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sábado, 13 de maio de 2017

Capítulo 18

— Luan  Rafael

Eu não acredito que isso realmente aconteceu!
Porra, era só o que faltava mesmo. Mas que droga!

— E aí? — perguntei, quando Testa apareceu na minha frente.
— O seu pai tá resolvendo tudo lá com o cara. Acho melhor você ligar para a sua mãe, porque ela tá desesperada. — ele disse, me encarando.
Eu estava no meu quarto, sendo avaliado por um médico. Estávamos voltando da casa de show para o hotel aqui em Recife quando um cara louco nos cortou na estrada, por pouco não capotamos. Graças à Deus e minha nossa Senhora nada de ruim tinha acontecido, não sei nem quantas vezes já agradeci a eles pelo livramento e mesmo assim ainda é pouco. O Doutor veio nos examinar aqui no hotel mesmo, já que causaria um tumulto enorme se eu fosse visto entrando num hospital com toda a minha equipe, ainda mais como paciente.
Não duvido nada que até manchete dizendo que eu morri iria aparecer.

— Tudo certo, garoto! — Doutor Werthon falou, dando um tapinha em meu ombro.
Ele se levantou e eu fiz o mesmo, colocando minha camisa outra vez.
— Que bom! — falei, ajeitando a camisa em meu corpo.
— Agradeça muito a Deus, porque poderia ter sido mais sério e fatal!— ele disse, o que eu e todos os outros já sabíamos.

Conversamos mais um pouco e logo ele se foi. Por causa do acidente, a nossa volta para São Paulo foi adiada, já que meu pai tinha que resolver a questão da van que tínhamos alugado e agora estava completamente destruída, sem contar em toda a burocracia por trás de tudo o que aconteceu. Quando finalmente consegui dormir já eram quase oito horas da manhã e acordei apenas as quatro da tarde, tomei um banho e desci para almoçar, Testa arrumou minhas malas enquanto eu comia e quando acabei, fechamos a conta no hotel e seguimos rumo a Salvador, onde eu faria um show no dia seguinte, não iria nem dar para voltar mais em casa, só na segunda-feira mesmo.

O show em Salvador foi incrível e de lá já seguimos para Sergipe, onde seria o próximo show. A energia de Sergipe, foi incrível, como sempre e a galera não deixou a desejar, cantando todas as músicas, sempre com a letra na ponta da língua. Assim que o show acabou e nós  voltamos para o hotel, tomei um banho e dormi, estava exausto e apesar de não ter me machucado fisicamente no acidente com a nossa van em Recife, sem dúvida alguma o meu psicológico ficou abalado e parece que a ficha do que realmente aconteceu e de como foram horríveis aqueles segundos agonizantes, só iam caindo agora. No domingo de manhã seguimos para o Rio de Janeiro, onde seria o último show antes de eu voltar para casa.
Assim que desembarquei no Errejota meu celular vibrou com mensagens da minha gatinha carioca, ri antes mesmo de abrir. Li suas mensagens e confirmei nosso encontro para daqui três horas.

— Deu para rir sozinho agora, foi? — Testa zoou, sentando ao meu lado na van.
— Não. Olha só quem me mandou mensagem! — falei malicioso, entregando o celular para ele.
— Porra, gata demais em?! — ele falou admirado.
— E fogosa, viu?! Sheron Menezes é um verdadeiro furacão! — eu ri malicioso, lembrando dela nua na minha cama tantas e tantas vezes.

Era quase um ritual ficarmos sempre que eu estava no Rio, apesar de sempre fazer doce e dizer que “tentaria” achar um tempo para vir no meu show ou encontrar-me no hotel, ela sempre aparecia, sempre, sem nenhuma exceção.
Assim que chegamos no hotel já fui logo tomando banho e quando saí, me troquei rapidamente, me perfumei e pedi meu almoço, comi no quarto mesmo e quando acabei e a moça limpou tudo, coloquei meu celular e me deitei. A campainha do quarto tocou meia hora depois e como eu tinha pedido para o Rober liberar a entrada da Sheron na recepção, não estranhei. Abri a porta de uma vez e ela estava ali, toda linda e gostosa para um senhor caralho.

— Linda demais em?! Assim você me mata! — eu disse.
— Sempre galante, em?! — ela me encarou, sorrindo, exibindo seus dentes perfeitamente brancos e bem alinhados.
— Apenas fatos! pisquei, segurando em sua mão e puxando-a para dentro do quarto, tornando a fechar a porta outra vez.

