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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Capítulo 19

— Eloá Andrade

Eu nem estava acreditando que o Bruno estava de volta à São Paulo, trabalhando junto comigo ainda por cima, bom, por apenas duas semanas, mas mesmo assim daria para matar as saudades do meu amigo. Apesar do nosso relacionamento ter chegado ao fim quando ele precisou se mudar, a amizade havia prevalecido, o que é bem raro já que geralmente uma das partes não tem maturidade o suficiente para saber separar as coisas.

Já faz exatos quatro dias que está aqui e faz questão de me levar em casa todas as madrugadas, ao fim do expediente. Ele continua o mesmo, gentil, engraçado, bom de papo e sempre gente boa. Apesar de ter tentado me beijar das últimas quatro vezes, não ficava um clima ruim quando eu negava. Ele é cabeça demais e isso é uma das coisas que mais admiro nele, sabe levar um não sem dar um show por conta disso.

— Tudo certo para o nosso jantar hoje? — ele perguntou bem atrás de mim.
— Claro. — respondi tranquila, sem virar.
— Tá fazendo o quê aí? — perguntou, pondo uma mão em minha cintura.
— Revisando a lista de camarim do artista de amanhã. — respondi, finalmente me virando.
— Ah, tudo bem. Vou conversar com o Felipe agora, precisamos fazer algumas alterações por conta da estrutura do palco. — ele comentou. Apenas assenti.

Bruno beijou minha bochecha e logo saiu. Voltei a me concentrar em meu trabalho e acabei até adiantando boa parte das minhas atividades de amanhã. Quando acabei, expliquei algumas coisas para a Jaque e me despedi dela, em seguida do Felipe. Troquei de roupa e calcei minhas sapatilhas, guardando o uniforme e o tênis na mochila.  Me despedi do segurança quando o mesmo fechou o portão atrás de mim e segui para o estacionamento externo.

— Ainda mais lindo! — Bruno sorriu, escorando em seu carro.
— Você também não está nada mal. — ri, me aproximando.
Ele beijou minha bochecha e abriu a porta do carro para que eu entrasse, e assim fiz.
Ele deu a volta, tomando seu lugar bem ao meu lado, observei-o colocar a chave no contato e então dar partida, tocando com o carro.
— Onde vamos? — perguntei.
— Como eu sei que a senhorita não gosta de coisas muito cheias de frescuras e adora  uma boa comida...— ele sorriu. — Pensei de irmos aquele barzinho e restaurante que íamos quando eu morava aqui. — ele deu de ombros.
— Adorei a ideia. — falei animada.
— Pode ligar o som se quiser. — apontou com o dedo indicador da mão que estava na marcha.

Liguei o som e a voz de Gabriel Diniz preencheu o carro, eu gostava da música, era legal e animada então deixei. Fomos conversando e cantando até o barzinho e assim que chegamos lá, ele fez questão de abrir a porta para mim, o que, confesso, achei fofo. Nos sentamos numa mesa na parte de fora mesmo, já que estava calor em São Paulo essa noite. Fizemos nossos pedidos e relaxamos, bebendo uma cerveja enquanto nossa comida não chegava.
— Finalmente uma estudante de Fonoaudiologia. — ele sorriu, me encarando.
— Sim. Finalmente! — ri, orgulhosa.
— É tudo o que esperava? — ele perguntou, bebericando sua cerveja.
— É sim, até mais inclusive. Engraçado né, eu soube desde pequena que era isso que eu queria fazer. — suspirei.
— Sim, desde que você mesma precisou de uma fono. — ele lembrou. Assenti, sorrindo de canto.

Precisei de uma fonoaudióloga quando meu pai nos deixou, sentia tanto a falta dele que parei de falar. Engraçado como esse tipo de coisa é interessante, porque sentimos tanta falta de alguma coisa ou alguém que reagimos de formas tão diferentes e variadas, algumas têm febre, outras param de andar, outras desenvolvem um tipo diferente de reação a falta e saudade, e outras assim como eu, param de falar e interagir. Esse tratamento foi essencial e de uma importância incalculável na minha readaptação, tive a melhor das profissionais ao meu lado, Doutora Bela, que inclusive é minha professora hoje em dia.

