabo no meu celular, que estava com apenas 10% de bateria.
— Rô ainda está dormindo? — perguntou.
— Está sim, não vou acordá-lo, ele quase não dorme direito com toda essa correria de shows. — fiz careta.
— Verdade, é melhor deixá-lo descansar e acordar por ele mesmo. — ela deu de ombros, olhando para a tv, onde passava Bem-estar.
— Feriado em dia de semana é tão bom, né?! — sorri.
— Demais! — mamãe riu. — Consigo assistir todos os programas que gosto!
— E eu consigo dormir! — ri.
— Quando entra de férias? — perguntou.
— Da faculdade e do trabalho na quarta-feira. — expliquei.
— Entendi! — ela mordeu o lábio inferior. — Trabalho só até quarta também! — ela suspirou, sorrindo largamente.
— O Rodrigo quer que eu vá passar alguns dias no Rio, a senhora poderia vir junto né?! Pelo menos passeamos um pouco, curtimos as férias em outra cidade! — sugeri e ela me olhou meio em dúvida, parecendo analisar a proposta. — Vamos, vai ser legal! — sorri.
— Tudo bem, vou conversar com a Nana e ver isso direitinho! — ela deu de ombros, se referindo a mãe do Rô.
— Ótimo! — falei animada.
— Vou cuidar no almoço, daqui a pouco o Rodrigo levanta com fome e você começa a reclamar também! — ela suspirou e eu ri, porque era verdade.

Mamãe foi fazer o almoço e eu fui ajudar, fiz a salada, o bife e fritei as batatas, ela fez o feijão, arroz e o suco. Organizei as coisas em casa e me sentei no sofá outra vez. Peguei meu celular, já desbloqueando o mesmo e abri o whatsapp e resolvi mandar uma mensagem para o cara mais sem vergonha que conheço, ele mesmo, Luan.
“Feliz ano novo, lindinho! Que esse ano seja repleto de coisas boas e maravilhosas, que traga tudo o que o ano passado não trouxe e que você tenha ainda mais garra e fé para acreditar nos teus sonhos, e lutar por eles. Saudades!”, ainda era cedo e eu sabia que ele estava dormindo.

Ouvi passos na escada e levantei a cabeça, vendo Rodrigo já de banho tomado e vestindo apenas uma bermuda, e descalço, ele caminhou até onde eu estava, beijou minha cabeça e sentou ao meu lado.

— Bom dia. — murmurou.
— Boa tarde! — escorei minha cabeça em seu braço, ainda mexendo em meu celular. — Onde é o show de amanhã? — perguntei.
— Piracicaba! — ele respondeu rápido.
— E quarta?
— Só rádios numa cidade aqui perto. — deu de ombros.
— Ah, eu trabalho até o final da tarde de quarta, daí já estou de férias! — contei, escolhendo uma foto para postar no insta. Achei uma e nem editei, postei do jeito que estava.
— Ah, daí já vai comigo pro Rio? — ele perguntou.
— Não sei. — mordi o lábio inferior, bloqueando o celular e deixando-o carregar em paz.
— Bora, eu passo aqui e já vamos juntos. Tia Rô também vai? — perguntou.
— Eu chamei, mas ela disse que ia ver com a sua mãe. — expliquei e ele riu.
— Mães! — falamos juntos, rindo em seguida.
— Bora no shopping comigo? Tenho que comprar algumas roupas e não queria ir sozinho com o Touro! — ele fez careta.
— Vou só se eu for ganhar um lanche com sorvete! — falei meu preço e ele riu alto.
— Que oportunista, gorda! — ele acusou e eu dei de ombros, rindo.
— É meu preço! — brinquei.
— Fechado, eu pago! — riu.
— Então está combinado! — resmunguei.
— Crianças, venham almoçar! — mamãe gritou.
— Fiz batata-frita! — contei enquanto ele levantava.
— Toda vez que venho aqui, vou embora cinco quilos mais gordo. Como que você consegue? — ele fez careta e eu dei de ombros.
— Genética! — brinquei.