Puxei-a para um abraço e encaixei meu rosto em seu pescoço, fungando, inalando seu cheiro e sentindo-a arrepiar-se. Ri, me afastando um pouco e segurando em sua nuca, trouxe seu rosto para perto do meu, iniciando um beijo que já começou meio indecente. Essa sempre foi a melhor parte de ficar com ela, não era necessário joguinhos ou mimos para conseguir levá-la para cama, ela sabia o que eu queria e o melhor...Queria o mesmo que eu, nem mais, nem menos. Prazer por prazer! Tem coisa melhor?! Bom, se tem...Eu ainda não encontrei.

Passamos a tarde inteira juntos e depois que ela foi embora, aproveitei para tirar um cochilo e descansar de toda a atividade da tarde, para estar disposto no show. Acordei as sete da noite e antes de ir tomar outro banho, resolvi ligar para a minha gatinha Paulista. Procurei seu nome na lista de contatos e logo coloquei para chamar, chamou uma, duas, três vezes e quando eu estava prestes a desligar ela atendeu. Conversamos por quase meia hora, embora ela estivesse reclamando de estar ocupada, remarcamos nosso jantar que deveria ter sido ontem e fiquei enchendo-a por mais alguns minutos, me divertindo ouvindo ela me xingar.

[...]

— Eloá Andrade

Desde que Luan ligou remarcando nosso jantar, por um "problema" que ele não disse qual, eu voltei a me focar nas minhas coisas. Até porque a semana começou com todo o gás, todo o vapor. Na faculdade apareceram 7 seminários sendo que 3 deles eram individuais e os outros 4 em trios escolhidos pelos professores, ou seja, não dava pra marcar tudo no mesmo dia porque eram grupos diferentes. Droga!

No trabalho as coisas estavam corridas, mas por conta da época, alguns eventos fechados mesmo e o público costumava ser menor. Porém tínhamos que ser detalhistas, o que nos levou a uma reunião de muitas horas para acertar arrumação, divisão de equipe, comida e bebida, fotografia e divulgação do evento que contaria com confirmação de presença e tudo. Cheguei em casa na terça-feira moída, não tive coragem nem mesmo de ir na cozinha, sentei no sofá e coloquei os pés em cima da mesinha de centro e joguei a cabeça pra trás fechando os olhos e respirando fundo.

— Minha filha, isso são horas? –escutei a voz da minha mãe de longe, minha cabeça pareceu receber uma martelada, estava explodindo.
— Mãezinha, tô morrendo de dor de cabeça. Não grita, por favor. –pedi.
— Ô meu amor, tomou remédio?
— Não tive tempo. –respondi segurando minha cabeça com as duas mãos.
— Desde a hora do almoço de domingo essa tem sido sua resposta. –bufei.– Você comeu direito hoje?
— Comi, mãe. Tomei café antes de ir pra faculdade, almocei por lá com as meninas e fui trabalhar.
— Tomou café ou comeu um iogurte?
— Comi torradas, mãe. Tomei café com leite e comi uma banana.
— Querida, eu me preocupo demais e você sabe disso. –se sentou ao meu lado.
— Sem necessidade, eu estou bem. É só uma dorzinha chata e incômoda, mãe.
— Vou fazer um cházinho pra você, sobe e toma um banho. Jantou?
— Hm... não. –fiz careta.
— Vou colocar seu prato. –beijou meu rosto e se levantou. Sorri e repeti o movimento, peguei minha bolsa, sapatos e subi para o meu quarto.

Prendi os cabelos uma xuxinha bem no alto da cabeça, me despi e entrei para o banho. Sim, eu estava tensa, cansada e não estávamos nem no meio da semana. Terminei o banho, peguei uma toalha  no armário do banheiro para me secar e ao sair vesti uma calcinha, pijama de frio e desci para a cozinha já sentindo o cheirinho de chá de erva doce e comida quentinha.

— Voltei. –falei sorrindo para ela que estava sentada à minha espera.
— Como foi seu dia? –peguei o prato e entre uma garfada e outro contava sobre como havia sido o dia. Conversamos sobre as aulas que eu havia tido, comentei sobre a lista de exercícios... meus trabalhos em grupo, porque minha mãe sabia que eu por mais que eu não tivesse problemas em trabalhar em grupo, eu preferia fazer sozinha. Mas iria me sobrecarregar demais.– São todos para essa semana?
— Graças à Deus não, mãe. Mas eu queria fazer já e tirar isso do meu colo. Só que vão ter esses eventos e... –cocei a cabeça.
— Eloá, uma coisa de cada vez. Você é uma, uma só. Não se desgaste por causa de trabalho não, muito menos faculdade.
— Mãe, é o que eu escolhi. Meu sonho essa faculdade.
— Você é teimosa igualzinha ao seu pai. –revirei os olhos.– Eu sei que você sonha com essa faculdade, mas não vai acabar com a sua saúde.
— Já entendi. –voltei a mastigar e mudamos o assunto. Terminei de comer, lavei o prato e os talheres, tomei o chá e em seguida o comprimido.– Boa noite minha gatinha, obrigado por tudo.
— Dorme com Deus, minha filha.
— Amém. –respondi subindo novamente as escadas, encostei a porta do quarto e deitei na cama.