— Eloá? — ele chamou.
— Oi! — falei rápido, afastando meus pensamentos.
— Tudo bem? Viajou legal aí. — ele franziu as sobrancelhas.
— Ah, só estava pensando numas coisas. Desculpa. — encolhi os ombros, sem graça.
— Imagina. — ele sorriu de canto.

Retomamos a conversa e logo mudamos de assunto, restabelecendo um clima bom, gostoso e agradável entre nós, nossa comida logo chegou e comemos calados, apreciando essa maravilha dos deuses. Sério, melhor que essa comida só a da minha mãe mesmo. Fizemos várias selfies no celular dele e no meu. Ele não me deixou pagar a conta e apesar de insistir para dividir a mesma, ele não permitiu, dei de ombros, desistindo.

Quando já estávamos saindo pedi para que um dos garçons tirasse uma foto nossa, já que eu não queria selfie e assim ele fez, gostei do resultado, agradeci, editei e postei enquanto íamos para o carro, que tinha ficado um pouco longe já que o estacionamento estava cheio.

@eloaandrade "O que é verdadeiro sempre prevalece. Te amo. @BrunoCardoso 💙"


Bruno me deixou em casa e até tentou me roubar alguns beijos algumas vezes, mas não permiti em nenhuma delas, apesar de não saber bem o motivo, já que ele beija bem demais e não havia nada que nos impedisse.  Ele ficou um pouco comigo na calçada e então logo foi embora. No Domingo fomos ao cinema à tarde, assistimos um filme bem legal que havia lançado no meio da semana e foi super divertido, de lá fomos direto para o trabalho.

[...]

Pensa numa pessoa cansada de ficar com o rosto enfiado em livros, pensou? Essa sou eu. Depois de uma maratona de seminários e provas, estou entrando em uma semana mais light de listas e listas de exercícios. Porém, muito mais de boa que trabalhos formatados nas normas da ABNT.
Tive uma manhã daquelas na faculdade, quando estava prestes a acabar a última aula recebi várias mensagens seguidas e não contente, ainda uma ligação bem no meio da explicação. Não atendi, esperei o professor nos dispensar e retornei a chamada.

— Luan.
— Tá tudo bem? –perguntei logo.
— Comigo, sim. –riu.– E você Lô?
— Tô bem. Por que me ligou?
— Estou na cidade hoje e amanhã, talvez... Sei que tá na faculdade.
— E o que uma coisa tem a ver com a outra? Ãn?
— Nossa, faz tempo que a gente não conversa, não fica... desde o nosso jantar.
— Ué. Saudades do que? Não fizemos nada demais, garanto que outra se encarregou de não te deixar na mão.
— Não vamos falar de outra. –desconversou.– Estou falando de você, queria te ver e... vim te buscar. –falou rápido.
— VOCÊ O que? –perguntei no susto, ele não tinha noção não?
— Fiz mal?
— Sim. Como descobriu onde eu estudo? –pensei bem e sabia como, continuei.– O Rodrigo é um fofoqueiro, linguarudo...
— Nem com ele eu falei. Você quem me disse, não lembra não?
— Não.
— Tá esquecidinha hein. –riu.– Vai demorar pra sair?
— Eu já estou saindo... –respondi colocando a mochila nas costas e saindo, juntando-me aos outros na saída do campus.
— Tô num Corolla preto do outro lado da rua, um pouco mais pra trás da saída.
— Uhum... Tchau.
— Vai vir aqui, né?
— Tchau, Luan. –desliguei. Prendi os cabelos novamente depois de guardar o celular no bolso, atravessei a rua e procurei pelo tal carro e não teria encontrado se ele não tivesse buzinado.
— Não vai entrar?
— Não deveria, preciso ir pra casa.
— Você some, não liga, não me responde... eu venho atrás e você some? –cruzou os braços e recostou no banco, mascando chiclete enquanto falava.
— Eu estudo.
— Eu sei.
— Trabalho.
— Eu também. –deu de ombros.– Vem, entra... –dei a volta e entrei no carro, bati a porta e virei de frente pra ele.– Jeans, baby look e tênis?
— Eu não venho pra faculdade de cropped, vestido de balada e saltos.
— Ainda bem, eu tenho ciúmes. –dei risada e ele ficou me olhando sério, não riu.– Tô falando a verdade, uai.
— Tá ficando maluco isso sim.
— Não vai me dar um "Oi." não?
— Oi, Luan.
— Assim não, quero beijo.
— Não.
— Daqui a pouco cê muda de ideia. –falou convencido, ligando o carro e dando partida.– Bora, né?
— Bora pra onde?
— Tô hospedado aqui perto, a gente pode almoçar por lá.
— Nem pensar, eu num hotel com você?
— No meu quarto, o que cê acha, hein?
— Nada bom. –disse pegando o meu celular, e ele rindo.
— O carro tem película, estacionamento interno.
— Já tô aqui mesmo, né.
— É. Pode colocar a bolsa no banco de trás se quiser.
— Não precisa não, deixa ela aqui quietinha.