eloaandrade: Bem-vindo, 2012! 💖#HappyNewYear

Almoçamos em meio a risadas e conversas animadas, eu lavei a louça, Rodrigo secou e guardou. Coloquei algumas roupas na máquina e depois subi para trocar e roupa, vesti um conjunto de shorts e blusa e uma sandália de salto baixo, peguei uma bolsa com o que eu precisaria, fomos de Uber e não demorou para que chegássemos, Touro já nos esperava na entrada. Rodamos o primeiro piso todo, Rodrigo comprou algumas camisas e então subimos, atrás de mais algumas coisas, ajudei-o a escolher dois sapatos e um chinelo, Touro escolheu algumas camisas para ele, enquanto eu escolhia para Rodrigo. Depois disso, fomos até uma joalheria e ganhei uma pulseira linda. Lanchamos no McDonald’s e depois fomos tomar sorvete numa gelateria que tinha do lado, fiquei sozinha por alguns minutos, enquanto os rapazes foram no banheiro. Dez minutos depois voltaram.

— Pelo amor de Deus, me ajuda! — Rodrigo pediu afobado.
— O que foi, menino? — perguntei assustada.
— Se fodeu! — Touro disse rindo.
— O que houve? — ri, mesmo sem saber do que se tratava.
— Lembra da Ivana, aquela loira daqui de São Paulo, como quem eu quase me ferro no início do ano passado? — perguntou, se referindo a um quase namoro como algo que iria ferrá-lo.
— Lembro. Aquela maluca, né? — ri e Rodrigo revirou os olhos.
— Essa mesma! Ela tava no corredor do banheiro, quase não deixa a gente passar, Rodrigo saiu fugido. — Touro disse e eu gargalhei.
— Se ferrou, trouxa! — zombei. — Lá vem ela! — falei. — Nossa, não mudou nadinha! — falei surpresa, vendo-a andar em direção a nossa mesa.
— Me ajuda, porra! — Rodrigo falou nervoso, porque a menina era realmente chata e um pé no saco...dele!
— Senta mais pra cá, amor! — ironizei e ele riu, arrastando discretamente a cadeira para mais perto de mim, passando o braço direito por meus ombros.
Deitei a cabeça em seu ombro e escondi o rosto em seu pescoço.
— Olá, garotos! — Ivana falou, chamando nossa atenção, afastei minha cabeça do pescoço de Rodrigo para olhá-la.
— Opa! — eles responderam e eu apenas sorri.
— Nem deu tempo de conversarmos ali né, Rô?! — ela sorriu sugestiva para ele.
— É que eu tava apressado. A lolô não gosta de ficar sozinha! — ele deu de ombros.
— Ah...Acho que lembro de você! A melhor amiga, né?! — ela sorriu.
— Também! — falei, dando de ombros, retribuindo o sorriso. — Dizem que as melhores namoradas, também são melhores amigas, então sim. — ri e ela nos olhou abismada, completamente sem graça.
— Nossa! Eu não sabia que estavam juntos… — riu sem graça.
— Ainda estamos mantendo em segredo! — Rodrigo falou baixo.
— Ah, claro. — ela desviou os olhos dos meus. — Bom, acabei de lembrar que tenho muita coisa para resolver, vou indo nessa. Felicidades para vocês! — ela falou atrapalhada, saindo rapidamente sem nem nos deixar responder.
— Coitada! — falei rindo.
— Ficou morta de vergonha! — Touro me acompanhou, rindo.
— Ela é muito pé no saco! — Rodrigo reclamou e eu ri mais ainda. — Para, idiota! — ele bufou.

Ficamos mais um tempo ali, até assistimos um filme, depois Touro nos deixou em casa e foi embora. Tomei um banho e já coloquei meu pijama, Rodrigo se arrumou, porque viriam buscar ele ainda hoje.

— Tudo certo para ir pro Rio, então? — ele perguntou para mamãe.
— Parece que sim! ela sorriu, abraçando ele pela cintura.
— Já quero vê a senhora de biquíni junto comigo em Ipanema! — ele piscou e ela riu.
— Ai menino! — ela bateu nele, que riu, apertando-a em um abraço e tirando-a do chão.

Ficamos conversando os três na sala e logo vieram buscar ele, nos despedimos e ele logo foi embora. Assisti a novela com mamãe e quando o sono apertou, subi. Escovei meus dentes, fiz minhas rezas e logo adormeci, acordei com o despertador berrando no outro dia, acabando com meu soninho maravilhoso. Tomei um banho rápido, me arrumei, peguei minhas coisas e saí de casa comendo uma maçã, entrei no ônibus e por sorte ainda tinha alguns assentos vagos, me sentei em um, mas levantei duas paradas depois quando uma idosa entrou e ninguém deu o lugar a ela, então fiquei em pé mesmo. Quando finalmente cheguei a faculdade, só deu tempo dizer bom dia para as minhas amigas e já tive que correr pra sala. A tarde fui para a produtora, não tinha evento algum, mas precisávamos acertar minhas férias e organizar alguns papéis do escritório do Felipe.