Tive a sensação de dormir por pouquíssimas horas, levantei na manhã de quarta-feira dolorida. Tomei um banho bem quente e segui minha rotina. Faculdade, trabalho da faculdade, trabalho como produtora e minha casa.
Com essa correria maluca eu mais ficava com o celular corporativo do que o meu pessoal e confesso que ele foi deixado de lado por uns dias. Não vi nem respondi mensagens no whatsapp, nem SMS e muito menos ligações.

— Olha ela ai. –Brenna disse alto ao me ver entrando na faculdade, olhei para os lados e era comigo mesmo.– Tá viva, é?
— Sim, estou, sua exagerada. –revirei os olhos.– Bom dia.
— Bom dia. –as duas responderam.– Não tem celular mais não? –Jessica perguntou e eu bati as mãos no bolso da calça lembrando que tinha esquecido ele em casa.
— Esqueci em casa.
— Tá com bateria pelo menos? Rodrigo ligou umas dez vezes. –Bre disse cruzando os braços.– Pensou que você tinha sido até assaltada.
— Ele é igual minha mãe, um exagerado. Ai não dá.
— Ele se preocupa, aliás... ele não é o único. Amiga...
— Eu sei o que vocês duas vão dizer e eu não estou interessada em ouvir. Poxa, vocês conhecem minha rotina, sabem como é ter que preparar vários seminários... vão me crucificar também? Falar que eu só penso em faculdade e trabalho e não dou a mínima para a minha saúde?
— Também não é assim, todo mundo sabe que é corrido. Mas você também tem uma vida.
— Tá bom. Vamos entrar ou ficar de conversa fiada? –elas não disseram mais nada e entramos. Minha primeira aula era uma das que eu mais gostava, então nem o sono atrapalhou ou fez com que a minha atenção desviasse. Tivemos o intervalo onde eu ri muito com a Jessica reclamando do professor que tinha dado uma nota abaixo do que ela esperava.– Para de ser louca.
— Louco é aquele professor, filho de uma puta, eu quase virei a noite estudando para aquela merda e ele me deu 1,9, fiquei com 6,9. Por causa de 0,1 eu fiquei abaixo da média.
— Jess, amiga... respira.
— Agora vou precisar fazer a prova substitutiva ou um trabalho, porque ele "não decidiu ainda". –imitou o professor falar, fazendo eu e a Bre darmos risada.
— E aí, o que vamos fazer no final de semana?
— Não sei vocês, mas eu tenho um trabalho em grupo. –falei.
— Sério que você não vai mesmo com a gente pro parque?
— É o único dia livre que eu tenho, desculpa meninas.
— Dia livre que deveria ser gasto com as suas amigas, af.
— Ai Jess, parou né?
— Sem briga vocês duas, por favor. Não deu, não deu. Fim. Vamos nós duas, ô chata.
— Eu vou mesmo, mesmo sabendo que deveria estar estudando pra essa bosta de matéria. –o sinal tocou novamente e nós terminamos de beber nosso suco a caminho das salas, tivemos mais 4 aulas e fomos embora.

Cheguei em casa rapidinho e enquanto esquentava meu almoço peguei o celular e adivinha... estava sem bateria. Na cozinha perto do armário tinha um carregador, pluguei e deixei até que acendesse a tela e eu conseguisse ligar o aparelho e responder as mensagens. Nem tinham tantas, era mais das meninas e do Rodrigo que tinha mandado muitos áudios, mensagens e emojis. Eu nem li tudo, disquei o número e esperei ele atender.