Ele ligou o som e puxou um assunto lá, seguimos conversando até a chegada no hotel. Tinha uma galera na porta com faixas, pelúcias, uns três cartazes e celulares nas mãos. Passamos despercebidos, por não ser um carro tão chamativo e entramos numa boa. Ele desligou o motor, destravou as portas e eu saí.

— Muié, cê tá gata assim viu. –deu um tapa na minha bunda e ainda roubou um selinho.
— Faz isso de novo e você vai ficar sem mão, idiota.
— Desculpa gatinha bruta. –pegou na minha mão e fomos juntos até o elevador.– Não vai avisar sua mãe hoje?
— Avisar o que?
— Que você tá comigo.
— Nem em casa minha mãe está. Ela chega só mais tarde.
— Então ela trabalha fora?
— É.
— Você não gosta muito de falar da sua família, né? Engraçado isso.
— Ah, não tem muito o que dizer... o que contar. Somos normais, ué.
— Eu sei. –beijou meu rosto. Ele pegou o celular e mandou mensagem para alguém, nesse meio tempo de espera tentou me roubar um beijo, sem sucesso. As portas do elevador se abriram no subsolo e lá estava o segurança dele, com um ar de riso quando me cumprimentou.– Bora. –apertou o botão do andar em que estava e subimos direto.– Negão, lembra da Eloá?
— E quem esquece? –perguntou retoricamente, me deixando sem jeito com uma olhada nada discreta, até o Luan percebeu.– Tudo bem?
— Tud-tudo sim. –respondi ainda mais sem graça quando ele sorriu.
— Que bom.
— O que você gosta de comer? –Luan perguntou distraindo-me.
— Comida. –brinquei.
— Avá. Sério, cara?
— É. –risos.

A campainha nos avisou que havíamos chegado, o segui até pararmos de frente com a porta de número 1012. Luan abriu a porta com um cartão, entramos e ele disse que eu poderia ficar a vontade, olhei e ele já estava tirando os sapatos, no segundo seguinte a blusa e eu parada feito poste.

— Desculpa. Se importa que eu fique assim? –neguei.– Se quiser tirar também. –riu.
— Não, obrigada.
— Senta, larga essa bolsa ai em qualquer canto. –eu estava muito sem graça, me sentindo deslocada, tanto que demorei uns segundos para processar um movimento e outro. Deixei a mochila em cima de uma poltrona onde tinha uma blusa dele jogada, tirei o tênis e subi na ponta da cama cruzando as pernas.– Meias de ursinhos? –puxou meu pé pra ele, contornando o desenho na meia.
— Eu gosto, tá?
— Bonitinho, toda menininha e um mulherão desse. Ah, Eloá... –fechou os olhos e sua respiração ficou acelerada, eu senti um calor diferente e do nada.– ... você mexe com o meu juízo, sabia?
— Percebi, você tá com cara de tarado. Credo. –ele ficou vermelho, riu também e me puxou pelas pernas fazendo com que eu me deitasse na cama e veio pra cima de mim.– O que você... voc... você tá... tá fazendo?
— Te beijando. –encostou seu lábio no meu, procurando minha língua, fechei os olhos me entregando um pouco mais. Repetindo os seus movimentos, retribuindo o beijo na mesma intensidade. Ele beija bem demais, não tem como não retribuir, ele é um galinha, mas um galinha que sabe o que fazer com uma mulher. Seus dedos passearam por meus cabelos, pescoço, descendo um pouco e contornando a renda do meu sutiã por cima de uma camisetinha fina. Todos os músculos do meu corpo se contraíram, respiração acelerando mais...  não demorou para as suas mãos estarem na lateral do meu corpo, apertando minha cintura enquanto seu beijo se aprofundava mais, deixando minha garganta seca mesmo.– Gosto muito de beijar essa sua boca, sabia? –arrepiei ao escutar seu sussurro ao pé do ouvido, deixando um grunhido escapar em resposta ao sentir sua língua lamber e seus lábios em seguida chuparem o meu pescoço.– Cê gosta, né? –riu.
— Muito. –continuei de olhos fechados, entregue.
— Eu amo. –mordiscou antes de voltar sua atenção para a minha boca, meu corpo estava quente demais. Enquanto me beijava percebi ele tentando abrir o botão da minha calça, e tirei sua mão umas três vezes.– Gostosa. –ri entre o beijo. Meu celular começou tocar e ele não queria me deixar atender e na real nem eu queria, mas e se fosse algo importante... o empurrei e desci da cama num pulo.