Na terça-feira foi a mesma correria, exceto pelo trabalho, que não precisei ir já que não tinha nada muito importante. Na quarta, eu recebi o restante das minhas notas e tirei um peso enorme das minhas costas quando vi que tinha me saído bem em todas elas, exceto por duas, que apesar das notas estarem boas, eu sabia que poderia me esforçar mais e ser melhor. Passei no trabalho apenas para assinar o documento lá e pronto, estava oficialmente de férias. Ô, glória!

Assim que cheguei em casa já fui logo terminar de organizar minhas coisas, Rodrigo passaria aqui amanhã de manhã, porque ficaria muito corrido para a minha mãe se fôssemos hoje e também porque ele tinha arrumado um encontro com uma garota do tinder, que mora na cidade que ele está, ri sozinha me lembrando da mensagem que ele me enviou, falando disso. Eu sequer sabia que ele estava no tinder. Ajeitei tudo e deixei minha roupa para viajar amanhã já separada, adiantei as coisas de mamãe e dei um jeito na casa, tirei as roupas do varal, dobrei e guardei todas e fui tomar um banho, já colocando meu amado pijama.

[...]

— Ê, Rio de janeiro! — mamãe falou, respirando fundo quando desembarcamos.
— Gostoso demais, né não?! — Rodrigo falou, abraçado com ela.

Seguimos em direção a rampa e logo estávamos no saguão do aeroporto, de longe avistei Nana e vó Thereza nos esperando, cumprimentamos as duas e ele quase mata a av´de tanto que a apertou. Colocamos as malas na caminhonete e adentramos a mesma, ele quem foi dirigindo, não demorou para que chegássemos, tiramos tudo do carro e entramos em casa, já seguindo direto para os quarto, onde deixamos tudo.

— Quero praia! — falei, olhando o mar pela varanda do quarto.
— Bora?! — ele sugeriu.
— Só se for agora! — falei animada.
— Vou me trocar! — ele avisou e eu assenti.

Coloquei um biquine azul de lacinho, vesti um camisão por cima e calcei meu chinelos, Rodrigo logo voltou com um protetor nas mãos, peguei só meu óculos e sol e o celular, e saímos.

— Nós vamos também, aproveitamos e almoçamos por lá mesmo! — Tia Nana falou.
— Adorei, vou aproveitar e tomar uma cervejinha! — Vó Thereza disse, nos fazendo rir.

Saímos todos juntos de casa, atravessamos a rua e logo estávamos com os pés na areia, elas ficaram numa mesa e eu e meu amigo fomos em direção ao mar.
— Tem show do seu cantor aqui amanhã! — ele falou e eu franzi as sobrancelhas.
— Quem? — me fiz de desentendida.
— Cara de  pau! — ele bateu a mão na minha testa de leve. — O Luan! — respondeu.
— Sério? — sorri de canto.
— Aham. Bora? — me chamou.
— Ai, será? falei, mesmo estando morta de vontade.
— Deixa de doce! Vamos, sim. — ele decidiu por nós e eu dei de ombros. — Nossa, ele não deve ter gostado da foto que o Israel postou! — Rodrigo riu alto, adentrando o mar.
— Que foto? — perguntei.
— Uma abraçado com você, beijando sua bochecha, ele usou para agradecer ao bom trabalho da Helsinki! — ele deu de ombros.
— Não vi ainda! — dei de ombros.

Tudo bem que eu e Luan não tínhamos nada sério, mas ele ficava tão birrento e chato quando acontecia algo desse tipo, como quando descobriu que já fiquei com o Israel. Ri sozinha, imaginando se ele soubesse que fiquei outra vez.

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Olha nós aqui outra vez! hahaha
Pegação de Eloá e Israel… Será que Luan vai curtir? Se bem que, ele faz coisa bem pior, então…
Obrigada pelos comentários no capítulo anterior e não esqueçam de comentar esse! 💛