— Lembrou que tem um amigo?
— Oi Rô, tudo bem meu amor? –mordi o lábio inferior.
— Não vem com essa de meu amor, odeio quando você fica assim sem dar notícias, some e pronto.
— Foi mal.
— Foi péssimo. O que nós conversamos?
— Já tivemos essa conversa antes, eu não sou uma criança.
— Você prometeu que não entraria nessa pilha de novo, de ficar noites em claro, sem comer direito... eu falei com a sua mãe esses dias.
— Olha que fofoqueira, traíra. –sussurrei e ele riu.
— Ela se preocupa, assim como eu e qualquer um que quer o seu bem. –suspirou.– Chegou agora?
— Cheguei, passei em casa pra almoçar e estudar um pouco.
— E seu descanso fica onde? Você ainda vai trabalhar hoje, não é?
— Vou descansar agora pra fazer tudo correndo depois? Espera aí... –deixei o celular em cima da bancada e fui desligar as panelas, tampei e voltei a falar com ele.– Dois dos individuais são pra terça, aí vem mais um em grupo e os outros no decorrer de semana que vem.
— Falta muito?
— Boa parte. As pesquisas eu fiz, agora é resenhar e formatar bonitinho.
— O que eu faço com você hein?
— Arruma uma namorada, por favor. Aí você vai se preocupar com ela mais do que comigo.
— Se eu namorar... ela vai precisar entender que primeiro vem minha mãe, aí vem você e depois ela.
— Você fala isso agora, quero ver na prática mesmo. Quando ela aparecer.
— Vira essa boca pra lá, tô bem assim, solteiro.
— Tia Rosana não aprova a galinhagem.
— Ela nem sabe. –risos. Continuei falando com o Rodrigo enquanto colocava minha comida no prato e me sentava à mesa para almoçar.– Lolô, vou te deixar comer em paz. Mas oh... vou te ligar mais tarde viu, e é bom você atender.
— Pode deixar meu preocupadinho lindo.
— Bobona, tchau.
— Nenhum beijo?
— Carente. Beijos, tchau Eloá.
— Tchau Marim, tchau. –e desliguei voltando a comer em silêncio, era um momento meu, um descanso para a minha mente.

[...]

Marcamos para fazer o trabalho de faculdade no sábado de manhã, manhã mesmo, às 10 h. Seria na casa de um colega de classe, Vitor, iríamos eu e mais uma colega nossa. Optamos por esse horário para adiantar o que fosse preciso e não se estender muito o horário para mais a noite, porque eu iria trabalhar.
Mandamos ver nas pesquisas, salvando o maior número de conteúdo já focando no assunto principal. A mãe dele fez um almoço e disse que fazia questão de comermos lá, então demos uma pausa. Almoçamos e fomos cortando os textos mais interessantes, pertinentes ao tema e agora faltava apenas estruturar. Isso perto das 16h.

— Eloá, seu celular. –eu estava tão focada que nem tinha visto, olhei e era uma chamada da Brenna. Não atendi e continuei digitando, mas veio outra chamada.– Atende, daqui a pouco você continua. –Vitor disse tranquilo, com um sorriso no rosto.
— Licença. –sai da sala e entrei no corredor que dava acesso ao banheiro e retornei a chamada.– Oi Bre, pode falar.
— Você desligou na minha cara, não foi?
— Desculpa, eu estava ocupada, mas fala amiga, o que foi?
— Jessica desastrada, caiu de bicicleta e além de se ralar toda não consegue levantar porque disse que tá doendo o pé.
— Não acredito. –coloquei a mão na testa me culpando por não ter atendido antes.– Onde vocês estão?
— Onde você acha? No parque ainda, como que eu vou levantar ela e outras duas bicicletas? Ãn?
— Eu... –pensava em algo.– Estou indo pra aí, tá bom?
— Tá bom, vem rápido que ela está aqui querendo chorar.
— Não me apressa, eu... Tchau, até daqui a pouco. –e desliguei voltando para a sala.– É... gente, eu vou precisar ir embora... agora. –eles olharam atentos ao que eu dizia.– Uma amiga caiu de bicicleta e parece que machucou o pé, vou com ela no hospital.
— Nossa, mas ela tá bem? –assenti.– Vai encontrar com ela onde?
— Naquele parque que tem aqui pra trás, esqueci o nome, mas todo mundo vai lá... alugam bike e tudo mais.
— Sei, sei onde fica. –disse se levantando.– Eu te levo lá.
— Imagina Vitor, eu vou rapidinho.
— Que nada, vamos logo. Gabi, eu só vou levar ela e já venho.
Juntei minha coisas rapidinho dentro da bolsa, me despedi da Gabi com um aceno e nós fomos. Ele não só me deixou no parque como ajudou a devolver as bicicletas e nos deixou na entrada do pronto socorro mais próximo.
— Hm... namoradinho é?
— Já está ótima né? Fazendo piadinhas... –ela fez careta.– O que te deu hein?
— Culpa de um animal que entrou na minha frente, fui desviar daquele vagabundo e cai de mal jeito. Doeu... –gemeu.– Na verdade ainda está doendo e eu ainda nem passei com o médico.
Entramos, fizemos a ficha e ela aguardou até que fosse atendida, fizesse tudo conforme o protocolos. Sei que saímos de lá era comecinho da noite, pedimos um táxi até a casa da Jess, a Bre e eu aproveitamos o táxi e fomos para a casa. Cheguei e nem minha mãe tinha chego ainda. Tomei um banho rápido, troquei de roupa e corri para não atrasar. E deu certo.
— Uau, toda linda. Boa noite, Eloá. –Felipe elogiou depois que eu já estava trocada para o evento. Vestido curto e justo, valorizando as curvas do meu corpo. Maquiagem marcando bem os olhos, e cabelo preso em um coque perfeito dando melhor visibilidade aos meus acessórios.
— Obrigado, Felipe. –sorri.– Você não está nada mal. –arrumei a gola de sua camisa antes de descermos para o salão principal e nos encontrarmos com os outros funcionários. Repassamos todas as coordenadas e demos início ao evento assim que chegou o contratante, um cara muito elegante, cheiroso, não era muito bonito não, mas de uma educação de dar inveja. Nem parecia rico. Isso me rir ao lembrar do grosso do Luan.
O evento foi lindo, eu gostei muito de trabalhar nele, mas dei graças à Deus quando fomos dispensados e eu pude ir embora pra casa e encontrar minha cama me esperando, não tomei banho, nem vesti pijama, fiquei de calcinha e sutiã e só.