— Oi, Bruno. –atendi rápido, olhei e Luan passava a mão nos cabelos, inquieto.
— Te atrapalhei?
— Não atrapalhou, não. Pode falar.
— Liguei pro Herman e pensei de marcar um jantar pra eu apresentar outras duas propostas para esse novo projeto.
— Jantar? Que horas?
— Umas 21h?
— Me manda o nome do restaurante depois...
— Que isso, eu te busco em casa.
— Você ainda lembra onde eu moro?
— Ô se lembro. –riu.– Me liga quando estiver pronta?
— Ligo sim.
— Então beleza, beijos.
— Beijos, até mais tarde. –e desligamos.

Quando guardei o celular, Luan me encarava meio sério, passando as mãos pelos cabelos espetados.

— "Beijos, até mais tarde." – Luan imitou com desdém.– Tá comigo e marcando encontro com outro? — me encarou meio bravo.
— Não é encontro, não bobão. É um jantar apenas.
— Bruno não é o ''malacabado'' que você tava marcando nas suas fotos?
— Que você por sinal, curtiu todas. –ri voltando para a cama.– É ele sim.
— O que esse cara é seu?
— Colegas de trabalho. –dei de ombros, ele não se convenceu, mas não teve tempo de falar nada porque a campainha do quarto estava tocando. Aproveitei para ir ao banheiro fazer xixi, quando voltei tinha uma mulher dentro do quarto de braços cruzados, me encarando.
— Estamos conversados, né? Tchau. –e saiu.
— Tá tudo bem?
— Opa. –apontou para a mesa.– Pedi bife acebolado com arroz, feijão, salada e suco de laranja. –meu estômago roncou em resposta.
— Delícia. Eu gosto. –disse me acomodando na cadeira de frente para a dele e já me servindo.– Quem era aquela mulher?
— Minha assessora.
— Séria, né?
— Ela é de boa, um amor. –sorriu todo besta. Começamos a comer quietos, mas ele não perde oportunidade e não segurou a língua.– Então quer dizer que você tem um jantar, hoje?
— De trabalho? Sim. –respondi.
— Trabalho bom esse, né? Cinema, jantarzinhos... Certeza que é só trabalho? Vocês pareciam tão... íntimos.
— Ele é meu ex-namorado. — confessei, fazendo-o me encarar sério.
— Ah. Entendi. –voltou a comer, mas não se calou por muito tempo.– Ele... e você... Vocês voltaram, foi isso?
— Não. Nos encontramos só... Namoramos por um ano e alguns meses, e ele precisou de mudar tem um tempo. Foi morar em Minas Gerais com os avós e perdemos o contato.
— Não terminaram em briga?
— (ri) Não. Nunca brigamos, briga mesmo. Uma implicância aqui e ali, mas brigar não... sempre nos demos muito bem.
— Só terminaram porque ele se mudou?
— Sim, só por isso. –suspirei.
— E como se encontraram? –contei toda empolgada nosso reencontro, que coincidiu dele ser uma dos representantes dos patrocinadores na casa de shows e na produtora. E que estávamos trabalhando juntos em um projeto novo, Luan escutou cada palavra e era monossilábico sempre que precisava dar uma resposta. Abrimos uma garrafa de vinho e tomamos algumas taças, percebi que estava falando demais.– Entendi.
— Tá chato o assunto?
— Não, é que é engraçado essa relação de vocês.
— Você não tem uma ex com quem se dê bem?