[...]

Quarta-feira era um dia que tinha movimento na casa, mas não era muito, obviamente por ser dia de semana. Mas isso não queria dizer que o trabalho diminuía, pelo contrário, nos atentamos ainda mais.
Seguimos a ordem de sempre, camarim principal, camarim da banda e algumas coisas do palco e a equipe de segurança bem instruída. Aguardamos a atração chegar, verificamos novamente se nada estava faltando e foi dada a largada. O show teve duração de aproximadamente 2h10, quando as cortinas se fecharam eu já estava dentro do vestiário me trocando. Troquei o jeans e a camiseta da equipe por um vestidinho mais confortável, tênis e soltei os cabelos. Peguei minha bolsa e guardei a roupa que havia tirado.

— Que lindinha, toda menininha.
— Tá calor, né Jaque. Não vejo a hora de chegar em casa, banho e cama.
— Eu ainda vou passar na minha mãe, aniversário do meu pai.
— Mande os parabéns à ele. –sorri.– Bom, beijos Jaque, eu já vou indo. –peguei o celular e ia saindo do vestiário, olhei e algumas mensagens não lidas. Mas deixei pra responder quando estivesse no ônibus, a caminho de casa.

Passei pelo corredor em direção a saída me despedindo daqueles que eu encontrava, guardei de volta o celular na bolsa e sai assim que destravaram o portão. Olhei para os lados e nada, atravessei a rua seguindo para o ponto de ônibus e apertei os passos, aquele horário era ruim de sair por ser uma rua sem muito movimento, mas eu até que tinha me acostumado um pouco. Meu celular começou a tocar e não parou até eu atender.

— Oi.
— Você tá linda, sabia? –riu. Franzi a testa e olhei em volta, não vendo nada.
— Você tá bem? Bebeu?
— Vestido e tênis, ê laia.
— Luan?
— Até daqui a pouco.
— Onde que você est... –e a ligação caiu, achei estranho. Parei onde eu estava, olhando os carros e nem percebi quando um estacionou bem próximo e baixou o vidro da janela dianteira.
— Oi, Lolô.
— Eu... você, é... –eu não tinha o que falar, eu sequer imaginava que ele viria. Tudo bem que ele tinha ligado mais cedo, só que estamos falando do Luan Santana né.– O que você...
— Uai, eu não disse que vinha e te buscava? Então... estava te esperando sair.
— Tá brincando né?
— Não. Você tinha esquecido, né? –perguntou "ofendido" e antes que eu me sentisse culpada por ter duvidado dele, ele riu.
— Você estava falando sério?
— Bom, sim. Se você respondesse mensagens teria visto eu confirmando.
— Desculpa é que eu... –eu estava toda desconcertada, me atropelando nas palavras e ele me olhando com aquele sorriso idiota nos lábios.– Tá tarde, né... eu acho melhor...
— Ah não, não vou embora. Entra aí. –abriu a porta e eu exitei um pouco em entrar, olhei para os lados me certificando que ninguém estava vendo e entrei.– Tudo bom?
— Um pouco cansada, só. Você não teve show hoje?
— Não, gravei um programa que acabou agora pouco.
— Ah, entendi. –fiquei calada.
— O que foi?
— Eu não esperava que você viesse, só isso.
— Por que?
— Porque dá primeira vez não deu certo.
— Ah, mas porque tive um problemão na saída de Recife. Eu te liguei avisando...
— Eu lembro, mas me pareceu desculpa para não falar que não queria mais jantar comigo. –ele riu.
— Não, bateram na nossa van na ida para o aeroporto... –ele deu partida e continuou contando como havia sido, que graças à Deus não tinha sido nada grave e que resolveram em três horinhas.– ... tentei falar com você no dia seguinte, mas você some.
— Eu não sumi. –ele fez a mesma cara que o Rodrigo sempre fazia.– Tá, eu fiquei uns dias longe do celular, só que foi por causa das coisas da faculdade e trabalho.
— Ai você esquece que tem uma vida?
— Esporro não, Rodrigo já faz isso.
— Tá certo, vamos falar de nós dois. –comecei a rir e não parei mais, ele me olhou todo sem graça esperando minha crise parar.
— E tem nós dois?
— Pode ter uai, só você querer.
— Você não presta, sabia?
— Presto para muitas coisas. –piscou.
— Vamos jantar mesmo?
— Se quiser pular pra parte em que eu como a sobremesa, fechô.
— Não tem sobremesa nenhuma e vamos logo que eu tô com muita fome.
— Eu também. –disse fixando o olhar nas minhas coxas. Peguei o celular e vi que pelo horário minha mãe estaria a minha espera, resolvi ligar.
— Mãe?... Tá tudo sim e a senhora?... É... Já saí sim, mas estou indo comer com o pessoal aqui... –menti.– Volto sim, eu peço um táxi... Amém, pode deixar. –e desliguei.
— Com o pessoal né?
— O que minha mãe vai pensar de me ver no carro de um estranho... hein?
— É de mim que estamos falando, qualquer mãe me ama. –ri de seu convencimento.– Come comida japonesa?
— Nunca comi.
— Topa experimentar? Conheço um lugar ótimo aqui em São Paulo, acho que você vai gostar.
— Tomara, porque eu tô com fome.
— Eu também. –falou ligando o som do carro, em uma música que eu sabia a letra toda. E fomos "quietos" até chegarmos no tal restaurante.– É aqui. Se quiser pode deixar sua bolsa no carro.
— Vou colocar aqui no banco de trás. –disse soltando o cinto e virando para ajeitar a bolsa, sentindo minhas coxas esquentarem com o seu olhar intenso e nada discreto sobre elas.– Vamos? –falei  com o celular em mãos, abrindo a porta e descendo do carro. Ele fez o mesmo e entramos juntos, mas não de mãos dadas.
O ambiente era tranquilo, com um clima descontraído a meia luz. Fomos bem recepcionados e levados a uma das mesas mais ao fundo, mais reservada e bem localizada. Luan se sentou sem nem fazer a linha cavalheiro, o que puxa a cadeira para a dama se sentar. Eu apenas repeti seu gesto, sentando-me de frente para ele. Pegamos o cardápio e para mim aquilo estava em grego.
— Gosta de peixe? –assenti.– Maravilha, já sei o que pedir pra gente.
— À vontade. –sorri deixando o celular sobre a mesa e vendo que ele fazia o mesmo. O garçom voltou, anotou nosso pedido e saiu.
— Você tá linda sabia?
— Você já me disse isso e não tem nem uma hora. –ri.
— Sempre bom lembrar. –fez bico.– Sabe o que eu queria agora?
— Sei, mas pode falar. –risos.
— Um beijo bem gostoso.
— Hm... não. –disfarcei.– Já venho.