— Se a gente se desse bem não seria ex.
— Bobagem sua, você fala isso agora.
— Nada. Todos terminaram em choro, mulheres choram demais.
— Você é bem machista, né? Quando Bruno e eu terminamos eu chorei mais de saudades de vê-lo longe, do que o nosso fim. Foi natural, eu ia fazer o que?
— Então rola aquela saudade? –assenti e ele arqueou a sobrancelha.– Você voltaria com ele?
— Sim. –tomei um pouco mais do vinho, me sentindo envergonhada por minha resposta rápida, impensada.
— Vocês ficaram, foi?
— Ainda não, ainda... –frisei, rindo. Estava adorando vê-lo todo putinho.
— Então você quer? — perguntou me encarando meio emburrado.
— E qual a mulher que diria não para aquele homem? Cheiroso, educado, bonito e beija muito bem. –percebi que estava na hora de parar de beber, coloquei a taça em cima da mesa.– Chega de vinho.
— Por que? – riu.
— Já passei da conta, e ainda tenho que ir pra minha casa... tomar um banho bem gostoso e ir pro jantar lá.
— Vai  sozinha?
— Ele vai me buscar em casa.
— Sozinho?
— É, né. –risos.– Que pergunta.
— Tem certeza que não ficaram?
— Segredo, tá? –cheguei bem pertinho dele, segurei seus ombros.– Faltou bem pouco.
— Tá querendo me fazer sentir ciúmes? –neguei.– Provocar? –fiz caretas.– Ah, Eloá... eu vou te pegar de jeito, você vai ver.
— Vou não. –ri.– Preciso de um táxi...
— Pra?
— Eu ir embora. Já fiquei tempo demais aqui, comi e bebi, te beijei... tá na hora.
— Você está bêbada.
— Eu bêbada gosto de ficar pelada, sabia? –brinquei.
— Pode beber mais então... — ele falou rápido.
— Hmmm... não. –ele me sentou no colo dele, ficou me alisando até nossas bocas estarem juntas outra vez, num beijo lento e intenso, gostoso e quente.
— Você tem que ir mesmo? –assenti.– Marca outro dia, fica aqui comigo.
— Não.
— Por que não?
— Porque senão acostuma, melhor não né. –falei a verdade e ele concordou, naquelas, mas concordou.
— Tá certa. –me levantei e ele também, procurei meu tênis, calcei e peguei a bolsa.– Eu ia me oferecer pra te levar, mas... –coçou a cabeça.
— Fica em paz. Eu dou um jeitinho. –pisquei.
— Então?
— Tchauzinho, até qualquer hora. –peguei minha mochila, o celular e sai do quarto indo em direção ao elevador. Desci pensando nessa tarde, foi estranho, um estranho bom. Mas um estranho que estava acontecendo constantemente.

— Luan Rafael

Assim que ela entrou no elevador eu fechei a porta e voltei a me deitar, apoiei minha cabeça nas mãos e passei um tempo encarando o teto. Eloá vai me deixar louco cara, louco. Fiquei de pau duro por causa dela e nada, ela me evitou o tempo inteiro, mesmo provocando, sempre que eu investia... ela saía fora.

Ri dela alterada por causa do vinho, mas não gostei de saber que ela vai se encontrar com o ex e que esse tempo que ela sumiu estava com ele, duvido muito que não tenham ficado. E ela foi muito filha da puta em ficar me contando dos dois, só faltou falar o que fizeram dentro de quatro paredes.