— Vai no banheiro pra gente se beijar. –cantarolou baixinho, ri ignorando e fui. Quando voltei ele estava no celular mandando áudio pra alguém, não disse nada e me sentei.
— Está sozinho hoje? –ele franziu a testa, tentando entender minha pergunta.– Sempre que eu te vejo tem um cara do seu lado.
— Meu segurança, o negão.
— Negão?
— Wellington. Sentiu falta dele é?
— Estranho te ver assim tão... normal.
— Eu sou normal, Eloá. –mexeu nos guardanapos.– Você... tem uma visão meio diferente de mim.
— Tenho aquela que você mostra, que você não vale nada.
— (riu) Diz isso, por que?
— Não lembra não, que na casa do Sorocaba sua namoradinha teve um surto? –ele riu.
— Eu e ela é meio complicado, mas não namoramos.
— Não pareceu hein...
— Tá, mas não quero falar dela. Quero falar de você. –chegou com a cadeira mais pro lado, me olhou e foi se aproximando.
— Safado.
— Você nem imagina. –segurou meu queixo e tocou os lábios no meu, eu estava de olhos abertos.– Assim quebra o clima. –ri pondo as mãos em seu pescoço e nos beijamos de verdade mesmo, beijo bom e com certeza teria sido melhor se a nossa comida não tivesse chegado.– Valeu cara, chegou bem na hora. –limpei os cantos da boca e me ajeitei na cadeira.
— O que é isso? –perguntei olhando os pratos.
— É um refogado, com arroz, legumes e misto de frango e carne.
— E como com hashis não é? –ele assentiu.– Era isso que tinha no seu camarim, que eu lembro.
— Sempre que dá eu peço sim, dependendo da cidade. Sabe usar?
— Eu usava pra comer yakissoba, mas sempre com a borrachinha. –disse pegando e quebrando os pauzinhos para colocar no hashi.
— Gostou? –perguntou enquanto eu mastigava, assenti. ainda comendo ele me olhava e balançava a cabeça, rindo. Pensei que estivesse com alguma coisa no dente ou com um cheiro ruim, mas não surtei.
— O que foi que você tanto ri? –perguntei "tranquila".
— Você me surpreendeu, sabia?
— Com o que?
— Pegar o Israel Novaes, cara? –ria.– Pensei que você tivesse um gosto melhor.
— Por que? Ele é feio por acaso?
— Já viu ele no começo da carreira? –ria.– Bichinho era feio viu.
— E o que você tem a ver com isso?
— Nada uai, só tô falando que é engraçado... vocês dois juntos... hm hm... nada a ver.
— E você combina muito com alguém né? Se acha o bonitão.
— Pelo menos eu tenho voz de homem. Já ele...
— Ai para, nossa. Palhaço.
— Vai me falar agora que a voz dele é grossa? –ele começou a imitar o Israel cantando e eu não sabia onde enfiar a minha cara.– Vem ni mim Dodge RAM. Quem canta isso?
— Nossa, meu deus.
— Meu deus mesmo, que mau gosto da porra. –ria.
— Era pra isso que você queria jantar comigo? Pra zoar com a minha cara? Me fazer de idiota. –falei séria.
— Calma ai gatinha, só comentei.
— Não, você está sendo desagradável... idiota.
— Pra que esse estresse todo? Só porque falou do seu amorzinho é? Como você chamava ele? Israelzinho?
— Vê se cresce, Luan. –ia levantar da mesa e ir embora, mas ele segurou o meu braço.– Me solta.
— Vai ir ali no banheiro, é? –olhei pra ele com a maior e melhor cara de paisagem.– Pra gente se beijar. –e riu me irritando mais ainda, soltei meu braço da mão dele e deu as costas caminhando em direção ao banheiro. Entrei no feminino e fiquei encarando minha cara no espelho, eu estava louca de raiva e me xingando de burra mentalmente. Por que eu havia aceitado? Por que eu havia me prestado esse papel ridículo e caído nessa conversinha mole de jantar, que tava com saudades. Ele continua sendo o mesmo babaca, que beija bem, mas ainda sim um babaca. Lindo, mas...
— Chega Eloá. –disse para o meu reflexo.– Você vai sair desse banheiro e ir embora. –falei decidida, enchi o peito de ar e sai dando de cara com aquele idiota.
— E não é que você ficou bravinha mesmo?
— Já deu. Eu vou embora.
— Desculpa vai, eu não disse pra te irritar. Eu estava levando na brincadeira.
— Você não sabe a hora de parar, seu problema é esse. Eu estava curtindo e voc... –ele não me deixou falar, me empurrou contra a parede e trouxe sua boca pra minha. Arregalei os olhos surpresa e comecei socar seu peito, na tentativa de que ele parasse, mas aquela língua na minha boca estava uma delícia. Não demorou para que eu fechasse os olhos e apertasse com força os seus braços e desse continuidade. Vagabundo!
— Desculpa. –riu se afastando.
— Você continua sendo um idiota.
— Um idiota que vai te beijar de novo. –virei o rosto e ele olhou sem entender.