— Acorda, viado. –olhei e levei uma almofadada no rosto, Roberval estava rindo. Já estava sentado na poltrona e eu me perguntando quando ele tinha entrado no quarto.– Pegou?
— Não do jeito que eu queria. –joguei a almofada de volta.– Quem te contou?
— Arleyde tá louca da vida que você trouxe ela pra cá sozinho, sabendo que tem fãs lá embaixo.
— Por acaso viram ela? Tem alguma coisa no instagram já?
— Olhei e não vi nada demais, não estão sabendo nem que você alugou um carro.
— Melhor assim. Cara, cê num sabe.
— Não mesmo, fala aí boi.
— Ele vai jantar com o ex dela hoje. –discorri o assunto da tarde, contei toda minha indignação e pude deixar minha raiva transparecer.– Filha da puta do caralho, porra Testa ela ficou falando do cara pra mim. Que sentia saudades, que pensava em voltar e que quase ficou com ele.
— Que ruim hein, se fodeu.
— Cala a boca vai.
— Certeza que ela ficou com você imaginando que era ele.
— Será? Mas ela não quis cara, não quis nada.
— Você não forçou né? –perguntou sério.
— Claro que não, eu insisti. Ela não quis, fiquei só nos beijos e nas chupadas. E cara, que pele gostosa... peitos... coxas.
— Ela é linda mesmo, um mulherão. Nossa, sortudo esse ex se levar ela pra cama de novo. Porque você né...
— É só uma questão de tempo, cê vai ver.
— Aham, nesse dia eu fico rico.
— Dúvida mais seu trouxa, dúvida mesmo.
— Cara, aceita. Ela não vai pra cama com você. Para de insistir, já tiveram muitas tentativas.
— Brasileiro nunca desiste.
— Falou o cara que não repete figurinhas. Tá apaixonado.
— Por muitas mulheres. Sempre tive essa paixão.
— Menos vai, menos.
— Ainda tô pensando nesse jantar, Testa.
— Desencana, boi. Larga ela pra lá, tem tantas outras.
— Eu vou ligar pra ela. –falei ignorando seu conselho, disquei o número e deixei chamar. A ligação caiu três vezes, na quarta tentativa perto de cair na caixa postal, ela atendeu.– Oi.
— Luan?
— Sim. Chegou bem?
— Cheguei, estava tomando banho...
— Vai fazer alguma coisa depois dessa jantar ai?
— Sim, voltar pra casa e estudar. Tenho uma lista enorme de exercícios que eu faria essa tarde sabe. Mas alguém me raptou.
— (risos). Sequestro bom, não foi?
— Uma delicia. –voltou a rir.– Preciso me trocar e atender a porta, estão chamando no portão.
— Quem?
— Não sei não. Beijos, depois a gente se fala. –e desligou toda apressada, passei a mão pelos cabelos, encarei o celular.
— Bora sair hoje, Testa?
— Assim que se fala.

Naquela noite escolhemos a Woods, muito boa, cheio de mulher bonita. Aproveitei bastante o camarote, banheiro também. Voltamos pro hotel quebrados, bêbados e cheios de sono. Nem banho tomei, só me joguei na cama e apaguei.
Eu sei que abusei, mas teria quatro dias de folga para me recuar dos danos dessa noite. Quatro dias para tirar o estresse e toda essa agitação.


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Um mêsssssss! Isso é tempo demais, nós sabemos e pedimos milhões de desculpas. 
Não está fácil, porém pedimos que não desistam da fanfic, porque mesmo com pouco tempo, vamos nos esforçar mais. Obrigada pelos comentários e pela compreensão.
Sobre o capítulo:  Eloá e Luan juntinhos do jeito que todas nós gostamos! Volta do ex, Luan meio enciumado, porém cafajestando ainda. 
E então, o que acham que vêm agora? hahaha 💙



6 comentários:

  1. Hummm! Negocio ta bom, indo no hotel. Luan, mal sabe que ela é virgem por isso evita. Pq filho se ela não fosse, com certeza ja tinha dado 😂😂😂😂
    E o bichinho do ciúmes mordeu ele hahahahahahaha

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  2. Vê se não some �� Tô amando a fic

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  3. Luan não desiste kkk gosto!! Tá bem bom né, indo pro hotel kk beijinhos pra lá e pra cá! Imagina a reação dele ao saber que ela é virgem! Muita coisa vai fazer sentido! E esse ex aí? Também tá em cima, basta saber se ela vai querer de volta ou não! E do jeito que está, sei não!

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  4. Continua está perfeita só que você demora a posta

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  5. Atrasada mas vim falar pra Eloá pisar menos por favor hahaja

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