— Estamos na entrada do banheiro feminino, para. –desviei dele e voltei para a mesa onde estávamos sendo seguida por ele. Nos sentamos e ele puxou um assunto, nada a ver com o que estava sendo comentado anteriormente. Pediu mais uns negócios lá e voltamos ao bom clima.
— Então quer dizer que você cursa fonoaudiologia? –fiz que sim com a cabeça.– É show de bola.
— Show de bola. –repeti rindo.– Difícil alguém usar essa expressão.
— Ah. –baixou a cabeça.
— Não me aguentei, desculpa. –risos.– Você sempre quis ser cantor mesmo?
— Desde criança, cara. –o entusiasmo dele ao falar de música me deixou com um sorriso bem idiota no rosto, ele realmente falava com emoção e mostrava o quanto amava viver aquilo e sentir na pele toda essa energia.
— Como um sonho?
— Muito melhor que sonhar. –sorriu.– E você?
— O que tem eu?
— Fonoaudiologia não é muito atrativo quanto parece.
— Empatia. –respirei fundo.– Foi um curso que eu escolhi a dedo, pensando em fazer o bem ao meu próximo mesmo, ajudar.
— Algum interesse pessoal?
— Digamos que sim. –cortei o assunto não querendo entrar em detalhes e ele pareceu entender, já que não perguntou mais nada e veio pro meu lado de novo, quando colocou a mão na minha perna... seu celular tocou, o tirando do transe.
— Fala ai boi... Jantando... É, com ela (riu)... Daqui a pouco... Mais já?... Amanhã cê cuida disso... Valeu, cara. Tchau... –desligou.– Onde a gente estava mesmo?
— Rotina.
— Assunto chato, né?
— Não, eu até gosto. É uma correria diferente da minha, é muito louco estar cada dia em um lugar. O Rô é assim. –comentei.
— Seu celular está tocando...
— Minha mãe. –falei atendendo.– Oi mãe.
— Eloá minha filha, são mais de duas horas da manhã...
— Nem notei a hora passar, eu já vou indo pra casa.
— Vai vir sozinha, é?
— Táxi dona Rosângela, acho que não demoro nem meia hora.
— Pois venha que eu tô acordada esperando.
— Eu pedi pra senhora ir dormir.
— Quando você for mãe vai entender.
— Não demoro, tá? Beijos. –e desliguei, olhei para o lado e Luan também mexia no celular dele, me olhou e colocou de volta em cima da mesa.– Bom, foi uma delícia o jantar. Mas preciso ir pra casa.
— Tão cedo assim? –riu.– Nem aproveitamos direito.
— Depende do que você chama de aproveitar, não é?
— Ah, você saber. Minha intenção era beijar na boca, desde o início.
— Sem cerimônias?
— Exato.
— O jantar foi um pretexto?
— Não, foi intencional mesmo.
— Entendo... vamos?
— Bora, eu te deixo em casa.
— Nada disso... são mais de duas da manhã segundo minha mãe, você não mora aqui em São Paulo é capaz de ficar perdido.
— Tá preocupada comigo?
— Não, tô preocupada com o meu sono caso você se perca na cidade. –risos.
— Tá, entendi. –me roubou um selinho, terminou de comer o tal do temaki que tinha pedido e levantou indo na direção do caixa, ficou uns minutos por lá, conversando... até foto tirou e quando voltou para mesa eu já estava de pé.– Bora. –segurou meu pescoço e me beijou, sem discrição alguma, depois pegou na minha mão e saímos.
— Você é louco, sabia? E se alguém ver?
— Eu sou maior de idade e você?
— Também, mas...
— Mas nada, somos solteiros... –parou e me olhou.– ... ou não?
— Também sou solteira, eu hein.
— As mulheres de hoje em dia.
— Cala a boquinha vai, fica quietinho. –o empurrei.
— Grossa.
— Realista.
— Toda mulher fala isso, Lolô. –segurou meu queixo e deu um selinho antes de sairmos do restaurante. Estava ventando, fiquei toda arrepiada em segundos. Andamos até onde ele tinha deixado o carro estacionado, entramos e ficamos alguns minutos por lá aos beijos e alguns amassos, mas o celular dele nos interrompeu pela segunda vez na noite. Nos ajeitamos, ele saiu com o carro e foi me deixar em um ponto de táxi. Nos despedimos ali mesmo, entrei no outro carro, dei meu endereço e rumei para casa.

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Sumimos por conta dos contra-tempos da faculdade e pedimos mil desculpas por isso. 
Como vocês estão? O que estão achando da fanfic?
Obrigada pelos comentários no capítulo anterior e comentem esse aqui também!
Um beijo do Trio aqui e fiquem com Deus! 

3 comentários:

  1. Luan tentando amansar a fera e pelo visto vai conseguir.

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  2. Eloá tem que descansar mais, a coitada anda sem vida. Ela fica muito pilhada com tudo.Luan é um safado, sem vergonha kkk
    E Luan quase estraga o jantar. Menino babaca, não sabe parar. No fundo isso é ciúmes hahahahahaha
    Ele só não sabe ou admite ainda.

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